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Triângulo Fatal

Chovia torrencialmente. Parecia que até o céu estava triste com sua partida. A tarde estava escura e com muita neblina. Livia usava um triste vestido negro, que contrastava com seu longo cabelo louro presos em um coque. Chorava copiosamente e várias pessoas a consolavam. Sentia-se viúva, afinal já estavam noivos a cinco anos. Se casariam dentro de dois meses e ela ainda não acreditava que tivessem tirado Marcelo dela de forma tao brusca e dolorosa.

Tudo aconteceu na noite anterior. Marcelo, um belo rapaz de 27 anos, cabelos negros e olhos de um verde claro incomum, saía do trabalho, indo em direção a casa de Lívia, onde iriam tratar de alguns preparativos para o casamento que se aproximava. No caminho o pneu furou e ele obrigou-se a parar no acostamento daquela rua sinistra. Um estranho ainda não identificado parou, ofereceu ajuda, e quando Marcelo permitiu a aproximação o homem estranho o matou de forma brutal com três tiros.
Mas o que os policiais não sabiam é que a história era muito diferente do que imaginavam....

Marcelo saiu do trabalho como fazia todos os dias, e seguia para a casa de Lívia. Já era hora de se casar com ela, não podia mais fugir disso. Teria que terminar o caso que tinha com a colega de trabalho que já durava quase dois anos, mas não tinha coragem. Gostava muito mais de Bia do que de Lívia. Na verdade seu relacionamento com Lívia esfriou de tal maneira que o fez procurar várias desculpas para não vê-la nos finais de semana. Com Bia não, com Bia era diferente. Ela era quente e doce, fogosa e carinhosa, e muito boa de cama. Bia sabia que era comprometido, mas mesmo assim o queria. Ele não gostava de admitir, mas estava com Lívia apenas pela vida confortável que teria ao lado da filha de um dos homens mais poderosos do país. Lívia era linda, cheirosa, mas era também superficial e fútil as vezes. Bia não, Bia era simples, honesta, humilde e não exigia nada dele além de algumas horas de amor por semana. Seguia pelo caminho até a casa de sua noiva, quando olha pelo retrovisor e percebe que está sendo seguido. Tenta despistar, mas não consegue. De repente sente um solavanco e em seguida a direção do carro fica pesado. Não tem jeito, vai Ter que parar. Pára no acostamento, meio receoso. Olha pelo retrovisor e vê que o carro que o seguia já não está mais lá. Dá um profundo suspiro e desce para pegar os apetrechos e trocar o bendito pneu. Quando de abaixa diante do murcho pneu, olha para o lado e não acredita no que vê! Pede clemência, pede por socorro, mas não adianta. Sabe que vai morrer.

Lívia amava Marcelo, amava sim! Mesmo sabendo que ele muitas vezes pulava a cerca. Mas, afinal de contas, todos os homens faziam isso! O fato de Ter conseguido finalmente marcar a data do tão sonhado casamento a deixava muito feliz e confiante. Um dia, a tardinha, resolve fazer uma surpresa a seu noite, e o espera na porta da garagem do prédio onde ele trabalha. Qual não é a sua surpresa ao ver que Marcelo entra em seu carro com Bianca, uma colega de trabalho. Lívia mantém o olhar frio e decide segui-los. Os dois entram em um motel e somente saem três horas depois. Isso seria perfeitamente normal em se tratando de Marcelo, um rapaz lindo, galanteador. O que Lívia não esperava era que o detetive que contratou para segui-lo viesse lhe contar que Marcelo saiu com ela de novo! E de novo, e de novo! Várias vezes. Descobriu ainda mais, descobriu que tinham um caso há dois anos. Resolveu agora seguir Bia, pois era ela que estava desencaminhando seu tão amado noivo. Seguiu-a pessoalmente durante três semanas. Em uma manhã de Sábado seguiu-a até o ginecologista. Colocou a peruca negra que comprara e entrou no consultório logo atras dela. Assim que Bia saiu da sala do médico Lívia não pode conter o ódio e derramou uma única lágrima de fúria: a vagabunda estava grávida.

Bia saiu do consultório e Lívia a seguia. Entrou em seu prédio enquanto Lívia pensava em como faria para entrar lá e falar com essa vagabunda infeliz! Achou a maneira. Seduziria o porteiro, simples!

Foi até o porteiro e falou com ele bem de perto. O pobre não conseguia tirar os olhos de seu decote. Depois de Ter certeza que ele estava em ponto de bala pediu para subir rapidinho e falar com uma amiga sem que ele avisasse que ela subia, para fazer uma surpresa. O homem concordou. Lívia ajeitou seu vestido e subiu. Tocou a campainha e Bia abriu a porta sorridente. Quando viu que se tratava de Lívia ainda tentou fechar a porta, mas ela não permitiu. Lívia falou que sabia de tudo, sabia inclusive que ela estava grávida. Pediu para que Bia se afastasse dele, e que daria uma boa quantia para que ela assim fizesse. Bia não queria dinheiro, disse que amava Marcelo. Lívia ofereceu então cem mil reais. Bia não teve como recusar, afinal era uma pessoa humilde e um dinheiro desses a ajudaria muito durante a gravidez. Depois pediria mais e mais, e Lívia sempre daria com medo de perder seu noivo. Lívia estendeu-lhe o cheque para Bia e disse que teria um prazo de um mês para deixar a vida de Marcelo, pois o casamento seria dentro de dois meses.

Casamento? Marcelo não contara nada a ela sobre terem marcado a data do casamento! Como pode esconder isso dela? E Lívia falou mais, disse que a data já estava marcada a seis meses! Marcelo a traiu como traiu Lívia anteriormente. Pegou o cheque de Lívia e jurou vingança.

Na noite seguinte seguiu Marcelo e teve a sorte de um pneu dele furar na hora certa. Quando ele desceu do carro ela seguiu ate ele e parou, com a arma apontada para ele. Marcelo a olhou com aqueles olhos verdes inebriantes marejados e perguntou o que fazia com aquela arma. Pergunta idiota! O mataria, óbvio! E assim o fizera.

A policia demorou cerca de dois meses para resolver o caso, e exatamente no dia em que Lívia e Marcelo se casariam Bia foi presa. Cinco meses depois deu a luz um menino o qual entregou para adoção. Sabendo disso, Lívia foi ate o orfanato e o adotou. Ele tinha os mesmo olhos verdes de Marcelo, seu grande amor.

Lady Daphne
Enviado por Lady Daphne em 11/07/2006
Código do texto: T191740
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Sobre a autora
Lady Daphne
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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