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O sítio

    Eles haviam acabado de chegar ao sítio alugado para passar o feriado, seriam cinco dias de diversão e sossego para todos. Eles estavam em vinte pessoas que viajaram divididas em quatro carros. Logo que chegaram ao sítio na sexta feira à noite notaram que Matheus de cinco anos, não estava brincando e aprontando como era de costume, não tinha sequer levantado do sofá para jantar, acharam que era por que não tinha nenhuma outra criança para brincar com ele.
    No Sábado à noite Matheus estava ao lado de Vivi de  dezessete anos, sentados na escada da frente da casa observando as outras pessoas que jogavam baralho em uma mesa colocada do lado de fora por causa do calor. De repente o menino fala:
- Ah... aqui tem outra criança – olhando para a frente.
    Vivi perguntou:
- Que criança? Só tem você de criança aqui, sua priminha não veio.
    Então apontando para uma árvore próxima da casa Matheus disse:
- Alí, parada do lado da árvore, tem uma menina lá...
    A garota olha na direção que o menino apontava e não vê ninguém, assustada chama a mãe dele e conta o que ele falou, ao que a mãe responde:
- Não liga para tudo que ele fala Vivi, ele é só uma criança, vai ver você até entendeu errado.
    E o assunto foi esquecido e depois de algumas horas todos foram dormir. Mas Vivi não estava se sentindo bem, havia algo estranho naquele lugar que a deixara apreensiva desde que haviam chegado.
    No domingo à tarde depois do almoço, Matheus estava brincando com um carrinho na sala e perto dele estava sua mãe e Vivi conversando e planejando irem para a piscina aproveitar um pouco mais do sol, mas antes que elas pudessem se levantar Matheus fala:
- Vamos brincar?
    A mãe dele e Vivi pensam que ele estava falando com uma delas, mas ele insiste:
- Vamos brincar?
- Matheus agora nós vamos brincar lá na piscina o que você acha?
    Ele nem dá muita atenção e fala para Vivi:
- Me dá o outro carrinho para a menina brincar...
    Ela olha assustada para a mãe do garoto que continua falando:
- Ah não... ela tá morta... não vai brincar, já morreu...
    E dessa vez Vivi fica realmente assustada, mas a mulher não sabia o que pensar e falar para tranqüilizar a ambas.      Resolveram ir para fora e brincar com o garoto para distraí-lo. Quando chegaram perto da piscina, outra jovem que estava com eles estava dentro da piscina pediu para o primo que lhe desse a mão para ajudá-la a sair da água.
    Quando o rapaz lhe estendeu a mão ela afundou e começou a se debater como se estivesse se afogando, mas ele achou que ela estava só brincando e não deu atenção nem tentou tirá-la da água. O pai do rapaz que estava perto percebeu que ela não estava brincando e disse:
- Entra na água e ajude a Daniela, ela está se afogando.
    E o rapaz fala:
- É brincadeira dela pai... Dani não está se afogando...
    Mas o pai dele já estava pulando na água para ajudar a sobrinha e quando ele a trás para a superfície da água e com a ajuda do filho a tira da piscina, e enquanto perguntava para ela se ela estava bem notou que ela estava diferente, o rosto era o dela mas ao mesmo tempo parecia ser outra pessoa, seus olhos haviam perdido o brilho, estava muito pálida e seus lábios estavam um pouco azulados e exibiam um meio sorriso sinistro.
    Eles não sabiam que ao tentar sair da água, ela sentiu como se uma mão a puxasse para o fundo da piscina, e por mais que tentasse nadar para cima mais era puxada para baixo e quando seu tio a puxou, ela sentiu que uma força estranha se apoderava de seu corpo e a possuía rapidamente.
    Depois daquilo Dani não chamava mais ninguém pelo nome, e estava tão agitada que não conseguia ficar parada num lugar, estava muito agressiva e todos ficaram preocupados achando que ela deveria ir para um hospital e fazer algum exame para saber se o quase afogamento havia provocado algum distúrbio.     Mas ao ouvir algumas pessoas falando em ir embora, Dani ficou ainda mais nervosa e começando a quebrar tudo que estava ao seu alcance falou:
- Ninguém sai daqui, ninguém vai embora.
    Rapidamente perceberam que ela não estava bem e que precisava de ajuda. Vivi se lembrou do que Matheus havia falado sobre uma criança perto da árvore e sobre uma menina na sala que já estava morta e não poderia brincar com ele. Imediatamente correu para contar aos seus tios sua suspeita de que aquele local tinha alguma coisa haver com o estado de Dani. Eles não concordaram com ela sobre isso, mas concordaram sobre a jovem precisar sair dali e procurar ajuda de um médico, talvez tivesse ficado tempo demais sem ar na piscina.
    Depois de muito trabalho conseguiram colocar Dani dentro de um dos carros e rapidamente arrumaram suas coisas e foram embora. No meio da estrada Dani disse para o tio que guiava o carro rapidamente:
- Se o senhor não quiser morrer é melhor ir mais devagar, alí na frente o senhor vai bater de frente com um caminhão.
Ignorando o que a sobrinha dizia ele acelera ainda mais para ultrapassar um ônibus de viagem  que estava na frente deles. E para susto de todos que estavam dentro do carro, menos para Dani que estava com os olhos arregalados e aquele sorriso sinistro nos lábios ainda azulados, deram de frente com um enorme caminhão que vinha pela outra pista. O motorista do carro fez uma manobra rápida e entrando na contra mão e depois indo para o acostamento conseguiu desviar no último minuto parando para tomar fôlego e se recuperar do susto.
    Todos no carro olhavam de forma estranha e com medo para Dani, que não mostrava nem sinal de ter se assustado com tudo aquilo, pelo contrário parecia estar adorando ver o desespero no rosto de todos, Matheus ao seu lado choramingava e pedia para ir no colo da mãe que estava no banco da frente.
    Voltando para a pista o tio de Dani avista uma pequena igreja logo à frente, então decide parar:
- Vamos parar naquela igreja e pedir ajuda, Dani não está bem, tem alguma coisa errada com ela.
    Mal ele termina sua frase e Dani violentamente pega Matheus pelo pescoço e apertando com força fala:
- Pára esse carro na igreja e ele morre, juro que morre...
    Desesperado o motorista freia bruscamente fazendo com que Dani perdesse o equilíbrio sendo jogada para frente, batendo o rosto no banco do passageiro em que sua tia estava sentada. Irritada começa a espernear e se debater no banco do carro, todos ficam apreensivos e pedem para irem logo para casa.     Mesmo depois de ter chegado em casa Dani não muda muito, continua calada e não chama ninguém pelo nome, decidem que ela precisa de ajuda espiritual e chamam um padre para conversar com ela.
    Quando ele chega na casa encontra a menina no quarto sem querer conversar com ninguém e depois de pedir que o deixasse a sós com ela para conversarem. Ninguém sabe o que foi dito naquele quarto, só podiam ouvir barulhos estranhos, vozes que não pareciam ser de Dani e o padre falando alto com alguém de forma insistente e autoritária.
    Até hoje Dani não se lembra do que aconteceu naquele quarto e o que se passou depois do seu acidente na piscina, e a família não preferiu não saber de mais detalhes e somente tentavam esquecer aquilo tudo e seguir com suas vidas. Mas o que eles não sabiam era que quando ninguém estava olhando, Dani ficava observando a todos com aquele sorriso sinistro nos lábios, que ainda estavam sem cor.







       
Marcia Fox
Enviado por Marcia Fox em 02/03/2006
Código do texto: T117917
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Sobre a autora
Marcia Fox
São Paulo - São Paulo - Brasil
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