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Caminhada Da Noite

Em uma noite sombria o jovem Marcos caminhava da escola para a sua casa. Com uma bolsa às costas, e com os pensamentos voltados para a próxima aula de Português – que trataria especificamente da produção de texto – tardou em perceber que estava sendo seguido por alguém.

Ouviu passos de aproximação. Seu coração acelerou; começou a andar rapidamente, desesperado; virou-se e viu que atrás de si, não muito distante, um vulto o seguia; acelerou ainda mais os passos – estava no meio do quarteirão. Repentinamente os passos sumiram. Marcos olhou novamente para trás e nada mais viu. Afrouxou um pouco os passos e, ao virar-se na esquina que levava a sua casa, bate de frente com uma senhora. Marcos suspira aliviado e logo percebe que ela não o faria mal algum – mas Marcos estava enganado.

Fixou o seu olhar no olhar da senhora, que já aparentava uma idade um pouco avançada – a tal chamada terceira idade, e começou a estranhar a pequena reação na ‘velhinha’: seu rosto estava mudando de forma.

Marcos não estava acreditando na situação. A velhinha naquele instante abriu sua bolsa, tirou uma escopeta e a mirou em sua cabeça. Marcos não esboçou sinal algum de reação, ficou paralisado por mais de trinta segundos. Decorrido este tempo, a velhinha não falou se quer uma palavra.

Como a velhinha não se mexia, Marcos cansou de esperar e bem devagarzinho foi abaixando sua bolsa, sem ruídos e colocou-a no chão. Nela Marcos trazia escondido entre os livros e cadernos uma pistola cromada. De posse da arma, e em punho, bem devagar pediu à velhinha que abaixasse a sua arma bem de vagar para que não houvesse morte.

A velhinha balançou a cabeça mostrando num sentido negativo que não ia abaixar a arma; Marcos cansou de esperar e levou o dedo no gatilho...

Repentinamente surge uma luz muito forte entre os dois. Com os olhos fechados pela forte luz, ambos caem ao chão. Segundos são passados e, ao olhar a velhinha ao lado, percebeu que não era mais uma simples velhinha, agora era uma linda mulher que estava nua ao seu lado, estavam frente a frente.

Após um olhar meigo e carinhoso, começa a acariciar Marcos fazendo com que ele sentisse atração por ela.

Marcos já não estava entendendo nada! Vendo uma linda mulher na sua frente e sentindo os seus carinhos, percebeu então que ela estava afim dele, que queria fazer sexo com ele – ali mesmo naquele chão gelado, em plena noite clara. Marcos por ter o extinto de homem começou a ceder aos caprichos daquela linda mulher. Muitos beijos rolaram e quando percebeu, ela já tinha tirado toda a roupa dele.

Não tardou muito e já estavam fazendo sexo, mas ele não percebeu que ela estava com uma peixeira na mão para matá-lo; ele estava encantado com a situação e transava com toda vontade para satisfazer a si e aquela linda mulher. Entre os movimentos que se seguiram, Marcos estranhou o brilho que, às vezes, aparecia nas costas daquela linda mulher – foi onde notou a peixeira.

Marcos mais lúcido na situação, e prevendo o pior, pensou em uma só coisa: retomar a arma que deixara cair no chão e acabar com a história para ver ser era realmente real. Pegou a pistola e mirou-a na cabeça dela. Ela logo reagiu com agressões físicas. E os dois nus, em plena rua deserta, se debateram para sobreviver.

Naquela noite calada se ouviu um tiro.

Aquela noite tornou-se inesquecível para Marcos ao ver o corpo estirado ao chão. Começou a se desesperar e pensar no que fazer; vestiu rapidamente suas roupas e foi correndo para casa... Mas não conseguia dormir.

O tempo passou: quarenta anos! Marcos continua com aquelas visões que ocorreriam em sua adolescência; já não dorme mais o suficiente por dia, pois na maioria das vezes fica a ouvir passos em seu quarto – além das visões com a velhinha, com a mulher nua...

Kelber Corte
Enviado por Kelber Corte em 10/09/2006
Reeditado em 12/09/2006
Código do texto: T237223

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Sobre o autor
Kelber Corte
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 28 anos
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