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Alameda dos Sonhos

Não podia passar nem mais um dia sem aquela decisão. Tinha bastante dinheiro guardado consigo, todos os documentos disponíveis e a sua vontade parecia de criança. Era homem feito, não precisava mais hesitar, ponderar conselhos, era ele quem resolvia. Faltou no emprego, sua primeira atitude corajosa. Não tomou um belo café, saiu guiando com tanque quase vazio e não levou dinheiro consigo. Quebrou os cartões de crédito, picotou as folhas de cheque e lançou pelo vidro do carro, nem tinha virado a esquina de sua casa.
  Começou pelos apartamentos pequenos, de um quarto. Sobraria muito dinheiro ainda. Passou pelas coberturas com piscina. Muito longe do chão. Chegou às chácaras. Insetos demais. Imaginou que não seria fácil, mas não desistiria àquela altura. Algo dizia que ele perceberia quando encontrasse o lugar ideal, para lá viver até o fim dos seus dias. Sozinho, supunha.
Anoiteceria dali umas duas horas, quando se perdeu propositalmente do caminho de sua casa. Não era bem sua, mas assim dizia, como todos o fazem. Agora, queria encontrar a sua de fato, e resolveu se atrapalhar para isso. Não respeitou o semáforo, virou na contra-mão, ultrapassou perigosamente, atropelou um casal com idade para serem seus pais. Manteve o pisca-alerta ligado o tempo todo. O som do rádio, ele fazia com que todos ouvissem e vissem que era bom. Sim, bem alto! Por que não?
Fez de conta que estava sendo seguido, pisou fundo e bancou a ambulância, costurando pelas ruas, num trânsito que não existia, dum lugar que já não sabia onde era. Nem onde estava. Perdeu a noção do tempo. Com pára-brisas ligados, entrou à direita numa rua arborizada dos dois lados. Escura por completo, parecia que já era noite. Arrepiou-se prazerosamente de frio na barriga. Pensou em como deveria ser bela aquela alameda durante o dia, com pássaros, ar perfumado de café, almoço, tempero do arroz, o frango assado de domingo... Passava bem devagar pela frente das casas simpáticas e ia pensando coisas. O que será que acontecia dentro delas enquanto ele, sem rumo, ia pensando essas e outras coisas? Aliás, muitas outras coisas chegaram a passar por sua cabeça...
Ia arrepiar-se de novo quando o carro parou bruscamente. Tinha morrido. O som se fora também. Sua coragem desapareceu. Travou as portas e esperou até que o sono chegasse. Chegou logo, e estava sendo visto quando isso aconteceu.
Para ele, não demorou que acordasse, embora tivesse se passado umas sete horas, pela claridade do outro dia. Estava muito claro o céu, mas de mormaço. O verde-escuro das grandes árvores contrastava com um tom mixuruca de cinza, e não com aquele anil que chegou a imaginar e desejar. Nada do cheiro de café, somente o ar viciado e asfixiante do carro fechado, por isso inclusive despertou, para respirar. Abriu os dois vidros manualmente, com pressa. Respirou fundo até saciar-se. Estava muito, agradavelmente relaxado, apesar de ter dormido naquele banco nada anatômico. Resolveu espreguiçar fora do carro, assim tiraria aquele formato de “L” de seu corpo tão habituado e condicionado ao desconforto. Destravou as portas e, tão logo puxou a maçaneta, notara que nenhum passarinho cantava. Já em pé, alongando os braços, olhou para o alto e pôde ver, por entre a copa de uma árvore, que o tom acinzentado dava lugar ao azul, gradativamente. Resolveu procurar um orelhão, e aproveitaria para dar um passeio. Fechou à chave seu carro semi-novo, modelo simples, e já pôde ouvir o canto, até então mudo, dos pássaros. Nem se deu conta de que eram muitos, muitos bem-te-vis...
Que agradável era aquele pedaço de céu, e a cada passo, era como se pisasse um tapete de café torrado, pois essa fragrância só aumentava, mais e mais, parecia que indicava um caminho. Seguiu esse rastro, desviando-se do orelhão mais próximo, que ficava exatamente no sentido oposto.
Quando passou pela terceira, quarta casa, ouviu que uma voz de criança, não conseguiu definir o sexo, o cumprimentara com “oi”. Com um reflexo ligeiramente assustado, virou o pescoço para trás, e disse “oi” também, com um sorriso gostoso, sem que seus olhos conseguissem encontrar para quem é que estavam sorrindo. Seguia ainda mais cativado por aquela rua, a alameda de seus sonhos. Tocava a parede das casas, seus portões, texturas diversas, vibrações diferentes podia captar de cada uma. Queriam se comunicar com ele. Outro susto: um pastor alemão avançou em sua mão esquerda, mas ele conseguiu livrar-se do bote, conservando aquele sorriso que dava gosto de ver. Pensou que poderia ter um daqueles para sua companhia. Fora surpreendido novamente, reagindo com um grito curto, e se voltou para a direção de onde sua atenção era chamada.
