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FENÔMENOS - parte 01 de 02

 
     O doutor Marcus Liptus, veio de Londres até Santa Catarina procurando encontrar respostas para certas coisas que aconteceram em sua morada na Village Concilius, em um subúrbio Londrino.
     Já buscara, lá mesmo, em alguns locais especializados e também através de pessoas que se diziam possuidores de dons espirituais, porém não deu em nada sua busca.
    Em novembro de 1996 foi até a India, lá conheceu um Budista que era desconhecido de quem procurava na cidade por algum ocultista, mas conhecido se se perguntasse sobre algum sábio, porém sabia-se que ele tinha conhecimentos além dos normais.
    Esses conhecimentos ele não usava, apenas indicava em que lugar, e quem poderia ajudar. E foi assim que surgiu o nome de Xamã, em São Miguel do Oeste, interior de Santa Catarina.
    Através de conhecidos brasileiros, o doutor Marcus Liptus, chegou a Florianópolis, local do encontro com o misterioso Xamã. Este disse que poderia lhe dizer algo sobre o que acontecia em sua casa, mas que não poderia responder a muitas perguntas que lhe seriam feitas.
     Encontraram-se em uma casa comum, na praia de Ingleses. O senhor Liptus encantou-se com o mar que se descortinava bem a frente da simples choupana de pescador. Era uma praia de areia limpa e macia, onde as ondas arrebentavam uns 200 metros antes de virem morrer tranquilamente na areia.
    O homem a sua frente era de idade. Aparentava ser sexagenario, porém algo dizia ao inglês, que ele deveria ter bem mais. Seus olhos eram penetrantes, negros, com um brilho bem no fundo dessa escuridão.
       ---- Conte-me! --- disse simplesmente quando o Sr. Liptus, lhe estendeu a mão. O aperto de mãos foi firme e transmitiu quase um choque ao homem de Londres tamanha a vitalidade e energia que sentiu naquele ser pequeno a sua frente.
      ---- Meu português, não ser muito bom. Por isso eu querer trazer alguém para ajudar nossa conversa.
    ---- Ainda bem que não trouxe. Está ótimo seu português Dr. Agora conte-me o que acontece.
    'Eu e minha família mudamos para essa casa em junho de 1996. Na primeira semana tudo correu normal. Sou corretor de seguros e passo pouco tempo em casa. Viajo muito. A firma em que trabalho é uma multinacional, e na área Londrina eu sou o único representante ( notar que aqui o sotaque não nos faz diferença, por isso, o retiramos e colocamos em notação apenas para o efeito da apresentação, procurando caracterizar o personagem como um legitimo inglês). Na segunda quarta feira em que mudamos foi que tudo começou. Eu não estava em casa. Minha esposa também não. Ela é Diretora de um Liceu, e assim nossos filhos estão durante o dia praticamente sozinhos, não fosse pela eficiente empregada Judith, que está conosco a mais ou menos treze anos, a idade do menino mais velho, o Elvis. Temos três. O Elvis é o primogênito, depois temos a Katherine, e a Priscilla. Kate tem 10 e Priscilla tem 06. Lá pela hora do almoço, Judith escutou um barulho na escada e pensou que fosse Priscilla brincando, visto que Elvis e Kate tinham ido a escola. Disse ela que era como se alguém tivesse jogado uma bola na escada. Foi até a escada e não viu nada. Nesse momento ela estava preparando a refeição das crianças, visto que Martha e eu não tínhamos o costume de almoçar. Após reparar que não havia ninguém na escada Judith voltou a cozinha e se assustou com o que viu. A porta da geladeira estava aberta e havia uma fruta cortada ao meio sobre o balcão onde ela preparava o almoço. Ela não se lembrou de ter cortado a fruta, muito menos de deixar a geladeira aberta. Mais tarde quando todos estavam a mesa ela perguntou a Priscilla se ela achava graça em ficar lhe assustando. Judith é