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Carona maldita

                                                                 
Sempre acreditei no ser humano na bondade, no amor e na capacidade que temos de sermos cada dia melhores mais amáveis uns com os outros, mais puros de coração para seguirmos uma vida tranqüila de paz. Acreditava que todos eram como eu que buscavam se aperfeiçoar material e espiritualmente e foi justamente aí que eu errei.
Ele era encantador o homem perfeito que mexe com qualquer garota da minha idade, alto, olhos claros, sorriso largo e uma conversa envolvente, era a pessoa mais inteligente e amável que eu já havia conhecido e o seu jeito descolado e confiante me deixaram encanta por aquele que seria meu assassino.
Com 18 anos comecei a trabalhar como atendente na mercearia do senhor Agustine na pequena cidade onde nasci no interior de Minas Gerais, meu lugarejo sempre foi muito pacato e minha viagem mais longa era até a escola onde cursei o primário e o 2º grau apesar de nunca ter tido oportunidade de conhecer outros lugares sempre desejei morar no Rio de Janeiro, o senhor Agustine era carioca e me mostrava às fotos da encantadora Copacabana, das noites boemias da Lapa e da bela orla de Ipanema e as imagens me transportavam para o Rio da tal modo que imaginava a banhar-me no mar. Quando Carlos Roberto chegou aqui e me deparei com aquele homem culto educado, inteligentíssimo dizendo se recém chagado do Rio de janeiro meu coração logo bateu mais forte seu jeito cheio de charme e malemolente era muito diferentes dos homens daqui.
Carlos Roberto havia se hospedado em um pequeno hotel fazenda e sempre passava na mercearia para comprar alguma coisa e jogar conversa fora, muito educado respondia todas as minhas indagações fazendo com que me sentisse especial, ele se dizia escritor e falou que passaria uns dias na cidade para trabalhar no próximo livro que estava escrevendo um suspense. Passei então a visitar sempre minha amiga Mariângela que trabalhava no hotel fazenda arrumando assim um desculpa para ver aquele homem pelo qual estava me apaixonando e ele cada dia mais simpático me encantava com suas conversas e me olhava e falava como se tivesse gostando de mim, ledo engano.
Seu Agustine bem que tentou me orientar a não me aproximar de Carlos Roberto como se já o conhecesse há tempos disse que no Rio de Janeiro as pessoas eram bem diferentes das que moravam aqui, mas não o levei a serio pensei que aquele homem tão elegante jamais teria coragem de me fazer mal algum, ele era um artista um escritor estava apenas passando uma temporada num local tranqüilo para escrever o seu suspense e eu tinha sorte ter lo conhecido pensava eu, uma hora todo homem tem que se casar ter filhos e sossegar sua cabeça em um colo de mulher e quem sabe não seria eu a pessoa que ele escolheria, quem sabe não seria essa a minha oportunidade de casar com um príncipe carioca e de quebra ainda vir morar no Rio de Janeiro com ele. Mas seu Agustine estava certo e as pessoas não são o que parecem ser.
Era um domingo de agosto ensolarado e bonito como há muito tempo não se via me levantei bem cedinho peguei meu cavalo e fui me banhar no rio, eu estava feliz as horas passaram e não percebi que a tarde escondia os raios de sol em meio a mata, levantei me e vestir minhas roupas e fui até o Faísca que não estava amarrado onde eu o havia deixado pastando o que era estranho, pois mesmo quando o deixava solto ele não costumava ir longe e eu  agora teria que enfrentar uma longa caminhada  até minha casa.
Já tinha caminhado um longo pedaço perdida em meus pensamentos que nem senti que um carro se aproximava fui pega de surpresa pela buzina já em cima de mim era ele, lindo me chamando pra entrar no carro que me levaria em casa, naquele instante duas coisas me vieram a cabeça as palavras de seu Agustine me alertando para não confiar em alguém que eu não conhecia e a sorte que eu tinha tido com a fuga do Faísca. Entrei no carro e ele desviou no meio do caminho para uma trilha que dava em um despenhadeiro o alertei que o caminho não era aquele e me mandou calar a boca o que me deixou nervosa pedi que parasse eu queria descer e ele ria alto e perguntava se eu estava com medo, naquele momento senti que algo de ruim iria acontecer. Ele dirigia rápido eu estava nervosa, assustada e não reconhecia aquele homem que estava ao meu lado naquele momento não era a mesma pessoa sempre simpática por quem meu coração estava batendo mais forte me segurei na poltrona e ele começou a narrar sua historinha para mim, sabe querida disse ele meu suspense é sobre uma menina caipira coitadinha que se apaixona por um homem da cidade grande, ele a seduz com palavras bonitas decoradas, sorri e dá trelas para as conversas sem graça da doce jovem até que um dia ela vai tomar banho no rio e ele a observa de longe solta seu cavalo e o enxota oferecendo carona para a pobre moça e mata nos despenhadeiros da pequena cidade onde morava.
Chegamos aos despenhadeiros e ele me fez descer do carro, retirou da bolsa um punhal e continuou narrando sua historia macabra, ele fazia parte de uma seita e ela seria o sacrifício que ele faria a seu Deus ela a desfere um soco na face e ela desmaia sem forças, jogada no chão tenta levantar mais é nocauteada mais uma vez, ela sangra e ele frio a puxa para o centro de um circulo desferindo varias estocadas com o punhal que guarda ainda embebido em seu sangue seguindo viagem.
Raquel Freitas
Enviado por Raquel Freitas em 30/06/2012
Código do texto: T3753880
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Sobre a autora
Raquel Freitas
Belford Roxo - Rio de Janeiro - Brasil, 32 anos
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