Era uma senhora de traços marcantes, cheia de energia. Queria saber se ele estava à procura de algo. Ele respondeu prontamente que buscava uma casa para alugar, quando se perdeu e acabou ficando sem combustível, saíra sem dinheiro, exatamente ali, onde seu carro estava parado. A gentil senhora o convidou para entrar, para que tomasse o café da manhã com ela, que estava sendo passado naquele momento. Ele aceitou e fez menção ao cheiro que sentiu de longe. Comentou, para ser agradável, que era como se tivesse sido guiado até ali. A senhora, o colocando para dentro e olhando para os lados, respondeu que a fome que ele sentia deveria muito grande, estava até vendo coisas...
Uma casinha tão aconchegante, tão feminina, cheia de plantas, repleta de pequenos e delicados objetos, assoalho de madeira, bem antigo, mas que reluzia, brilhante e com cheiro de recém encerado. Já na cozinha, sentado, quis levantar-se para ajudá-la a terminar de pôr a mesa, mas a senhora só faltou dar-lhe uma bronca para que não se incomodasse, para ela tudo aquilo era um imenso prazer. Adorava ser visitada.
Mal pôde acreditar quando ela afirmou orgulhosa que todos aqueles quitutes matinais ela mesma quem fazia, valendo-se de um arsenal de utensílios domésticos que abarrotava a pequena cozinha, e de uma farta despensa, que chegava a tomar o corredor. Geléias incríveis, tortas salgadas, queijos dos mais diversos tamanhos, café aromatizado por chocolate, amêndoas, refrescos gelados dos mais variados sabores. Tomou a liberdade de perguntar, quando já se sentavam na sala de estar, para quê tanta comida para uma mulher que, ao que tudo indicava, vivia sozinha. E ela, com carisma e hospitalidade ímpares, respondeu que as visitas sempre chegavam famintas, e nunca, nunca sobrava nada para contar a história.
Pediu para que ele esperasse um instante só, e voltou com um molho de chaves.
– Não disse nada antes para que você não estranhasse, mas aquela casa exatamente em frente onde você parou seu carro...
– Veja bem, minha senhora, ele parou sozinho.
– Pois bem. Aquela casa está vazia há anos e me pertence. Quer conhecê-la?
Claro que não estranharia se ela tivesse dito antes, pouco importaria. Estava excitadíssimo e sentiu que estava muito próximo do que queria encontrar. Era visível...
Quando saíram para visitar a casa vazia notou que a rua, antes praticamente deserta, agora estava super movimentada, principalmente por crianças, aos montes, e velhinhos que se movimentavam menos, mas eram em grande quantidade, sobretudo apoiados em seus portões e parapeitos das janelas. Já as crianças, infestavam as duas calçadas e dominavam a rua, parecendo que os carros por ali não passavam àquela hora do dia. O estranho, deduziu, é que nem bem vinte minutos tinham se passado durante aquele desjejum na casa da velhinha. Parecia até que todos haviam combinado sair no mesmo instante de suas casas para vê-lo.
Lembrou-se do telefonema que precisava dar e pediu para que a senhora, que estava fechando a porta, permitisse que ele usasse o dela. Ela não fez objeção, apenas, curiosamente, advertiu em tom severo.
– Só não me comece a querer complicar as coisas! – ele sorriu, entendendo como se ela estivesse pedindo para que ele não desistisse da casa, encalhada e só dando despesas. De fato era isso, mas podia ser visto também de outra maneira, que ele até então insistia em ignorar.
Estava tão convicto de que já havia encontrado o lugar ideal, que afirmou que ficaria com aquela casa, antes mesmo de vê-la por dentro. E que pediria ao telefone que lhe enviassem pelo correio os documentos e dinheiro que estavam em sua carteira, dentro de seu antigo armário, em seu antigo quarto, de sua antiga pseudo-casa. Ninguém atendeu e isso o irritou. Foi a deixa para a senhora:
– Vamos, isso não é o importante. Depois você vê o que quiser!
Para tranqüilizá-lo, a senhora se prontificou a receber em sua casa a importante correspondência e que ele seria seu hóspede até tomar posse de seu novo e definitivo lar.
Resolvido esse entrave prático, voltaram à rua e outra surpresa. A alameda estava novamente vazia, como se fosse de madrugada. A senhora nem se preocupou em explicar-lhe nada. Era nítido em seus olhos que aquelas peculiaridades estavam muito bem fazendo a seus sentidos...
