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Corra

Bem, o frio me inspira a escrever, não sei o porquê, mas pude ver que quando eu estou me congelando meu cérebro começa a funcionar...

Mas às vezes isso não acontece, e eu travo...

Levanto do degrau em que eu estou sentado, e começo a caminhar. Não tenho pressa de ir para casa. A rua é a minha casa então eu só estou indo de um quarto para o outro...

Levanto displicentemente a gola do meu casaco, puxo o cachecol para a minha boca, coloco o capuz na cabeça; pronto agora eu posso ficar fora um bom tempo...

É estranho, mas quando todos reclamam do frio, eu estou aqui caminhando e eles na frente d fogões à lenha e aquecedores...

Abro as narinas, e inspiro profundamente. Uma agradável sensação toma conta de mim. É o que eu chamo de "O cheiro do frio". A umidade do ar fica semi-congelada em flocos, não chega a nevar sempre, mas às vezes ela é forte o suficiente pra você sentir os cristais de gelo dentro do seu nariz... é uma sensação inigualável...

A caminhada parece normal por algum tempo. Mas nem tudo que é bom dura pra sempre. É meia noite. E eu tenho um probleminha nas noites de lua cheia. Sou um necromancer. Isso quer dizer q eu posso sentir os mortos as vezes, não apenas a presença, posso vê-los e ouvi-los.

Não vejo motivos pra voltar para casa. Existem pinheiros perto de onde eu estou, então sento debaixo de um deles. Quando eu sento, uma lufada de vento vem na minha cara. Meus cabelos desengrenhados se agitam para todos os lados. Minha barba se arrepia, e os pelos dos meus braços e das minhas pernas ficam eriçados...

Eu teria saído correndo apavorado de lá, se eu não estivesse acostumado com essa sensação...

Os mortos rondam.

Fecho os olhos, inspiro profundamente, um brilho difuso aparece em minha frente... o chão treme... os pássaros silenciam... abro os olhos... a energia elétrica acaba com um estouro forte, um pouco longe de onde eu estou... agora não há escapatória vamos conversar...

Posso detestar a luz do dia... mas a luz da lua cheia só é convidativa quando temos outra luz por perto... espíritos gostam do escuro e fogem da luz...

Olho para a esquerda e não vejo nada. Olho para a direita e não vejo nada. Arrumo o capuz direito na minha cabeça... Mas quando eu começo a minha caminhada tenho que parar....

O vento ronda tudo na rua... um morcego foge... olho para a minha frente... uma massa de ar começa a levantar as folhas e aos poucos ela atinge a minha altura... uma voz sussurra lá de dentro....

minha vida foi tirada...
não posso nem ir,
nem voltar...
preciso apenas saber...
que foi...
eu lhe imploro...
nunca descansarei em paz sem saber quem foi...
Meu nome...

Ach! Meus olhos doem... a luz voltou com muita intensidade para quem estava acostumado com o escuro...

olho para a minha frente, uma montanha enorme de folhas paradas a minha frente... é, foi real... olho para as minhas mãos e tem algo escrito nelas... o cheiro me é conhecido... sangue sempre é sangue... o brilho das lâmpadas me faz ler o motivo de eu não sair mais em lua cheia... as letras claramente dizem

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Beff
Enviado por Beff em 05/09/2006
Código do texto: T232935
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Sobre o autor
Beff
Santa Maria - Rio Grande do Sul - Brasil, 26 anos
7 textos (461 leituras)
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