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Lavínia - PARTE II

Voltou para seu quarto, sentou-se na cama e passou a noite toda em claro pensando. Decidiu que amanha usaria uma calça preta, jaqueta preta com uma mini blusa embaixo e seu coturno, comprado a tanto tempo, mas que ela jamais tivera coragem de usar por parecer muito agressivo. Queria que todos vissem quem ela era agora. Lavinia agora era só ódio, todos que ela amara um dia a traíram. Seu primo com o qual perdera a inocência fugira com sua mãe que era sua maior confidente, seu pai que a estuprara várias vezes, e agora Laura, que a enganara covardemente. Nessa hora, jurou que se vingaria.
 
No outro dia não foi trabalhar, ficou em casa planejando como faria. Na mesma noite, na escola, avistou Laura. Ela estava linda; mas Lavinia já não se deixava enganar pela sua beleza ou doçura. No intervalo chamou-a, com um meigo sorriso nos lábios. O ódio a fazia cínica e fria. Laura veio, meio desconfiada e perguntou o que ela queria. Lavínia então começa a colocar seu plano em ação:

- Queria saber se se divertiu ontem com os rapazes.
Laura, sem jeito, diz que sim.
Lavinia diz então que ainda a ama, e que mesmo vendo o que viu e ouvindo o que Laura disse na noite anterior ainda a ama e a quer de novo. Laura, com um sorriso debochado responde:
- Ah quer é? Você é doente. Não gosto de mulher.
- Ah entendi. Brincou comigo não é? Entao ouça bem o que vou dizer: se não estiver hoje as onze horas em ponto na minha casa conto pra todo mundo o que fizemos. E tenho provas. Então, baby, lá em casa as onze ou sua reputação abaixo, estamos entendida?
Laura a fitava aturdida, uma cara de espanto que Lavinia teve vontade de rir.
- Ta bom, estarei lá, mas não se precipite,  por favor!

Lavinia chegou em casa diferente: Seu longo cabelo negro e liso voava mais lindo e livre do que nunca. Seu olhar mudara, estava mais frio, mais duro. Vestiu-se de preto, pegou a velha espingarda de seu pai e sentou na sala, esperando Laura. As onze em ponto Laura chegou. Lavinia abriu a porta e viu o medo nos olhos de Laura. Assim que ela entrou, Lavinia fechou a porta e sem pensar duas vezes atirou no braço de Laura que chorava copiosamente. Lavinia se aproximou e disse que o próximo seria no coração, mas que primeiro queria vê-la sangrar um pouco.

Laura chega mais perto de Lavinia e pede perdão, diz que a ama, e que só fez isso porque os vizinhos de Lavinia viram as duas juntas e ameaçaram contar pros seus pais. Depois a doparam e ela transou com os dois obrigada, dopada, amortecida, sem sentir nada. Lavinia fica balançada, anda de um lado pro outro e diz:
- Você esta mentindo! Esta mentindo!
- Não Lavinia, não estou mentindo!

Lavinia larga a espingarda no sofá e segue para o banheiro, esta atordoada e precisa pensar rápido. Os vizinhos com certeza ouviram o tiro e logo estarão ali para ver o que esta acontecendo. Ela vai em direção à pia e se abaixa, para lavar o rosto. Ao se erguer novamente vê, através do espelho, Laura parada junto a porta. Ela tem a espingarda na mão. O braço ferido ainda sangra, mas não chora mais, apenas ri. Ri, gargalha. Lavinia se vira lentamente e antes q pudesse fazer alguma coisa Laura atira, e acerta seu peito. A dor é imensa, Lavinia tonteia e vai, de costas, de encontro a pia e se escora nela. Olha para Laura e vê o sorriso cínico. Chora... Lavinia chora. Chora de dor, chora de raiva, chora de amor. Ela sabe que é seu fim, sabe que morrerá. Vai caindo lentamente e fica de joelhos diante de Laura:

- Eu te amei, mas você brincou comigo. Você não vai ter paz nunca, eu não te deixarei em paz.
Sua voz sai muito fraca, quase não consegue mais falar, mas ainda assim ela arranca forças não sei de onde e diz:
- Destruirei você. Escute bem, destruirei você, sua imunda.