Teve pela primeira vez a concreta sensação de que o estavam observando na companhia daquela senhora, seguindo rumo à casa vazia. Sentia que de alguma forma torciam por ele. E ele, por sua vez, sentia-se simplesmente grato por isso.
Mal prestou atenção à indicação dos cômodos que a senhora dava, os reparos, goteiras, ajustes necessários, nem quis ficar a par das imperfeições do imóvel e, afobado, deu um jeito de chegar ao quintal, sem que ela tivesse dito a ele que a chave da porta da cozinha estava no vitrô...
Ah, que visão era aquela! Ia poder, até que enfim, realizar aquele seu pequeno sonho de menino da cidade: plantar feijãozinhos e vê-los germinar, não nos pequenos potes de danone, não em algodão molhado, mas em terra de verdade. Ia comprar aqueles pacotinhos com sementes de alface, cenoura, tomate, couve-flor, já imaginou?, mostrar sua plantação particular de couve-flor, uma das tantas que cultivaria, dentro de sua horta, do seu quintal, no fundo de sua própria casa? Era muita emoção, muitas idéias surgindo em sua cabeça para ouvir e conseguir prestar atenção ao que tanto aquela velha tinha para dizer. Que juntasse tudo num bilhetinho e deixasse para ele ler depois. Tinha que ficar sozinho.
Na verdade, ela não queria amolá-lo, de forma alguma, só pensou em antecipar uma bobagem, um detalhe que, de qualquer maneira, acabaria por descobrir sozinho, não demoraria muito. Ela respeitou a vontade do rapaz e o deixou só, afinal também, deveria preparar o almoço porque, apesar das novidades e das mudanças que ocorreriam daquele dia em diante, a fome de todos continuaria a mesma: voraz e previsível.
A casa estava satisfatoriamente mobiliada, não tinha do que se queixar. Francamente, não mexeria nem sequer na disposição dos móveis. Apesar de simples, tudo o agradava imensamente.
Ele não tinha passado mais do que uma hora e meia ali dentro, quando sentiu saudades de sua coleção de ímãs e resolveu ir buscá-la em sua antiga casa. Olhou pela janela da sala e, estranhamente, já era noite. Saiu, trancou a porta e destrancou em seguida, ali não corria perigo. Chegou à calçada fechando, encostando o portão, e teve o primeiro desespero: seu carro não estava mais ali.
Sentiu que através das cortinas, apesar da péssima iluminação da rua, todos viam que ele estava ali, parado. Certamente viram também quem tinha levado o automóvel dali. Na vaga onde o carro se encontrava, agora havia um desenho, um contorno do carro riscado no chão, feito com um pedaço de tijolo, provavelmente. Ouviu que duas crianças corriam. Resolveu segui-las, correndo também, e parou diante da casa em que entraram pulando o muro, onde havia uma grande garagem, vazia. Bateu palmas e logo foi atendido.
Um senhor negro apareceu à porta, da mesma idade da senhora, aparentemente, e pediu que subisse a escada e entrasse. Ele respondeu que não queria entrar, precisava ir buscar algo fora e que, para tanto, precisava de seu carro ali para providenciar combustível e dirigir até sua antiga casa. O dono da casa disse que o que ele queria fazer era muito complicado e que ele desistisse. Ou entrasse para se explicar melhor lá dentro, pois ele não poderia ir até a calçada para ter com ele. Que por gentileza entendesse e entrasse ou desse meia-volta, e desistisse. Afinal, todos estavam olhando...
Ele optou por desistir. Juntou pedras que foi encontrando e começou a apedrejar aquelas casas, com fúria, acusando-nas de “escudos de hipocrisia e condescendência”.
Passou corrente em seu portão e trancou à chave a porta de seu lar. Lembrou-se da porta do quintal, que largou aberta, e quando foi trancá-la para proteger-se daqueles ladrões, teve uma visão que quase fez com que seu coração voltasse a bater, como antigamente.
Uma moça linda estava decorando uma farta mesa com sanduíches e coquetéis. Ela o cumprimentou sorrindo e advertiu que parasse de olhá-la, que fosse atender à porta. Eram as visitas. Ele ouviu que chamavam por ele lá fora, mas era inegável que aquela jovem ruiva tinha os mesmos traços marcantes daquela senhora que o recebera. Ficou intrigado.
Lá fora, dezenas de crianças e dúzias de velhinhos estavam carregando pilhas enormes de jornal, com dificuldade para ambos os grupos, por isso estavam tão impacientes. Ainda assim, esperaram até que ele fosse recebê-los e convidá-los a entrar.
Estavam excitadíssimos, a molecada assoviava e gritava, os velhinhos não paravam de tagarelar, e se ajudavam mutuamente para que todo aquele jornal que traziam fosse para dentro com eles.
