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Morte na Noite

No meio da noite Olívia ouve um som estranho que a faz acordar. Estava tendo belíssimos sonhos com a noite anterior e fora abruptamente acordada. Ela senta-se na cama, ainda meio sonolenta mas não ouve mais nada. Deita-se novamente na cama e ao recostar-se em seu travesseiro ela escuta de novo o mesmo barulho, porém um pouco mais alto, o que a fez perceber que esse som sinistro vinha do andar de baixo, mais especificamente da cozinha. Sentou-se na cama, calçou os chinelos e em seguida pegou o hoby branco, de seda, pendurado no cabide logo ao lado. Caminhou com passos lentos até a porta do quarto. Abriu-a com o maior cuidado para não deixar escapar nenhum ruído. Olhou em volta e não viu nem ouviu nada. Saiu finalmente da porta do quarto e seguiu até a escada, parando novamente no topo para verificar antes de descer. De repente ela sente algo atras de si e se vira para ver o que há. O susto é tão grande que a faz gritar de pavor.


*******

Olívia era uma jovem herdeira de um verdadeiro império. Tinha vinte e oito anos, cabelos negros longos ligeiramente ondulados e olhos de um verde inebriante. Havia se separado do marido a cerca de dois anos e agora morava sozinha na mansão. Durante o dia cinco empregados a serviam, mas a noite todos se recolhiam em seus quartos em uma casinha no quintal.

O crime ainda era um mistério. A polícia nada tinha descoberto até agora, e já se passavam seis dias do assassinato. Foram chamados a mansão de Olívia pela cozinheira, que era a primeira a chegar para fazer o café.
Ao chegarem no referido local ficaram horrorizados com a cena: Olívia estava caída quase ao fim da escada, cheia de sangue. Os olhos não estavam mais em suas órbitas, sua camisola estava rasgada, deixando a mostra todo seu corpo nu. Mais tarde exames mais detalhados da perícia concluíram que ela fora estuprada e teve os olhos arrancados enquanto ainda vivia. Depois a jogaram escada a baixo, fazendo com que quebrasse o pescoço, vindo a falecer. Colheram o esperma que tinha dentro dela e que provavelmente era do estuprador, e enviaram para exames mais específicos.

Em um primeiro momento de estudo mais aprofundado do caso chegaram a algumas conclusões: quem havia entrado na casa com certeza tinha controle do alarme, além de possuir também as chaves da casa. Os anéis, os brincos e a pulseira que ela usava estavam todos com ela, nada fora roubado.
Depois de muito investigar e tomar depoimentos dos empregados os policiais viram que eles nada tinham a ver com o crime, fazendo com que as desconfianças caíssem sobre o ex marido da vítima.

Plínio era um homem relativamente bonito. Corpo de atleta, cabelos grisalhos e possuía um olhar inteligente. Apesar de vir de origem humilde era um homem de grande porte e elegância. Do alto de seus trinta e oito anos podia-se dizer que tirou a sorte grande ao se casar com a bela Olívia, pois ganhara um importante cargo em uma de suas companhias e logo em seguida a presidência de todas elas. Porém, com o divórcio, ele voltou ao seu antigo cargo, teve que voltar a morar um pequeno apartamento longe do centro da cidade e andar de carro popular. Segundo os empregados de Olívia, ele queria muito voltar, mas ela não o queria de volta. Com as recusas dela ele jurou que faria qualquer coisa para que ela não pudesse mais viver em paz.
Investigando mais profundamente a policia soube que o motivo do divórcio fora outro homem. Olívia se apaixonara pelo seu instrutor de golfe, um belo rapaz de vinte anos, corpo malhado e sorriso encantador chamado Victor. Mandou Plínio embora e teve um longo caso com o rapaz.