negra, sua avó era uma escrava da fazenda dos meus tios no sul da Inglaterra, então ela trata as crianças como se fossem filhas dela, e confiamos todos os três aos seus cuidados. Coisa que nunca nos arrependemos. Quando ela fez essa pergunta a Priscilla, as tres crianças se entreolharam dizendo não entender o que ela estava dizendo. Priscilla disse que não saíra do quarto a manhã toda. Ficara jogando vídeo game, e fazendo as lições de canto que começava a aprender. A noite, novamente na hora da refeição, agora com toda a família reunida, eu acabara de chegar de uma viagem a Boston, na América do norte, uma coisa esquisita aconteceu. Estávamos todos sentados comentando sobre o que Judith contara sobre a fruta cortada ao meio, Elvis disse que ela devia estar ficando velha; Martha falou que ia dar uns dias de descanso para ela, talvez estivesse meio cansada. Estávamos assim em confraternização, quando ouvimos o grito. Foi algo de assustador. Pulei da cadeira e quase derrubo o prato a minha frente, saí em disparada rumo a cozinha, que fora da onde partira o grito. Judith se encontrava no vão da porta com as mãos agarradas ao crucifixo, tremendo muito e com os olhos arregalados. Não conseguiu falar mas nem precisava. Não sei se conseguirei descrever a cena. Era algo fabuloso. Incrível!!. Um prato estava no ar, suspenso do chão coisa de um metro e meio, e não havia nada o segurando!! Quando eu cheguei e tentei cruzar a porta as gavetas do armário se abriram, todas elas, de uma só vez. O prato começou a tremer no ar, e caiu no chão fazendo um barulho que me tirou do transe momentâneo a que fora submetido. Judith saiu do vão da porta quando eu a peguei puxando pelo braço esquerdo que segurava o crucifixo, me dizendo que era coisa de Satanás, do capeta, etc.. As crianças chegaram correndo e fazendo barulho. Nesse instante a geladeira começou a abrir e fechar a porta sozinha. As coisas e os alimentos ali dentro começaram a pular fora da geladeira como se tivessem vida. Um pé de alface veio até meu rosto. Corri para a geladeira e tentei segurar a porta. Senti uma força que me puxava pela barra da calça como e me impedir de fechar a geladeira. Judith começou a rezar alto e em poucos minutos tudo se acalmou. As gavetas do armário se fecharam, os ruídos que escutávamos quando as coisas eram tiradas da geladeira silenciaram. Muito assustados, ficamos aquela noite toda acordados, eu e Martha, enquanto Judith dormia junto com Priscilla e Elvis e Kate dormiam no sofá, na sala, fazendo companhia a nós. Uma semana se passou e nada mais aconteceu. Pensávamos que tudo tinha acabado. Não comentamos com ninguém, e proibimos nossos filhos de fazê-lo também. Não queríamos ser tachados de malucos. Não sabíamos como explicar aquilo. Já tínhamos ouvido falar de coisas estranhas que aconteciam em casas velhas, porém jamais imaginaríamos que poderiamos presenciar algo assim. Judith sempre se benzia antes de entrar na cozinha, e impedia qualquer outra pessoa de cruzar a porta daquele lugar. Muito sujeita a crendices de sua gente nossa empregada nos disse que aquilo não acabara e que quando voltasse, seria muito pior. Pediu para que mudássemos. Ignoramos seu aviso, até que foi tarde demais. No dia 13 de Julho, comemorávamos o Aniversário de Priscilla. Sete anos de vida. Estávamos na sala de visitas, quando o telefone tocou. Elvis atendeu, mas ninguém respondeu. Diz ele que ouviu uma risada, ou melhor, algo parecido com uma risada, ou choro, não soube dizer com precisão. Colocou o fone no gancho e se virou para voltar a sentar-se na poltrona, quando o telefone levantou sozinho do gancho e enroscou-se em seu pescoço. Meu Deus, nós corremos para socorre-lo. Martha impediu que o fone desse mais voltas enquanto eu tentava