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4ª Zona Morta - São Paulo - Zona Leste - A Espada do Senhor

Deixamos minha sogra e seu filho dentro de casa, com os cães e em segurança e partimos em busca da Roberta e de sua família.

Chegamos na parte alta da rua, que dava acesso à avenida e logo vimos que a avenida principal estava totalmente congestionada, com carros nas calçadas e ainda era possível se ouvir buzinas, dentre os carros eu pude ver um bicho desses Zumbis. Embiquei na avenida congestionada e reparei que os carros que fechavam o cruzamento não tinham motorista e havia acontecido um acidente, grave por sinal, mas eu não via nenhum corpo, só o sangue seco no asfalto.
Encostei o bico da Zafira e comecei a empurrar os carros para abrir passagem, minha esposa colocou a cabeça para fora e foi me posicionando, para que causasse o mínimo de danos possíveis, mas não adiantou, acabei por rasgar a lateral do carro e minha esposa disse "atravessa direto, entra naquela rua ali ó, da para a gente dar a volta", atravessei. Tive um alívio e sorri, minha esposa perguntou o que foi e eu disse "O carro não é meu!" e ela riu também.

As ruas imediatamente paralelas à avenida principal estavam vazias, achei impressionante que em desespero as pessoas não se lembram de caminhos alternativos e ficam sempre obcecados pelo que já conhecem. Passamos em uma rua com casas feias, novas apenas em tijolo, todas estavam fechadas e apenas alguns zumbis "viajavam na maionese" em cima das calçadas, vi um pela rua, porém despistei. Seguindo as informações da minha esposa, saímos paralelo à Radial Lesto, porém do lado errado, deveríamos atravessar para o metro. Seguimos por uma avenida até ser possível, então devido ao grande numero de carros, desviamos entre as ruas paralelas e transversais.

Eu avistei um posto de gasolina com uma placa 24 horas. Paramos o carro para que abastecer, não sabíamos o que iria ocorrer daqui para frente, era melhor estar com o tanque cheio. Vi que o posto tinha uma loja de conveniência, minha esposa saiu junto comigo e foi pegar a mangueira de gasolina enquanto isso eu fui na loja ver se comprava ou pegava algo para comer, o que desse. Assim que abri a porta, vi uma pessoa que julguei ser mulher, espalhada no chão da loja, parecia que tinha sido atingida por um canhão bem na cabeça. Senti o vento frio do ar condicionado ligado e o cheio pútrido, sai e vomitei em frente a loja. Quando consegui me recompor percebi alguém chegando perto, era minha mulher, estava com as mãos na cabeça e atrás dela, um cara de macacão azul com a marca do posto apontava uma arma para as costas dela.

Cara - Roubando combustível né? vocês não tem cara de ladrões, quem são vocês?
Nafson - Cara abaixa essa arma, por favor, vou te explicar direitinho, não somos ladrões.

Ele empurrou minha esposa com as mãos, abaixou a arma e disse.

Cara - E se vocês fossem ladrão, que se foda, o fim do mundo já chegou, quem não for puro e aceitar Jesus não será salvo

Minha mulher me olhou e fez uma cara de "nojo". Eu que não sou religioso, porém nada bobo emendei.

Nafson - É isso cara, o Senhor Jesus cristo e o grande Pai Eterno vão julgar aqueles que cometerem pecados.
Cara - Você também acredita que esse é o fim do mundo?
Nafson - Claro, é só olhar em volta, os pecadores já estão morrendo!  Nós estamos vivos Cara, estamos vivos para encontrar Deus pessoalmente.

O Cara deu um sorriso e disse

Cara - É isso mesmo!

Nesse momento tive pena do homem, com um olhar perdido procurava entender o que estava acontecendo, porém, sem sucesso, escolheu a alternativa Bíblica.

Cara - Aonde você esta indo?
Raara - Estamos indo buscar minha irmã, ela, o marido e os filhos dela também são pessoas de Deus e estão vivos, mas precisam de ajuda.
Nafson - Nós vamos lá busca-los e vamos manter a família toda junta para falarmos de uma só vez com o criador, você sabe né, família.

O cara sorriu mais uma vez e disse

Cara - Eu sabia, perdi a minha a algumas horas atrás.

Ficamos em Silêncio, e ele continuou.

Cara - Minha esposa enlouqueceu e matou minha filha que logo enlouqueceu e se juntou a mãe querendo me matar, peguei essa velha arma, carreguei dentro de meu quarto, abri a porta e atirei nas duas, diversas vezes. Creio que o senhor não me quer no reino dos céus, eu matei, matei metade da minha alma e meu sangue.

Nafson - Cara, você não tem culpa, isso esta acontecendo em toda a parte.

Cara - Será que elas eram impuras?

Raara - Não sei se eram impuras, mas talvez sejam vítimas da impureza das pessoas.

O Homem abaixou a cabeça, apontou para a bomba e disse.

Cara - Abasteça seu carro, e vá com Deus, eu ficarei aqui e serei a espada do senhor.

Até pensei em chamar o cara para vir conosco, mas eu não o conhecia e ele parecia não estar bem da cabeça, porém o que mais pesou e não chama-lo foi o fato de que o alimento se esgotaria rápido com mais pessoas, era necessário o mínimo de pessoas possível.

Abastecemos o carro e continuamos cortando o "transito morto" e atravessamos as avenidas e chegamos em uma ponte que atravessaria por cima do metro e nos colocaria do lado certo da Avenida Radial Leste e próximo a casa de minha cunhada. A ponte também estava muito congestionada, mas eu fui pela calçada e empurrei todos os carros que apareciam, percebi que uns Zumbis vinham em nossa direção.

Tentei passar mas o carro que estava a frente era uma Blazer, encostei a Zafira e cantei pneu, vi a fumaça branca sair, e escutamos os zumbis batendo no vidro do carro. Minha esposa disse "da ré e arregaça esse carro!”. Dei uma ré e passei por cima de 3 zumbis e tudo se silenciou, exceto por um zumbido muito familiar, quase padrão.
Minha esposa perguntou "o que é isso?" eu disse com a cabeça que não sabia. Então ela disse "É o Metrô!" olhamos para a parte baixa da ponte e um metro vinha em alta velocidade de uma estação para outra aonde havia um outro trem parado. Eles bateram, o barulho foi assustador e vi os outros zumbis que estavam em direção a ponte irem em direção ao estrondo, os trens se ergueram e arrancaram o teto da estação de metro, muitas faíscas e gritos, parece que tinha muita gente dentro.

Acelerei e dei uma cacetada na Blazer, mas parecia que ela era intransponível, uma nova ré e uma nova cacetada, fez ela descer um pouco e pudemos passar, chegamos em fim na frente do apartamento de minha cunhada. Dentro do prédio, no solo, consegui observar 4 zumbis  vagando, um deles na portaria, minha mulher pegou o Nextel e disse

Raara - Chegamos!
Roberta - Estou vendo vocês pelo vão da Janela!

-- POR FAVOR, FAÇAM COMENTÁRIO. SUGESTAO, CRITICA, QUALQUER COISA É BEM VINDA, ABRAÇO--
R R Solaris
Enviado por R R Solaris em 17/09/2007
Reeditado em 19/09/2007
Código do texto: T656183

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Sobre o autor
R R Solaris
São Paulo - São Paulo - Brasil
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