E cai. Lavinia cai, morta. Laura se apressa em limpar as digitais da arma e corre ate a policia. Diz que Lavinia a obrigou a ir ate sua casa, atirou nela e depois se matou. Depois de passar pelo hospital para fazer um curativo, ela segue pra casa. Toma um banho bem rápido e segue para sua cama. Ao deitar, ela não consegue dormir. Vira-se de um lado pra outro e não consegue parar de pensar em Lavinia.
Na noite que fora ate a casa dela pela primeira vez havia brigado com seu namoradinho e estava um tanto quanto perturbada. Pensou até em não ir ver o que Lavinia queria, mas a curiosidade fora maior. Lá chegando ouviu as confissões da garota e ficou confusa. Pensou no namoradinho que era um incompetente na cama, e achou uma boa idéia se divertir com essa garota taradinha. Realmente foi uma noite maravilhosa, “ninguém melhor para tocar o corpo de uma mulher do que outra mulher”, hoje sim entendia a frase que outro dia ouvira sua irmã falar para o namorado. Mas era apenas isso, queria se divertir e só! Saiu só de manha da casa de Lavinia, e tinha sim a intenção de voltar na noite seguinte para brincarem mais um pouco. Mas infelizmente Lavinia não pensava assim. Na escola a olhou a noite inteira de maneira esquisita, até beijo mandou pra ela! Inaceitável! Decidira nesse momento que mostraria pra ela que não era lésbica, e sim que tinha uma mente muito aberta, gostava de sexo, não importando com quem fosse. No horário que marcara com Lavinia, Laura foi, sim, ate a porta da casa dela, só que com outras intenções. Usava uma micro saia branca, bota preta, e uma blusinha de alça. Parou na frente da casa dos vizinhos de Lavinia, arrebentou as duas alcinhas da blusa e bateu na porta, segurando a blusa e fazendo cara de assustada. Sabia que ali moravam dois rapazes grandes fortes, um pouco ignorantes, mas mesmo assim homens. Um deles veio abrir a porta e Laura disse que Lavinia a tinha atacado e rasgado sua blusa. Ele a mandou entrar e sentar, mas ela apressou-se a perguntar onde ficava o seu quarto, pois queria uma camiseta emprestada. Ele a levou ate lá, e em seguida foi para a cozinha pegar um copo d’água. Ao voltar, Laura já estava nua, com as pernas bem abertas. O homem correu para o outro quarto e chamou seu irmão, e os três fizeram uma festa incrível. Só de lembrar ela se sentia úmida, mesmo contrariada e nervosa como estava. Lembrou do rosto de Lavinia ao vê-la com os dois brutamontes e teve que conter um sorriso cínico que era sua marca registrada. O que não contava era que Lavinia fosse chantagea-la! Sentiu pena de Lavinia, e ao vê-la aquela noite com a espingarda ela parecia ainda mais sexy. Teve vontade de pedir desculpas e ir de novo pra cama com ela, mas Lavinia fora mais rápida com seu tiro. Aquela vaca! Mas as coisas acabaram da melhor maneira, aquela cretina não poderia mais incomoda-la, e com certeza, agora que provou dessa modalidade de sexo arrumaria logo logo outra taradinha igual essa, ou melhor ainda pra se divertir.

Pensando nisso, ela adormece. Acorda com um barulho de uma porta batendo. Abre os olhos, senta na cama e olha para a porta do seu quarto. Vê Lavinia. Não pode ser! Eu a matei! Matei sim! Ela está nua, Laura percebeu. Lavinia vem em sua direção e ela se encolhe toda, sentada na cama. Lavinia senta-se ao seu lado. Laura não consegue nem gritar, de medo e pavor. Lavinia não fala nada, apenas sorri. Agora estão sentadas uma de frente para a outra. Lavinia toca na sua perna, seu toque é gélido. Laura pede para que a deixe em paz, que vá embora. Lavinia diz que irá embora assim que ela escrever uma carta contando tudo que aconteceu em todas as noites que estiveram juntas. Laura concorda rapidamente, levanta-se, pega um caderno e escreve tudo, todos os detalhes, afinal não quer que Lavinia a perturbe novamente.

Entrega para ela ler, e vê um leve sorriso de satisfação em seu rosto. Lavinia torna a olhar para Laura, e manda que ela se deite na cama, nua. Laura protesta, pede para parar com isso, que já fez o que pediu, e quando alguém lesse aquela carta seria presa! Já seria vingança suficiente. Lavina ordena, sem cerimônia, que Laura se dispa e venha deitar na cama. Contrariada, ela obedece. Ao deitar, Lavinia afasta as pernas de Laura e beija seu sexo. O tesão invade Laura, que geme alto, sem pudor. Lavinia lambe, faz tudo como fizera na primeira noite, e Laura explode num orgasmo forte, incessante. Grita, geme, grita muito alto. Fecha os olhos e adormece. Acorda um tempo depois, sente que está com as coxas e seus molhados. Lembra-se então de Lavinia e sua visitinha e sorri. Mas ao olhar pro seu corpo ela grita de horror. Seus seios estavam mutilados, arrancados. Olha para seu sexo e vê que foi mutilada. A sensação de molhado vinha de seu sangue! Ela grita, pede por socorro, mas ninguém ouve. Ela grita, desesperada, corre para a janela de seu quarto, grita, grita, mas ninguém ouve. A dor é imensa, ela se desequilibra e cai da janela do 6º andar.

No dia seguinte,  nos jornais, a manchete: “Jovem se atira da janela do 6º andar após matar sua amante”. A noticia de uma página dizia que Laura B. deixara uma carta dizendo que matara Lavinia M. na noite anterior após várias noites de amor por ciúme. Dizia ainda que a adolescente de 17 anos se masturbara com uma faca para se punir por ter matado sua amante e depois se jogara da janela do seu quarto.

Lavinia finalmente pôde descansar em paz. Vingara-se. Mas chegara tambem a conclusao de que ainda amava aquela sacana. Sim, ainda amava. Afinal um amor como esse não se consegue apagar assim. Mas seria dura com Laura, ah como seria. A 'taradinha' era ela. E pagaria por isso tambem, mas isso ja é uma outra história, uma história além do compreensivel.

E viveriam juntas, quem sabe, no inferno.


Lady Daphne
Enviado por Lady Daphne em 29/06/2006
Código do texto: T184332
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Sobre a autora
Lady Daphne
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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