desesperadamente afrouxar o laço em torno de seu pescoço. O menino estava ficando vermelho, seus olhos esgazeavam-se, então Judith apareceu da cozinha com o crucifixo e encostou no pescoço do menino. O cabo do telefone soltou-se na hora e saiu correndo, pode isso? Como se fosse uma cobra para baixo da mesa de centro. Se contorceu um pouco e logo se imobilizou. Elvis ficou com a marca no pescoço durante dias. Naquela mesma noite as luzes se apagaram durante uns vinte minutos antes da meia noite, quando eu desci para ver se era algum fusível queimado no disjuntor, tropecei em alguma coisa na escada do porão e se não me seguro no corrimão poderia ter partido a cabeça. Procurei por alguma coisa que pudesse ter me feito perder o equilíbrio, mas não encontrei nada. Resolvi chamar um padre da Paróquia para conversarmos e lhe contar o que estava acontecendo. Ele , o Pe. Bersntein, estava na cidade a mais de 20 anos e conhecia muito bem aquela região. Era admirado por todos pela maneira como se portava. Era um padre conservador em relação aos princípios morais e sociais. Mas de bom caráter. Disse que não podia exorcizar a casa, pois para se praticar o exorcismo são necessários muitos argumentos, muitas provas de que a casa estaria mesmo possuída pelo demônio. Disse que talvez não fosse algo demoníaco, mas espiritual. E além disso precisaria conseguir entrar em contato com o fenômeno, para poder ter sua opinião. Infelizmente isso não é algo que podemos programar, e assim eu não tinha como poder lhe mostrar o que estava acontecendo. Pedi a ele que viesse em casa para jantar, na terça feira, pois as manifestações sempre apareciam em horários de refeição, principalmente a noite. Na hora marcada ele chegou. Trazia em sua mão o relicário, e uma pasta negra. Conversamos mais um pouco, jantamos e eu já havia perdido a esperança de algo acontecer, para poder provar a ele que realmente algo de estranho acontecia ali, quando ouvimos um barulho na cozinha. Corremos até lá e vimos Judith no chão com uma faca cravada na garganta. O sangue borbulhava pela sua boca e pelo buraco da facada. O Pe. ajudou-me a tirar a faca, e colocou um pano em sua garganta tentando conter o fluxo de sangue. Ao se abaixar para ajudar-me o padre deixou cair um vidrinho do seu bolso. Água benta, eu presumi. Ele tentou pegar o vidrinho mas esse começou a se mover sozinho pelo piso da casa, e foi parar no ralo, debaixo da pia. eu vi o padre se atirar desesperadamente no piso atrás do pequeno recipiente, porém não conseguiu evitar que o objeto fosse para a fossa. Liguei para a policia, mas quando chegaram Judith já tinha falecido. O padre me disse que aquilo não era prova ainda de que a casa necessitava de um exorcismo. Percebi que ele estava com medo. Me disse que mudasse de casa e tudo poderia voltar ao normal. Mudei para duas quadras dali, me perguntando o que era que acontecia naquela casa. Uma semana depois um casal foi encontrado morto na mesma casa. Eles tinham acabado de se mudar. Eram recém-casados. Certa noite de Agosto, Priscilla acordou gritando. Disse ter sonhado com Judith e essa lhe pedia para ir salvá-la. Judith era muito apegada a Prsicilla e acho que elas estabeleceram uma espécie de contato mental, sei lá se voce entende, mas o fato é que uma vez Judith soube, de dentro da casa, que Priscilla havia caído do balanço que tínhamos na frente de casa. Elas se davam muito bem. Martha ás vezes dizia ter ciúmes da atenção que Judith demonstrava a Priscilla. Esses sonhos foram se repetindo até que Prsicilla adoeceu. Em sete dias de cama, ela ficou murmurando o nome de Judith seguidamente, falando que ela precisava de ajuda, precisava libertar a alma. Comecei a ler matérias e livros sobre espiritismo, esoterismo, bruxaria e