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A viagem

                            A VIAGEM

Uma jovem fugindo da fome e da miséria causada pela seca no sertão nordestino chegou em uma rodovia após ter andado quase metade do dia, estava muito cansada, sentou-se em uma pedra que estava a alguns metros a beira da estrada.
Já fazia algumas horas que lá estava quando se aproximou um caminhão, a jovem correu para a pista e começou a dar com as mãos pedindo carona, o caminhão foi parando a porta foi aberta, dentro estava um senhor de meia idade com um semblante carregado, e uma pele muito queimada pelo sol.
A moça perguntou se estava indo para São Paulo, sem dizer nada fez apenas um sinal de positivo com a cabeça.
A moça então perguntou se ele poderia dar-lhe uma carona, pois seu destino era o mesmo.
Da mesma forma apenas balançou a cabeça positivamente.
Ela entrou na cabina do caminhão colocando ao lado uma sacola onde trazia tudo o que lhe pertencia, além de comida para se se manter por uns dois dias. Ela se apresentou dizendo se chamar Maria, mas ele continuou indiferente e nada respondeu, apenas a olhou e continuou dirigindo seu caminhão.
Já haviam viajado muitas horas e o relógio já marcava quase meia noite quando o caminhão parou em um pequeno lugarejo, havia naquele lugar um restaurante, à beira da estrada, sem muita sofisticação, mas com boa aparência.
O homem com quem viajara quase todo o dia sem sequer trocar uma palavra, desceu e caminhou rumo ao restaurante. Ela não entendeu nada, pois nem ao menos foi convidada a descer. Ficou sentada, pegou sua sacola, retirou de dentro um pedaço de pão, e pensativa começou a comer, ainda estava com parte do pão na mão, mas devido ao cansaço, adormeceu.
Haviam se passado mais de duas horas, quando acordou, olhando em todas as direções tentando descobrir o local em que estava, então percebeu que continuava no mesmo lugar.
Ficou muita intrigada com tamanha demora, desceu, foi até o balcão onde havia apenas um jovem que quase cochilava, e lhe perguntou pelo rapaz que a acompanhava. O balconista a olhou nos olhos e indagou:
- Que rapaz?
- O dono do caminhão que eu estava.
- Que caminhão?
A moça olhou para fora e percebeu que não havia nenhum caminhão.
Assustada correu até a porta para ter a certeza de que ele realmente não estava mais lá.
Voltando-se para dentro perguntou mais uma vez para o rapaz se realmente não tinha visto o caminhão.
O rapaz fitou os olhos na porta, passou as mãos nos braços, como se tivesse querendo abrandar um arrepio, e respondeu.
- Olha moça, pelo que você está me contando, você andou viajando este tempo todo com o Tião!
- Tião? Que Tião? Perguntou a moça.
Tião é um homem que morreu há quase dez anos, em um acidente, nesta estrada, e com ele viajava sua esposa que sobreviveu. E agora o povo diz que ele ainda viaja por estas bandas, dando carona pras moças bonitas como a senhora, na tentativa de  encontrar seu amor.
Ao ouvir isto ela dá um suspiro de espanto, e acorda muito assustada, olha para os lados passa a mão na testa e sussurra baixinho, que bom! Tudo não passou de um sonho.



 Mateus Antonio Mariano
Mateus Mariano
Enviado por Mateus Mariano em 14/02/2006
Código do texto: T111710
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Sobre o autor
Mateus Mariano
Ceilândia - Distrito Federal - Brasil
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