Deteve-se na expressão de cada um que passava por ele e acabou se contagiando. Só foi encostar o portão depois de a última garotinha ter passado para dentro e pedido para que ele a ajudasse com todo aquele peso. Curioso, reparou que os exemplares datavam do dia em que ele chegara, ou seja: ontem, deduziu; e aquela garotinha... Era a miniatura perfeita da, ou das, proprietárias da casa! O entusiasmo em admitir que se tratava da mesma pessoa foi tanto que fez com que nem percebesse que seu carro estava de volta e intacto, para quem quisesse ver.
Quando fechou a porta da sala, a menina perguntou se não esperava por mais ninguém. Aquilo quase o congelou. Ficou paralisado com a chave da porta em punho, sem saber se trancava ou não, enquanto a menina apertava o passo no corredor, olhando vez ou outra para trás, certificando-se de que ele estava longe dela, até chegar ao quintal, fechar a porta da cozinha em seguida, e juntar-se aos outros que estavam lá fora.
O rapaz tentou se animar novamente, mas o medo do que estava descobrindo o dominava. Foi apagando as luzes da casa, uma a uma, e lentamente foi chegando na cozinha, perto da porta que dava para o quintal, percebendo que todas as vozes lá fora deveriam ter muito assunto, além de, incrivelmente, não mais do que trinta anos. Pelo que se lembrava, não viu nenhum adulto entrar, a não ser a jovem ruiva que já estava lá quer dizer... não estava mais. E todos aqueles velhinhos e crianças que tinham entrado? Onde estavam? Ficou se perguntando enquanto espiava pelo vitrô da cozinha.
Sentiu um forte cheiro de papel queimado e notou que todos estavam se divertindo à beça fazendo balões, como os que ele fazia com os primos, chamados “galinha morta”. Abriam uma folha de jornal e juntavam suas quatro pontas ao centro, como se fosse um embrulho. Espetavam com um palito de fósforo a junção dessas pontas, para que não se separassem. Viravam o balão, deixando a parte espetada com o palito virada para baixo. Finalmente, acendiam as quatro extremidades do brinquedo e se afastavam. Em questão de segundos, na medida em que se queimava por completo, o simples balãozinho subia até que razoavelmente alto, emitindo uma fraca luz avermelhada, oriunda do papel em brasa, e se desfazia no ar, parecendo uma galinha queimada. Igualzinho aos seus balões! Chegou a parecer que esta seria um tipo de isca, para atraí-lo para fora e juntar-se aos demais.
Era um espetáculo comovente para ele, ver aquele monte de homens e mulheres desconhecidos brincando como crianças do passatempo que mais o divertia nas noites que passava na casa dos tios, com seus queridos primos, quando tinha dez anos de idade.
Com os olhos marejados, abriu a porta da cozinha que dava para o quintal, e aquela multidão amistosa silenciou-se. Enquanto mal podia controlar suas lágrimas, nem se surpreendeu quando, não aquela linda jovem ruiva, mas sim a enérgica e hospitaleira senhora, que não vira entrar, veio em sua direção trazendo um prato e um copo consigo. Ele queria demonstrar gratidão, precisava explicá-la que compreendia tudo agora. Ela, delicadamente, fez um gesto para ele que apenas comesse.
– Vamos celebrar até o amanhecer a sua chegada. Por que você não entra e vai preparar-se para ficar conosco logo?
Ele obedeceu, e foi direto para seu novo quarto, aquele que seria o seu quarto para sempre. Sobre a cama, estavam estendidas duas mudas de roupa. Uma delas muito pequena para ele, toda colorida e infantil, mas parecia-lhe familiar, no entanto. A outra, era exatamente o contrário: larga demais para seu corpo esbelto e muito esquisita para seu gosto, conseguia imaginar o seu avô dentro dela, para se ter uma idéia.
Achou que teria de escolher entre uma delas e não teve dúvidas, optou e vestiu-se com ela. A roupa que não escolhera, não estava mais na cama. De repente, cessou aquele vozerio de adultos e recomeçou toda aquela algazarra infantil, a tagarelice da velharada. E o que pareceu que seria difícil iria, enfim, trazer-lhe o conforto que há tanto buscava.
Foi quando olhou-se no espelho com a roupa que escolheu e não podia acreditar no que estava vendo: era como se o seu reflexo não tivesse trocado de roupa. Porém, quando olhou do seu lado, tinha transformado-se em dois. De diferentes idades e tamanhos e, incrivelmente, com a mesma e única imagem aprisionada naquele espelho. Comovidos, deixaram o quarto abraçados e chegaram ao quintal juntos. Apresentaram-se a todos e juntaram-se aos demais imediatamente.

Marcos Ba˘
Enviado por Marcos Ba˘ em 17/08/2005
Cˇdigo do texto: T43243
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Marcos Ba˘
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
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Marcos Ba˘