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ALINE E A CASA DA MATA - PARTE 2

Apesar de ser quase meio-dia o porão estava mergulhado na escuridão.Aline acionou o interruptor no começo da escada e desceu,fazendo uma curva vertiginosa.Lá embaixo havia uma grande quantidade de objetos nas prateleiras de armários e estantes antigas,em cima de poltronas velhas e no chão: papéis,livros sem capa,objetos de decoração parcialmente quebrados, e em tudo, poeira e mais poeira.Ela deu uma olhada detalhada,mas nada havia ali que lhe chamasse a atenção.Começou a espirrar por causa da poeira,então resolveu continuar a sua procura nos outros cômodos da grande casa.Subiu as escadas e foi até a cozinha comer alguma coisa.Verificou que de todas as portas,a única que não tinha chave era a do escritório do pai, e após uma busca infrutífera em todos os outros compartimentos da casa,Aline se pegou desejando entrar no escritório de qualquer jeito.Se o pai tinha trancado a porta é porque alguma coisa havia ali que não podia ser visto.A curiosidade era grande, mas ela se controlou e resolveu sair pra dar uma volta ao redor da casa.

O clima estava ameno,já era quase cinco da tarde.Aline só retornou perto das seis, e encontrou Ludovico diante da porta da entrada.Alimentou e acariciou o gato do pai, que feliz ronronava.Subiu as escadas e foi pra biblioteca.A casa estava silenciosa e quente.Ela pegou um livro grande sôbre astronomia e se entreteu tanto com ele que nem viu o tempo passar.Apenas quando seu estômago reclamou de fome,foi que ela largou o livro e voltou a cozinha.Ventava forte lá fora e o vento passando por debaixo da porta de entrada,fazia voar as cortinas da sala.Antes que Aline terminasse a refeição a chuva começou a cair.Ela resolveu se deitar cedo,adorava dormir quando estava chovendo.

Acordou quatro horas depois.Ouvira alguém lhe chamar.O grande relógio da sala batia meia-noite compassadamente.A chuva caía forte e agora havia relâmpagos e trovões.Aline tentou acender a lâmpada do abajur,mas não demorou a perceber que estava sem energia elétrica.A casa estava totalmente escura.Ela levantou tateando os móveis até a porta do quarto,abriu e percorreu o corredor até as escadas.Sua intenção era ir até a cozinha acender uma vela.Tinha acabado de chegar no alto da escada,quando sentiu um frio repentino.Parou e ouviu um som quase inaudível atrás de si,um roçar leve de tecido...Virou-se depressa no momento em que um relâmpago iluminava tudo,mas não havia nada nem ninguém ali.

Desceu a escada o mais depressa que pôde e chegando a cozinha tateou o armário onde tinha visto as velas; com as mãos trêmulas pegou a caixa de fósforos em cima do fogão e depois de várias tentativas frustadas acendeu finalmente a vela.Voltou a sala com os olhos arregalados e o coração que parecia querer sair pela boca.Aline agarrava firme a vela e o molho de chaves.A chuva tinha diminuído mas o vento aumentara e no momento que ela chegou em frente a escada,uma rajada súbita apagou a vela.Mas,na luz de um novo relâmpago Aline percebeu um vulto branco no meio da escada.Olhava fixamente pra ela,os olhos eram escuros e ameaçadores.Um arrepio lhe percorreu a espinha,sua coragem sumiu e ela não pôde abafar um grito.Soltando a vela,correu pra porta de entrada,abriu a porta o mais rápido que pôde,e desatou a correr rumo a mata encharcada lá fora.

Ane
Enviado por Ane em 07/11/2005
Reeditado em 26/05/2007
Código do texto: T68541
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Sobre a autora
Ane
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 46 anos
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