Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Assassinatos na Cachoeira

Julia e Orlando estavam muito apaixonados. Namoravam a cerca de quatro meses e já falavam em casamento. Planejavam várias viagens que fariam sozinhos um dia e nos filhos que viriam a ter.

Numa sexta-feira ensolarada decidiram passar o final de semana na casa de campo dos pais de Orlando. Arrumaram suas malas rapidamente e seguiram de carro.

Em menos de duas horas já estavam na propriedade. Julia ficou admirada pela beleza do lugar.
- Nossa, Orlando, isso aqui é lindo!
- Você ainda não viu nada Ju. Deixa só eu te mostrar a cachoeira.
- Cachoeira? Nossa isso é o paraíso!
Mal sabia ela o que estava por vir...

Julia levou sua mochila para o quarto enquanto Orlando orientava a cozinheira sobre o que deveria fazer para o almoço. Em seguida partiram rumo a cachoeira.

O caminho até lá era bastante difícil. Haviam árvores com espinhos, além de inúmeras pedras. Mas, segundo Orlando, valeria a pena.
Depois de mais ou menos quarenta minutos de caminhada lá estava a cachoeira, linda e imponente.
Julia não pode conter a excitação:
- Que linda Orlando! A natureza é fascinante!
- É verdade, Julia. Tudo por aqui é lindo – enfatizou Orlando.

Na mesma hora Julia começa a se despir para banhar-se nas águas da belíssima cachoeira.
- Vai nadar nua Julia? – Orlando tentava esconder a excitação.
- Claro... Afinal de contas, estamos só nos dois aqui. E seria uma oportunidade única, não acha? – Julia exibia um sorriso maroto.
- Claro minha princesa!
Orlando se despiu também e se aproximou de Julia com o intuito de a beijar, mas antes que ele pudesse encostar sua boca na dela, Julia salta na água.
- Ah é assim sua espertinha? Pois eu vou até aí te pegar!

Brincaram, nadaram e namoram por horas a fio na cachoeira. Orlando decide ver que horas são pois disse a cozinheira que chegariam ao meio dia para o almoço.
Ao sair da água ele se espanta ao notar que suas roupas não estão no lugar em que deixou.
“Deve ser o vento” – pensou ele.
Procurou por todos os lados e nada encontrou.
- Quem poderia ter feito uma coisa dessas? Só estamos nós dois aqui...
- O que você disse Orlando? – Julia ainda estava dentro d’água e nada notou até aquele momento.
- Nada Ju. Saia da água.
- Ah por que? Ainda não é meio dia. Volta aqui e namora mais uma vezinha comigo amor...
- Estou falando sério Julia. Sai da água, temos que ir pra casa.
- Nossa, mas porque tanta pressa?
- Nossas roupas sumiram, celular, chaves, tudo sumiu!

Julia sai mais que rapidamente da água e ao caminhar em direção a Orlando ela vê alguém escondido atras de algumas árvores. O pavor toma conta de seu corpo e ela corre em direção ao namorado.
- Vamos embora daqui, tem alguém ali atras se escondendo! Devem ser assaltantes ou assassinos, não sei! Por favor Orlando, vamos embora! – Julia beirava o desespero.
- Sim, vamos embora. Só resta saber como conseguiremos chegar até em casa sem sapatos ou roupas. O caminho é cheio de espinhos e pedras.
- Danem-se nossos pés, Orlando, vamos embora agora!

Orlando agarra a mão da namorada e os dois correm na direção da trilha que leva até a casa principal. Mas antes que pudessem tomar o caminho de volta um homem aparece na frente dos dois. Ele tem um revólver em uma das mãos.
- Olha moço, pode levar tudo, mas deixe-nos ir embora! – A voz de Julia mal saía tamanho era seu pavor.
- Já peguei tudo que eu queria, dona. – A voz do homem era grossa e um pouco rouca. Era um homem corpulento, aparentando medir mais de 1,90 m, moreno, de olhar frio.
- Então acho que pode nos deixar ir, certo? – Orlando tremia de tão nervoso que estava.
- Errado! Eu e meus amigos queremos nos divertir um pouco com a mocinha aí – O homem falou isso apontando para Julia com o queixo.
- Como assim? Ela é minha namorada e eu não vou deixar que se aproximem dela! – Orlando tremia ainda mais.
Nesse momento surgem mais dois homens de trás das árvores. Um é magro, alto e barbudo. O outro é alto, corpo em forma e olhos azuis penetrantes.
- Agora deixe que eu tomo as rédeas da situação, Hélio – Falou o rapaz dos olhos azuis.  – Escuta aqui ô mauricinho, nós vamos nos divertir com sua garota sim, e depois vamos até sua casa pegar o que quisermos. Ah, e vamos levar seu carro também, estamos entendidos?
- Orlando, por favor não deixa! – Julia chorava e se agarrava ao namorado com todas as forças que tinha.
- Pode levar tudo, mas a deixe em paz! – Orlando tinha os olhos cheios de lágrimas.
- Resposta errada, caro amigo. – O rapaz dos olhos azuis diz isso enterrando uma faca na barriga de Orlando.
- Nããããoooooo! – Julia grita desesperada.

