Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Conto de Necrotério 4 - Sed Suc Ção

- Hmmmmm... você está frio.
- É verdade, mas... você vai me esquentar, certo ?
- Ahmmmm... eu acho que não, querido. Também sinto frio, muito frio...
- Chega pra cá, quem sabe mais grudada em mim, dá certo ?
- Isso... ai que delícia, você assim, prontinho pra mim... DURO... rijo... você é sempre assim ?
- Eu vivo duro e rijo, minha querida.
- Você é um homem afortunado, muitos dariam tudo para ser assim como você, prontos desse jeito.
- Não... eu duvido. Ser assim como eu ? Não. Isso não é invejável. Invejável é ter uma mulher como você nos braços. Por você, eu garanto que muitos homens iriam até o inferno.
- Como você é lisonjeiro ! Adoro homens assim. E... você está certo.
- No quê, minha querida ?
- Eu já levei muitos homens ao inferno, mesmo. De várias formas.
- Hehehe acredito. Você é deslumbrante.
- ...
- Nessa meia luz, você é feérica... com a pele tão clara... parece uma fada.
- Minha nossa, onde você esteve por toda minha longa vida, e eu nunca o encontrei antes ?
- Longa vida ? Hahaha, com esse corpo esbelto, delicioso, essa carinha de menina ? Você não pode ter mais de 18, 20 anos.
- Um pouco mais, na verdade. Mas agradeço assim mesmo. É bom saber que, com os anos, minha aparência continua... fresca.
- Não sei como eu ainda me espanto ao ver a capacidade das mulheres de se depreciarem, mesmo quando são tão lindas... ah, querida, grude mais... isso...
- Hmmm.... você está cheio de cicatrizes.
- É... foi... um acidente que eu sofri.
- Mas você está recuperado.
- Pode-se dizer isso... como você pode ver.
- Péra, mas essa aqui, no seu peito, parece...
- Meu bem, como foi que você surgiu aqui tão de repente, do nada ? O horário de funcionamento já terminou.
- Horário de funcionamento ?
- Errr... é. E aí ? Veio buscar quem ? Reconhecer quem ?
- Reconhecer ? Não, eu vim... conhecer. Você. Fui... chamada.
- ????
- Eu estava num outro lugar, e de repente senti-me... impelida a vir aqui.
- Impelida ?
- Foi um convite muito forte, irresistível.
- Além de linda, você é misteriosa... meu tipo de mulher. E suas mãos nas minhas pernas... que delícia.
- Não estão nas suas pernas.
- O quê ?
- Minhas mãos. Não estão nas suas pernas.
- Mas eu as senti agora, e...
- Não. Espere um pouco. Deixe eu apalpar e... sim, agora sim, elas estão nessa cama gelada onde você se deitou, e... parecem cãibras.
- Cãibras ? Mas isso não é possível, eu estou... ou é ?
- Claro que é, só pode ser, com seu corpo estirado nessa cama de metal. Que lugar mais estranho para descansar ! Por que você não procurou um local mais confortável ?
- Querida, espere um pouco, eu... tenho que te dizer uma coisa.
- Não se preocupe com nada agora, eu não me importo. E logo você não vai mais se sentir assim... eu garanto.
- ???
- Deixe-me levá-lo para um paraíso de delícias imortais...
- Deixo, deixo ! Ah meu Deus isso nunca me aconteceu antes, se eu soubesse que iria te encontrar aqui, assim, há muito tempo tinha procurado meu acidente, e... que olhos lindos. Tão brilhantes.... Assim de pertinho, parece que tem uma tocha dentro de cada um... um fogo vermelho e... AIIIIIII !
- Sssssssssss ! Morto ! VOCÊ ESTÁ MORTO !
- E VOCÊ ME MORDEU NO PESCOÇO ! QUE PORRA FOI ESSA ?
