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Linda

Nikara acordou em um lugar estranho para ela, definitivamente não era o seu quarto, lugar onde ela se lembrava de ter feito amor com Carlos e depois lembra-se apenas de uma dor muito forte mas que ao mesmo tempo lhe trazia prazer, e depois uma escuridão... agora acordava ali, naquele quarto que não conhecia. O quarto era bem escuro, e como se não bastasse não entrar claridade nenhuma pelas janelas, as cortinas eram negras assim como os lençóis da cama, Nikara olhava ao redor procurando por Carlos e ouviu sons vindos de uma porta no canto esquerdo do quarto, e então Carlos saiu por aquela porta, que ela percebeu ser um banheiro.
Carlos estava com uma toalha enrolada na cintura, Nikara reparava no seu corpo, músculos bem definidos, pernas longas, ele possuía uma virilidade que ela sabia que ele não tinha antes, e ela gostava do que via, tirando a palidez da sua pele ele era realmente muito atraente, ele caminhou até a cama e sentou-se na beirada ao lado de Nikara, e passando a mão nos cabelos dela disse:
- Como você está se sentindo?
Nikara sentou-se na cama e puxou o lençol para cobrir os seios.
- Estou me sentindo um pouco estranha... que lugar é esse, e por que estamos aqui?
- Este é meu apartamento, mais precisamente meu quarto, preciso te lembrar de algumas coisas que aconteceram ontem à noite? Bem, você se lembra do que aconteceu entre nós não é – ele olhava muito sério para Nikara, e ela balançou a cabeça afirmativamente para ele – pois bem, você se lembra também de ter descoberto o que eu sou agora e de ter pedido para que eu a transformasse também? – novamente ela somente balançou a cabeça – eu sempre te amei Nikara, e quando reencontrei você não quis perdê-la novamente, mesmo não querendo que você tivesse o mesmo destino que eu acabei fazendo o que você me pediu – levantando-se tirou a toalha e andou até o guarda-roupa, começou a tirar algumas peças e se vestir.
Nikara ficou olhando para ele esperando que ele continuasse a contar o que seria dela a partir de agora, mas como ele ficou em silêncio foi a vez dela falar:
- Carlos, então quer dizer que agora eu sou uma vampira? O que devo fazer? O que sei sobre isso é o que vemos na TV e ouvimos das histórias de terror, não sei como agir, você precisa me dizer... – ela não estava com medo ou com raiva dele, afinal se agora ela era uma vampira foi porque havia pedido para Carlos transformá-la em uma... – você vai sair? – Nikara percebeu que ele estava se arrumando para ir à algum lugar.
- Infelizmente tenho que sair para resolver um problema, mas antes deixe-me lhe dizer algumas coisas... – e sentou-se novamente na cama ao lado de Nikara – eu fui transformado por uma garota naquela época em que terminei o namoro com você, ela me apareceu uma noite depois de ter deixado você em casa, quando percebi o que tinha me tornado fiquei com medo, não podia suportar a idéia de você fugindo de mim com medo do que eu era, eu precisava entender primeiro tudo que estava acontecendo, e hoje quando te vi de novo percebi o quanto sentia a sua falta, mas você entende que agora os meus sentimentos são diferentes, nem mesmo eu os entendi ainda, existem momentos em que eu não consigo sentir outra coisa a não ser raiva, ódio e desprezo pela vidas dos mortais, mas quando te vi hoje senti alguma coisa dentro de mim que eu achava que seria impossível sentir novamente...
Nikara olhava para ele sentindo as lágrimas rolarem em seu rosto, tinha pena dele por ser daquela forma, pena dos dois por terem sido separados por uma coisa tão cruel, raiva dela por ter pensado que ele não a amava mais.
- Nika, algumas coisas que nós ouvimos falar sobre os vampiros são verdade, mas eu ainda não conheço tudo a esse respeito, sei somente algumas coisas que vou te contar agora, não suportamos a luz do sol isso pode nos matar, precisamos nos alimentar de sangue e acredito por experiência própria, que conseguimos ficar no máximo uns dois dias sem  o sangue de um mortal correndo em nossas veias, depois disso a fome se torna insuportável fazendo com que percamos a cabeça...
E Carlos continuou contando para Nikara o que ele havia conseguido aprender sobre essa nova não-vida que ele tinha e que agora ela também teria. Mas, se desculpando por ter que sair e deixá-la sozinha naquela noite ele disse:
- Eu sinto muito Nika, mas tenho um encontro importante hoje, vou ter que sair mas volto antes do amanhecer, você não precisará se alimentar hoje, sua transformação ainda não está completa, esta noite será a última que você terá como uma mortal, e amanhã você precisará sair pra caçar pela primeira vez, eu vou com você está bem? Já está ficando tarde, preciso sair logo para voltar antes do sol nascer - Carlos não contou para ela que estava indo encontrar-se com Linda, aquela que o havia transformado em um vampiro.
Ele logo saiu, e chegou naquela mansão sinistra de um bairro de classe alta, foi logo ao quarto de Linda para conversar com ela, que já o estava esperando deitada na cama com uma camisola vermelha completamente transparente  e mais nada por baixo.
- Então quer dizer que você encontrou aquela sem graça da sua ex-namorada não é Carlos? – ela disse com sua voz sensual e um sorriso diabólico nos lábios carnudos e vermelhos.
- Como é que você descobriu? – perguntou Carlos
- Eu tenho meus meios Carlos, você me conhece já a algum tempo, já se esqueceu de que eu consigo saber de tudo que desejo? – disse isso e levantou-se da cama indo na direção de Carlos que estava parado junto à porta.
Carlos desviou-se dela e caminhou na direção da janela, e olhando para fora disse:
- Eu preciso lhe dizer uma coisa, transformei Nikara em uma de nós...