Orlando agoniza, ainda de pé, com Julia o amparando. Ele sangra muito e suas vísceras estão expostas. De repente ele cai, de joelhos no chão, olhando para seu assassino. Rob (o rapaz dos olhos azuis) pega a mesma faca e enfia até o cabo no pescoço de Orlando, como que num golpe de misericórdia.
Julia chora ajoelhada no chão ao lado do corpo já sem vida de seu namorado.

- Ok, gatinha, chega de drama, vamos a diversão. – Rob e os outros começam a se despir, deixando de lado suas calças.
- Não, por favor, eu não conto nada pra ninguém, mas me deixe ir pra casa, por favor moço!
- Nem pensar, gostosa. Temos muito que fazer juntos aqui mesmo.

Rob pega Julia pelo braço, e do lado do cadáver de seu namorado ele a estupra de forma violenta e brutal. Em seguida é a vez do rapaz magrelo. Logo depois o moreno forte, chamado Hélio.
Ao terminarem Julia ficou estirada no chão, sentindo um cheiro insuportável de sangue. Sangue do seu amor morto que estava a seu lado e seu sangue que escorria por entre as pernas e nádegas.

Os três criminosos sentaram-se ao lado da cachoeira e fumavam cigarros.
Julia olha para o corpo de Orlando, deitado a seu lado. Tenta se aproximar mas a dor é tão intensa que ela mal pode se mexer. De repente ela tem uma idéia: pegar as armas que provavelmente estão dentro das calças deixadas do lado por eles no momento em que iniciaram aquele ato asqueroso.
Com muita dificuldade ela se arrasta ate as calças e pega dois revólveres. Em seguida ela levanta-se e mal consegue ficar de pé. Mira o revólver na direção dos rapazes, que estão de costas e dispara o primeiro tiro. Com sorte de principiante ela acerta o homem magro pelas costas.
Os outros dois se viram enfurecidos e partem na direção dela. Julia dispara mais uma vez e acerta o moreno Hélio na perna. Ele cai no chão de dor. Rob, o dos olhos azuis, corre até ela antes que ela conseguisse atirar mais uma vez e lhe dá um soco no rosto que a faz cair sentada no chão.
- Sua miserável! O que pensa que tá fazendo? Hein? Responda!

Julia nada responde, apenas chora.
Rob pega as duas armas e vai ao encontro de seus amigos para ajudá-los. Julia se arrasta até o cadáver de seu namorado e chora olhando para ele. Ainda chorando ela tem uma idéia. Se aproxima mais de Orlando e lhe dá um beijo na testa. E reunindo todas as forças que ainda restam em seu pobre corpo violentado, ela puxa a faca cravada no pescoço de Orlando. Levanta-se trêmula e vai na direção de Rob que está de costas,  agachado ao lado de Hélio. Chega ainda mais perto e esforçando-se muito enfia a faca toda nas costas de Rob.

Ao cair da noite o caseiro de Orlando juntamente com a polícia encontram o corpo de Orlando já meio putrefado. A seu lado está Julia, que conversa com ele como se estivesse vivo. Logo percebe-se que a moça está perturbada devido aos acontecimentos. Mais a frente estão o corpo do magrelo, Rob e Hélio, todos com seus pênis decepados. No mesmo momento eles escutam Julia dizer ao corpo de Orlando:

- Esses nunca mais acabarão com a vida ninguém, não é meu amor? Agora vamos para casa, amor, porque temos que chegar antes do almoço...
Lady Daphne
Enviado por Lady Daphne em 31/08/2006
Reeditado em 31/08/2006
Código do texto: T229432
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Lady Daphne
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
12 textos (1581 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 05:04)