- Bruxas desgraçadas ! O feitiço foi forte demais, eu perdi meu faro ! SSSSSSSSS ! Só posso ter perdido, para não sentir esse cheiro nojento de morte... corpos podres... como o seu !
- Podre não, isso não !
- Foram elas que te fizeram falar, desgraçado ? Ahhhh se você já não estivesse assim, eu o estraçalhava... aliás, é isso mesmo que eu vou fazer, e...
- QUE MERDA ! A primeira boazuda que eu consigo na vida, quero dizer, na...
- Shhhhhhhhhhhhh ! Calado ! Vem vindo alguém.
Passos, efetivamente chegando perto do inusitado casal.
- Saco... ter que voltar aqui para pegar essas drogas de velas... provas do crime... que crime ? Esse merda já era, mesmo. Eu pego o Feitosa, juro que pego !
- Você é tão grande e forte...
- Hã ??? Puxa moça, que susto você me deu, parada aí, no escuro !
- Me desculpe...
- Tudo bem, moça, mas eu quase tive um ataque cardíaco, agora. Perdão por incomodar, mas.. eu vim buscar umas coisas aqui, e... é parente dele ? Amiga ?
- Amiga... e posso ser sua amiga, também. Eu sou uma ótima amiga...
- Errrr... eu tenho que voltar para a chefatura.
- Você não gostou de mim ?
- E quem não gostaria, moça ? Quero dizer, me desculpe, eu tenho que ir, e... OPA !
- Vem até aqui... eu estou com frio.
- Só pode estar, está tirando a roupa.... e... você é doente, moça ???
- Fiquei doente de amor por você, PEIXOTO.
- Sabe meu nome ? Mas como ????
- Estou com mais frio...
- Eu tenho que ir, e... nossa, você é demais... vem cá... rapidinho, eu te esquento...
- Que braços fortes você tem, meu querido, que peito amplo. E é tão alto... deixe eu te abraçar pelo pescoço... assim.
- Hmmmmmmmmmm.... mordidinhas, que delícia... adoro mordidinhas.
- Peixoto ? Ei, cara ? Se manda, rápido ! Eu sei quem ela é, ela é....
- SSSSSSSSSSSSSSSSSS !!!
- Larga ele, sua filha da puta ! PUTA QUE O PARIU, o cara tá jorrando feito uma fonte pelo pescoço ! PORRA !
- Glglglglglglglglglglglglglgl...
- Uma vampira ! E eu nunca acreditei nisso ! Merda ! Tô vendo sangue jorrando pra tudo que é lado ! SOCORRO ! SOCORRO ! SOCORROOOOOOOOO !
Passos correndo, apressados.
- Eu vou sozinho, Manuel.
- Mas Dr. Lamontti, esses gritos...
- EU VOU SOZINHO !
- Eu vou chamar a polícia.
- Não, não chama não. Primeiro eu vou ver o que é.
- O senhor é doido, é ? Tem coisa muito errada por aqui, e...
- Eu já te dei uma ordem, Manuel. Sai daqui.
Passos afastando-se, passos aproximando-se.
- Crisóstomo, eu vou suturar essa sua boca, se você não parar, e... esse chão está escorregadio ! O que é isso no chão ??? Parece....
- Doutor, sai daqui agora. Ela vai te atacar também !
- Isso aqui parece... é um homem ! O que houve aqui, quem vai me atacar ?
- A vampira, doutor. A VAMPIRA !
- Quê ? Que vampi...
As luzes fluorescentes do anatômico se acendem subitamente.
- Doutor ? Eu já chamei a polícia, e.... AAAAHHHHHHHHHH ! O policial Peixoto, morto ! E..... AAAAAAHHHHHHHHH ! Olha só pro defunto na mesa, doutor ! Quem fez isso ? Ele tá cheio de marcas de batom !

Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2003.
Mônica Virgo
Enviado por Mônica Virgo em 06/04/2005
Código do texto: T10058
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Mônica Virgo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 48 anos
11 textos (4065 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 20:47)
Mônica Virgo