Depois de descobrir todos esses detalhes os policiais puderam interrogar o ex marido.
- Bom dia senhor Plínio. – Disse o investigador chefe.
- Bom dia. – respondeu Plínio meio nervoso.
- O senhor foi casado com a senhora Olívia Ranouver durante dois anos, certo?
- Certo.
- E se separaram porque ela se apaixonara por outro homem. Mais especificamente por um rapaz, Victor Montês.
- Isso mesmo. Mas se não se importa, poderíamos ir direto ao ponto? – Plínio parecia nervoso.

O interrogatório durou cerca de duas horas e Plínio teve sua prisão preventiva decretada no dia seguinte. Os exames realizados com o sêmem encontrado na vítima revelaram que era de Plínio.
Um ano e dois meses depois ele foi julgado e condenado a trinta e quatro anos de prisão em regime fechado.

O desfecho do caso Olívia Ranouver fora noticiado em todos os jornais.
“Plínio Medeiros de Souza foi condenado pela morte da ex esposa Olívia Ranouver.”

Longe dali, na capital do estado, Victor Montês, lê os jornais e ri.
- Esses idiotas não sabem nada mesmo.

Victor conhecera Olívia nas aulas de golfe e começaram a ter um caso. Logo em seguida ela se separou do marido, e ele pensou que era para que pudessem viver juntos. Mas não, Olívia não queria viver com ele, o queria só como amante. Pensou que com o tempo ela pudesse mudar de idéia mas estava enganado. Mantiveram um caso durante um ano e meio, sempre as escondidas, e ela não queria viver com ele de jeito nenhum. Victor sonhava com o dia que sairia do quarto-e-sala em que morava. Era ambicioso, queria uma vida melhor. Mas Olívia acabou com seus sonhos quando terminou o romance de uma hora pra outra. Nesse momento ele decidiu que se vingaria e a faria sofrer. Quem sabe com uma ameaça de contar a toda a sociedade o que ela gostava de fazer na cama. Pelo tempo que dormira com ela e satisfazia todos os seus desejos e fantasias ele sabia bem que ela nao gostaria que as pessoas da alta roda soubessem... Bolou mil e um planos de vingança.

No dia do crime recebeu uma ligação do mordomo de Olívia (que era seu amigo de infância) dizendo que ela estava com o ex marido, trancada no quarto a mais de duas horas.
- Então era isso! – pensara ele. Ela queria mesmo era voltar praquele velho babão interesseiro do ex marido dela. Mas tudo bem, a sua vingança seria plena.

Naquela noite, após Plínio sair de lá, o mordomo ligou novamente para Victor. Por volta das duas da manhã o rapaz foi até a casa dos empregados, onde o mordomo alcançou todas as chaves e controle de alarmes. Victor vestia-se todo de preto e tinha o rosto coberto por um lenço, deixando só seus olhos azuis a mostra. Entrou pela cozinha, pegou uma faca afiada e subiu as escadas em direção ao quarto de Olívia. Ao chegar ao topo da escada ele viu que ela havia acordado. Quando ela parou em frente a escada ele foi até ela. Ao virar-se e dar de cara com seus olhos ela gritou de pavor. Victor então a puxou para si, tapou sua boca com uma das mãos e a estuprou no chão, junto a escada. Ela gritava e se contorcia de dor e medo. Victor, muito esperto, não chegou a ejacular pois não queria deixar provas. Em seguida desferiu um soco violento no rosto de Olívia, a fazendo desmaiar. Arrancou seus olhos porque queria que ela sofresse bastante, mas a desgraçada não deu sequer um gemido. Ficou com tanto ódio da vadia que a tirou escada a baixo, quebrando seu pescoço.

Simples! Foi tudo muito simples. Mas isso ninguém saberia. Estavam mais preocupados em achar um culpado do que em achar o verdadeiro culpado...

Lady Daphne
Enviado por Lady Daphne em 22/08/2006
Reeditado em 22/08/2006
Código do texto: T222440
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Sobre a autora
Lady Daphne
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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