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O BILHETE MISTERIOSO

Rafael resolveu passar uns dias em Paris, a cidade luz. Hospedou-se numa pensão familiar, para economizar, pois sua grana era pouca e para ele o principal era conhecer  os pontos turísticos da cidade. Ele sabia falar, mas não sabia ler em francês.  Um belo dia saiu a passear pela Champs-Élysées, a avenida mais famosa de Paris, quando uma linda mulher, elegantemente vestida o abordou, dizendo o seguinte: - Tenho observado você desde quando chegou aqui, naquele navio. Meu nome é Aline e é a única coisa que posso dizer-lhe, agora. O que eu quero com você e tenho certeza que gostará, está escrito aqui neste bilhete. Depois que eu me afastar, leia com calma, e você saberá o que eu quero e a onde me encontrar. Beijou-lhe suavemente o canto da boca, entrou num carro de luxo com motorista, alguns metros adiante e sumiu no meio do trânsito.Ele ficou parado, boquiaberto, estonteado pela tamanha beleza daquela mulher. Claro, começou a imaginar uma noite maravilhosa, sem igual com aquela jovem lindíssima. Pensou, alguém vai ter que traduzir este bilhete para mim, eu não sei ler em francês. Entrou numa lancheria, pediu uma cerveja, bebeu e quando chamou o garçom para pagar a conta, pediu para o mesmo que lesse o bilhete para ele. O garçom abriu o bilhete, fez uma cara estranha, dobrou novamente o bilhete e devolvendo, disse-lhe:  – Ponha-se pra fora daqui seu safado, sem vergonha e passou a mão num cacetete ameaçando bater em sua cabeça. Rafael teve que abandonar o local para evitar maiores transtornos. Claro, ficou encucado com o acontecido. Voltou à noite para a pensão, jantou e foi dormir, mas não conseguia o dia amanheceu e  ele não dormiu mesmo. Foi para a sala do café, comeu uma fruta, quando avistou a dona da pensão, que era uma senhora muito educada e simpática, não teve dúvida, foi até ela, contou-lhe o acontecido e a senhora  prontificou-se a ler o seu bilhete. Abriu o mesmo, ficou num vermelhão, chamou seu ajudante de dois metros de altura, devolveu o bilhete para o Rafael e disse para o guarda costa, pegue as bagagens deste cidadão e ponha ele e as malas no olho da rua e nem quero receber nada deste camarada. Mas dona, disse Rafael, não tem nada de dona coisa nenhuma, seu  cafajeste,  retrucou a senhora.Não teve outra, o pobre rapaz teve que ir embora.  Naquela noite, ele teria que regressar ao Brasil, já que a saída do navio estava marcada para às 20:00 h. Então, desiludido, curioso com o tal bilhete misterioso, resolveu ir para o navio. Lá chegando, notou que havia um cidadão com uma camisa da seleção brasileira, falando com outro em francês. Estava  ali a solução do problema.
Pediu licença e perguntou para o homem da camiseta: Você é brasileiro, sabe ler em francês, sim  respondeu o homem. Então passou a relatar o acontecido e entregou o bilhete para que o cidadão lhe traduzisse. O homem leu o bilhete, respirou fundo e disse: Olha cara, eu moro no interior aqui na França e estou neste navio porque trouxe um amigo que vai para o Rio de Janeiro e já estou indo embora.  Não devia, mas vou escrever no verso deste bilhete a tradução, colocarei lá na popa do navio e você só pode pegar, quando o navio se afastar do cais, combinado. Rafael, apenas sacudiu a cabeça que sim. Na hora marcada, o navio se afasta do cais, Rafael corre em direção da popa quando vai pegar o bilhete, um pé de vento leva o misterioso papel para o mar. Infelizmente a história termina assim. Rafael não consiguiu saber o que dizia o tal bilhete misterioso. PQP.

                                      THE END
Aureo Marins
Enviado por Aureo Marins em 18/10/2007
Reeditado em 19/10/2007
Código do texto: T700208
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Sobre o autor
Aureo Marins
Rio Grande - Rio Grande do Sul - Brasil, 78 anos
128 textos (30466 leituras)
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Aureo Marins