tal, essas coisas. Um dia fui até uma loja de livros usados, Priscilla ainda estava de cama, com febre. Na loja encontrei um senhor , magro, alto, a quem perguntei se tinha algum livro sobre feitiços, encantamentos, coisas do gênero. Ele me indicou uma prateleira, onde eu fiquei quase uma hora procurando algo que de adaptasse a situação em que estava vivendo. De repente o homem perguntou se eu procurava algo mais especifico. Contei o que estava acontecendo e ele então mostrou interesse pelo meu problema. Pediu se poderia encontrá-lo na igreja de Sallisburg entre as 19:00 e 20:00. Me deu um velho livro de orações que tinha em um recinto fechado e me cobrou 12 doláres. Esperei até as 20:20 e já estava saindo da igreja quando ele chegou. Estava todo vestido de preto, e trazia na mão um chapéu “Heller” bem cuidado. Sentou-se comigo em um banco dentro da igreja. Fez o sinal da cruz, ajoelhou-se e rezou. Durante uns 15 minutos eu o vi mexer os lábios em voz baixa. Não o ouvia, mas sabia que o que rezava era em Latin. Então pegou-me pelo braço e levou-se até uma pequena sala onde provavelmente o padre devia receber visitas para conversas particulares. Me contou que era muito amigo do cônego dali e que eu deveria me sentir em casa. Repeti novamente minha história, dessa vez com mais pormenores, e o velho senhor juntou minhas mãos com as suas e me olhando nos olhos disse: “ É bruxaria meu filho. Feitiço que foi colocado na casa, e quem lá morre fica com a alma vagando no infinito, sem destino, nem céu nem inferno.” Me disse que nesses casos a Igreja nada poderia fazer, mas que conhecia alguém que podia me ajudar. O velho foi até em casa um dia depois do nosso encontro e Priscilla chorou quando o viu. Agarrou-se ao seu corpo e disse que sabia que ele podia entender. Dois dias depois Priscilla faleceu. Nossa família estava reduzida a lembranças bonitas e a pesadelos que ora um ora outro tinham. E o pesadelo era sempre o mesmo. Priscilla e Judith implorando ajuda. Comecei a correr o mundo atrás de quem pudesse me ajudar. Assim aproveitava minhas viagens para contactar pessoas que diziam trabalhar com magia e obscurantismo, ocultismo e coisas do além. A primeira pessoa que procurei foi uma senhora que morava no interior de Nantes, sendo que ela pouco pode fazer por mim a não ser me recomendar outra pessoa em Lion. E eu ia assim, de pessoa em pessoa, sem conseguir progredir muito. Quando eu ligava para casa Martha chorava e dizia não agüentar mais aquilo. Dois meses se passaram depois da morte de Priscilla. Elvis fora para a província de Union City em Oklahoma, nos Estado Unidos fazer um curso intensivo de Computação Genética. Imagine isso, com treze anos e já conseguindo uma bolsa dessas. Eu me senti orgulhoso, mas ao mesmo tempo temeroso de ter em casa somente duas mulheres e nenhum homem para tomar conta da casa. Se bem que Antes de tudo acontecer havia Judith. Mas Judith se fora, e com ela minha Priscilla. Bem, voltando certa vez de FrankFurt para Lisboa num vôo da Pan Am, sentou-se ao meu lado um Rabino, começamos a conversar e ele se mostrou muito atencioso para comigo. Em dado momento quando dei por mim estava contando a ele o motivo da minha viagem. Então ele tirou de dentro de sua maleta, um notebook, e com um celular fez o acoplamento direto com o modem, digitou alguma coisa e logo escreveu em um papel um endereço. Era o endereço do homem da India. E na Índia foi o seu nome que ele me deu.'
    --- Essa é a história. Espero que possa me ajudar, porque senão eu perco a esperança.
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 28/02/2006
Reeditado em 28/02/2006
Código do texto: T116949

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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