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EU SOU A MORTE...2.(publicado pela Editora Del Leon, Agosto, 2007) TÍTULO: ALGUMAS FICÇÕES

Eu sou a morte... 2

Quantos anos você tem! Bem, isso, não importa. Você sempre teve medo de morrer, não é mesmo! Sempre ficou intrigado e receoso de chegar a sua vez quando ouviu falar que alguém morreu. Lá estava seu amigo geladinho, durinho, esticadinho, e com aquela cara pálida como cera - mesmo depois da maquiagem que se faz num morto. Se for rico, claro. Sabiam que sugam do defunto todos os líquidos para que ele não inche e de tampar todos os buracos do seu corpo! Isso mesmo! Tampa-se todos os buracos do corpo para que nenhum liquido ou resíduo escape. O defunto fica até mais bonito que quando era vivo.
Fica mais bonito, mas, não fala, não escuta, não se move e todos à sua volta ficam com aquela cara de piedade e pensando o que existia dentro dele que o fazia viver, falar, andar, correr e pensar...
O que você acha que existia dentro dele que o fazia viver! Que força motora o fazia locomover seu corpo pelo mundo!
O que existia naquele corpo antes de sua morte que nenhuma célula mais funciona! E tudo vai se deteriorando tão rapidamente que, se não enterrá-lo ou cremá-lo, logo logo ele se torna pútrido e exala um mau cheiro insuportável!
Vou explicar-lhe: eu ainda não havia chegado... eu sou a morte! Sou mais forte do que a vida! Tudo que tem vida depende de mim! Eu sou a única certeza da vida! Toda espécie de vida me encontra um dia! Eu sou a renovação! Sou a passagem! Sou a transformação! Sou a mudança! Alguns tentam bajular-me, e dizem que sou até mesmo o renascimento, a ressurreição, o alívio... Mas, ninguém está preparado para um encontro comigo! Quando eu aproximo, correm para os hospitais em busca de ajuda, de socorro e culpam os médicos por não conseguir salvar-lhes a vida. E mesmo que isso ocorra é por pouco tempo... um dia todos virão a mim! Sou a única certeza da vida...  o resto é mera filosofia para aliviar o grande sofrimento e o vazio de pensar em mim um dia... Até mesmo os suicidas, que alguns dizem ser um ato de coragem ou desespero em acabar com suas vidas para me encontrar, eu lhe digo... eles não desejam me encontrar, desejam acabar com seus sofrimentos, com suas angústias, com suas fraquezas, com seus problemas, são egoístas... e, então, dão uma de corajosos e vêm a mim sem eu os chamar... são uns fracos, uns bundões... detesto puxa-sacos! Eu... eu já tenho problemas demais para vir alguém implorar-me soluções! Eu não sou a solução! Sou o eterno problema da vida... estou implícita na vida... onde há vida há morte! Aha...aha...aha...
Eu sou a morte! Eu sou a dona dos mundos, das vidas e de tudo que existe. Um eterno dilema que os seres humanos nunca conseguem resolver... nem entender... nem imaginar...
Pense nisso... e quando pensar na vida... pense em mim... você não é dono de sua vida, ninguém é dono de sua vida... sua vida me pertence... você não é nada! Eu sou tudo! Eu sou a morte! Até um dia...
Fim.
Lucas Durand
Enviado por Lucas Durand em 31/03/2006
Reeditado em 13/07/2015
Código do texto: T131754
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Lucas Durand
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lucas Durand