- Você o quê? – disse Linda aparecendo diante dele como se tivesse se desmaterializado de onde estava e se materializado novamente na frente dele – Você não podia ter feito isso, eu já lhe disse que não podemos sair por aí transformando qualquer um em vampiro, isso pode ser perigoso para a nossa raça, se os outros souberem disso podem matá-lo, e o pior, matar a mim também, pois, sou responsável por você ser um vampiro – e segurando Carlos pelo pescoço o empurrou de encontro a parede com grande força, ele pode ouvir o som de algum osso de seu corpo se partindo – você vai pagar por isso, como pôde me trair dessa forma?
- Eu não fiz de propósito, encontrei-me com ela em uma festa com uma garota que seria o meu jantar na noite de ontem, não esperava que tudo chegasse a esse ponto, não sei o que aconteceu comigo, mas quando dei por mim já estava feito...
- E você acha que essa desculpinha deslavada vai livrar sua pele?
- Eu não espero nada – Carlos levantou-se do chão e sentindo que o osso que havia se quebrado com a pancada estava se  curando graças ao poder de regeneração que havia herdado de Linda – eu quero que você me esqueça, vou embora e não voltarei nunca mais...
- Você acha mesmo que  vai ser tão fácil assim se livrar de mim? E mesmo que eu não queira mais nada com você quando os outros souberem o que você fez irão atrás de você para matá-lo – dizendo isso deu um soco em Carlos que o fez cair novamente no chão com um fio de sangue escorrendo no canto esquerdo da sua boca.
Carlos não teve tempo de se defender, Linda saltou em cima dele e começou a lhe dar vários socos no rosto, ela era muito mais forte do que ele, mesmo sendo mulher, ela era uma vampira muito poderosa tinha muito mais experiência do que ele, possuía várias décadas de vampirismo. Linda cortava o rosto de Carlos com suas unhas afiadas, levantou-o pelo braço direito enquanto o quebrava brutalmente, deu um chute tão forte no joelho esquerdo de Carlos quebrando-o, fazendo Carlos soltar um grito de dor e cair novamente no chão.
Linda lhe surrava sem piedade, e era tão rápido que Carlos não conseguia se recuperar de todos os golpes, estava ficando muito machucado e começava a achar que não seria preciso que os outros viessem atrás dele para matá-lo, Linda seria capaz de fazê-lo sozinha, as feições de Linda estavam transformadas, seu olhos estavam injetados de sangue, e a boca antes tão sensual agora possuía dentes pontiagudos e enormes, com uma abertura que desfigurava o seu belo rosto.
Carlos viu com desespero que o nascer do sol estava se aproximando, e Linda estava tão furiosa que não parava de lhe dar golpes violentos por todo o corpo, e olhava com satisfação para a janela que mostrava o nascer da alvorada.
Linda viu com satisfação que Carlos estava preocupado com o nascer do sol, e como já estava satisfeita com a surra que havia dado nele, puxou-o pela perna direita e fez com que ele se sentasse virado para ela numa cadeira que estava em frente a janela, e disse:
- Como eu já disse, sou a responsável por você ser um vampiro, não posso voltar atrás do que já fiz, pois, se soubesse que você seria tão estúpido tão teria te transformado, apenas me alimentaria de você e o mataria como aos outros que já encontrei. Dessa forma acredito ser responsabilidade minha também me livrar de você.
E dizendo isso, enfiou violentamente sua mão direita no peito de Carlos, que ficou olhando para ela com os olhos arregalados e a boca aberta como se fosse soltar um grito, mas não conseguiu.
- Você não vai mais precisar disto para bombear o sangue para o seu corpo – ela segurava uma massa negra que escorria um sangue escuro por suas mãos, e o apertou até que ele se desmanchasse em vários pedaços por entre seus dedos – e agora o grande final...
Ela abriu a janela, pegou Carlos pelo pescoço e jogou-o para fora. Carlos caiu na calçada como uma trouxa de roupa suja, seus olhos fixos na janela onde Linda o observava, sabia que iria morrer de qualquer jeito, mas não sabia que seria tão doloroso.
Linda fechou a janela e as pesadas cortinas também, ela adoraria vê-lo morrer de uma vez por todas, mas não podia correr o risco de morrer também, pois, o sol já estava despontando no horizonte.
Lá embaixo na calçada Carlos via o seu fim se aproximar a cada minuto que passava, e então o sol surgiu no céu com toda a sua força. Carlos começou a sentir seu corpo cada vez mais quente, e então aconteceu... O corpo de Carlos pegou fogo rapidamente, ele podia sentir sua carne queimando, não conseguia gritar de dor, não conseguia se mexer, simplesmente ficou ali esperando que tudo acabasse logo.
Seu corpo parecia uma fogueira, queimada rapidamente, primeiro suas roupas sumiram, então sua carne começou a se desfazer nas chamas até que ficasse somente seus ossos, que pareciam pedaços de carvão, e então Carlos não sentiu mais nada, seu corpo transformou-se em um monte de cinzas que logo foram levadas pelo vento da manhã que nascia...
Nikara estava preocupada com a demora de Carlos, mas com a chegada da manhã ela começou a sentir uma sonolência e um torpor pelo seu corpo que a forçada a deitar-se e a fechar os olhos.
- Quando eu acordar Carlos já estará de volta, tenho certeza, ele não me abandonaria mais uma vez, não agora que preciso ainda mais dele, ele vai voltar logo... – e caindo num sono profundo não conseguia pensar em mais nada...      








Marcia Fox
Enviado por Marcia Fox em 28/02/2006
Código do texto: T117035
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Sobre a autora
Marcia Fox
São Paulo - São Paulo - Brasil
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