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O Taxista

Horácio já estava exausto, havia trabalhado muito, dirigir o dia inteiro não era fácil, prazeroso, amava o que fazia, mas nada fácil.
Estava se preparando para ir pra casa descansar, despediu-se de quem ainda ficava para o turno da noite no ponto e entrou em seu táxi, se dirigindo ao caminho de sua tão desejada e aconchegante casa. Sempre gostou muito de ser taxista, apesar do perigo desta profissão em estar tão próximo a situações de violência, às vezes ouvia histórias dos seus companheiros, fatos absurdos que pra ele não tinha nenhum cabimento, estava a tantos anos na praça e tudo que conhecia de fatos inexplicáveis era os que saiam da boca de seus colegas. Muitas vezes chegou a rir da situação em que eles se encontravam para relatar tais acontecimentos, e jamais conseguiu acreditar em qualquer palavra que fosse direcionada neste respeito. Era um homem forte, robusto até, expressão fria, mas com certa bondade no olhar, de pouca fé, acreditava somente no que pudesse provar e no suor do seu trabalho.
Já era início de uma madrugada fria e nebulosa dessas em que, desejava estar aquecido debaixo de ziguilhões de cobertores em sua cama quentinha, ligou o rádio para se distrair até que o caminho findasse e na procura de alguma estação distraio-se, quando voltou os olhos para rua havia um homem lhe fazendo sinal pra que parasse, quase em cima do carro.
Horácio parou o carro mais de susto do que por vontade, e o homem de
estatura mediana, aparentando seus trinta e poucos anos abaixou-se e bateu
no vidro do lado do passageiro.
Horácio pensou ainda por alguns segundos abaixou o volume do rádio, e resolveu abaixar o vidro.
O homem tinha um semblante sereno, parecia apenas um pouco preocupado.
_Amigo, sei que deve ter terminado sua jornada por hoje, mas lhe peço que faça esta última corrida, não estou conseguindo condução.
Horácio tentou se esquivar:
_Moro longe e pagarei bem se me conduzir ao meu destino. Atrasei-me com alguns contratempos hoje e não tenho mais como voltar pra casa.
Como Horácio tinha alguns compromissos praquele mês resolveu aceitar. Antes não o tivesse feito.
Abriu a porta e o homem adentrou ao carro ajeitando uma pasta ao colo, vestia-se bem e tinha um porte elegante.
Horácio o observou por alguns segundos, que foram suficientes pra que o passageiro percebesse o receio que estava sentindo, perguntou qual era o destino, e seguiu...
No caminho foram trocando palavras corriqueiras, o passageiro se fazia de poucas palavras tornando-se ainda mais misterioso o que aumentava a angústia de Horácio.
Uma cidade tão perigosa como esta em que vivo o que tenho na cabeça de aceitar uma corrida como esta, o pensou. Pediu a qualquer santo que lhe veio à mente proteção para que nada lhe acontecesse... Mas acho que já era tarde.
O caminho se estendia a cada curva feita, e percebendo a inquietação de Horácio o estranho passageiro tentou acalma-lo dizendo:
_ Realmente é muito longe minha casa, mas não se preocupe comigo não lhe farei nada, sou homem de bem, só optei por morar distante da cidade.
Horácio não sabia se ficava aliviado ou se tinha naquela pronunciação um aviso.
O homem sorriu tentando dar ênfase as suas palavras, Horácio na percepção de seus atos tentou relaxar. Depois de quase uma hora e meia de viagem:
_Vire a próxima esquerda é a rua que dará acesso a minha residência, vou te avisar algo para que não tenha surpresas. Quando eu saltar deste carro o senhor faça o contorno no fim desta estrada e acelere, não pare pra ninguém, ninguém mesmo entendido?
Horácio percebendo onde estava, uma rua ainda de barro, com plantações dos dois lados, iluminação precária tanto pela falta de, como pela neblina que ajudava, e tão estreita que só dava passagem a um carro, se houvesse um pedestre ele haveria de se embrenhar no meio do matagal para não ser atropelado, achou muito estranho àquela estrada, parecia ter aparecido ali do nada, ele pensou em desistir de ir à frente de um caminho tão sinistro e fazer o passageiro saltar ali mesmo, mesmo que isso lhe custasse não receber a corrida. Mas quando tudo tem que acontecer...
_O senhor não me leve a mau, mas porque tal conselho não há como cruzar com ninguém no caminho de volta!
O homem se calou.
Horácio sentiu um estranho calafrio percorrer seu corpo, estava sentindo medo, mas não sabia o porquê, até então não havia motivos, sentia medo da violência, mas o homem que conduzia não parecia querer lhe fazer mal algum. E pelo seu porte físico se fosse tentar rendê-lo sem armas de fogo, Horácio até o venceria com facilidade num mano a mano.
Percorreu por aquela estrada por mais alguns minutos tentando observar tudo a sua volta, mas o cenário não mudava continuava sempre o mesmo desde o inicio, então a certo ponto daquela tenebrosa estrada o passageiro diz: _ Pode parar o carro é aqui que vou saltar. Horácio sem entender nada parou o carro e olhou aquele homem com expressão interrogativa: _ Aqui esta seu dinheiro, logo ali em frente encontrará um retorno, lembre-se não pare pra ninguém. O misterioso homem saltou e numa pequena passagem em meio às plantações foi caminhando, Horácio ficou a quase que admirar ele seguir até desaparecer no meio da escuridão.
Ligou seu carro, e seguiu até o retorno que encontrara logo, e no caminho de volta veio pensando se indagando da estranha viagem se perdendo em seus pensamentos, quando sentiu algo bater na porta do seu carro olhou pelo retrovisor e nada avistou, seu coração bateu quase em taquicardia, e instantaneamente pisou mais fundo no acelerador como que a querer furar o assoalho, o seu carro parecia voar e a visibilidade ficou ainda pior com a poeira que subia tão intensamente. Horácio já não sabia mais o que pensar o medo de tais fatos inexplicáveis o tinha dominado de forma descontrolada só queria se ver livre daquela situação ridícula em que se encontrava, como pode homem feito ter medo de coisa alguma e pisou ainda mais, e sentiu novamente algo bater na porta. _ O que é isso? Exclamou. Nada batia na porta na vinda será que são galhos de qualquer coisa, o que pode ser? Sua cabeça enchia-se de pensamentos desordenados, mas tentava manter o controle, pois estava ao volante e se, perde-se a direção ali naquele lugar seria mau muito mau. Então tentou se acalmar, mas seu corpo estava trêmulo não conseguia-se parar, então viu um vulto branco passando e batendo na sua porta, Horácio desesperou-se e quase perde os sentidos de tanto medo foi quando no auge de seu pânico percebe alguém pendurado na maçaneta de sua porta com um rosto desfigurado e olhos brilhantes como de animais no escuro, Horácio olha novamente e fecha os olhos com tanta força como que a querer despertar de um pesadelo, não pode ser isso não esta acontecendo e ouvi uma voz pronunciar sarcasticamente:
_ Está com pressa, está com medo heim!!!!!!!!!  Hahahahahahahahaha.
 
Senhora Morrison
Enviado por Senhora Morrison em 21/06/2006
Reeditado em 12/07/2006
Código do texto: T179631
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Sobre a autora
Senhora Morrison
São Paulo - São Paulo - Brasil, 36 anos
54 textos (2857 leituras)
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