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Terror na auto-estrada

O relógio de meu celular acusava que já se passava da meia noite, estava eu nesta assustadora situação, com o carro quebrado, em meio a uma auto-estrada, mal acabada e iluminada apenas pelas luzes dos caminhões que passavam. Já havia pedido carona para mais de cem caminhoneiros, os quais todos se recusaram a me ajudar. Nem me lembro quantos gritos de “gostosa”, “puta” e” vagabunda” já havia ouvido.
Minha única esperança era que passa-se a policia rodoviária e me vi-se, vindo me ajudar, mas parece que sempre que se precisa dela, ela nunca aparece, apenas na hora de nos multar ela esta pronta.
A estas horas da madrugada, a estrada ficara deserta, e lá estava eu, sozinha, sem ninguém para me socorrer, deve o leitor imaginar, o medo e o terror que estava passando pela minha mente nesta hora, sozinha, indefesa, sem nem ao menos uma arma no porta-luvas.
Mas de repente parece que a minha salvação havia chegado, um carro negro se aproxima e quando estava chegando perto de mim, começa a ir mais devagar, eu aceno para ele, e ele para bem em minha frente, não conseguia ver direito o motorista, devido à escuridão, mas mesmo assim me aproximei do carro, e gritei desesperada pedindo sua ajuda:
-Por favor, senhor! Meu carro quebrou faz algumas horas e preciso que alguém me leve para minha cidade, moro em Rio Claro.
Alguns segundos se passaram e não tive resposta à minha pergunta, mas mesmo assim a porta foi aberta, e eu pude entrar. Estranhei um pouco, afinal, a pessoa do lado do volante, nem me dissera se ia realmente para a minha cidade.
Decidi aceitar o silêncio daquele estranho homem, afinal, melhor isto, do que ficar presa a madrugada inteira naquela auto-estrada.
O carro já seguia o trajeto a mais de meia hora, e me deu a impressão que estava-mos mesmo no caminho certo para minha cidade, isto me deixara mais tranqüila.
Olhava para aquele homem, mas não conseguia ver direito seu rosto, estava muito escuro, só percebia que estava trajado com um chapéu e um, sobretudo, ambos negros.
Mais alguns minutos e eu havia sido vencida pelo sono, e adormecia no meio do caminho. Em meio a este sono, tenho um pesadelo, que estranhamente não era com minha pessoa.
Sonhei que um homem, de idade já razoável, estava a dirigir seu carro, pela auto-estrada, quando de repente, cinco homens o abordaram, parando bem em sua frente, todos armados até os dentes, o fizeram parar o carro e descer. Levaram-no até o meio de um matagal que ficava de frente com uma das partes da auto-estrada, lá chegando acontecera algo inesperado, eles não queriam apenas seu carro, queriam sua vida e seu sofrimento também. Fizeram-no despir seus trajes e ficar completamente nu, depois disso cada um pegou um pedaço de madeira e começaram a dar pancadas fortes em cada parte do corpo, do pobre homem, que cairá no chão, quase desmaiado, gritando e chorando de tanta dor e medo.
Não satisfeitos com sua crueldade, levantaram-no do chão, e o amarraram de ponta cabeça em uma corda, que estava amarrada em uma arvore.
Que situação do pobre homem, estava agora amarrado na arvore, e para pior, cada um dos algozes pega agora um chicote, desses que os boiadeiros usam para espantar o gado, e começaram outra seção de tortura que durara mais de meia hora, mas isto era apenas o começo.
Um deles sorri e diz
- É agora que a brincadeira vai esquentar...
Todos pegam tochas e as acendem, vindo em direção agora do pobre coitado, que já estava semimorto. Começaram então a queima-lo com as chamas das tochas, seu corpo inteiro ficara vermelho, e então para encerrar com chave de ouro, encheram seu corpo de gasolina, e o queimaram, assim como os antigos inquisidores faziam com as bruxas.
Pobre homem, dele mesmo, só sobrou o esqueleto, que ficara jogado no meio do matagal.
Os algozes vendo que havia acabado, se despedem do cadáver e partem em busca do carro que haviam deixado escondido, em uma parte do matagal, mas para a surpresa deles, havia desaparecido, procuraram por todos os arredores, mas o carro aparentava ter virado fumaça.

Os algozes resolvem então voltar até onde estava o esqueleto do pobre homem, mas ao voltar, se assustam, pois não estava mais lá, havia desaparecido também.
- Mas o que diabos, esta a acontecendo aqui! – Pergunta um deles irado.
-Calma. Acho que a melhor coisa a fazer, é sair-mos daqui, algo de estranho esta acontecendo aqui. – Diz outro.
Eles saem correndo em direção a auto-estrada para fora daquele sinistro matagal, mas descobrem, perplexos, depois de alguns minutos correndo, que não conseguiam achar a saída daquele lugar.
- Estamos perdidos!
Eles correm, correm e correm, mas de nada adianta, parecia que o matagal os havia engolido. Depois de algumas horas tentando achar a saída daquele lugar, eles chegam a uma parte cheia de arvores enormes, e para a surpresa de todos, os cinco algozes caem, cada um em uma armadilha, daquelas que se faz com uma corda para pegar animais e deixa-los preso em uma arvore, vista muito em desenhos animados. Ficam agora os cinco homens pendurados de ponta cabeça nas arvores.
- Não! – Grita um deles, parecia que o espírito do pobre homem havia, antes de partir para o Outro Mundo, desejada vingança.
Mas era demais, em poucos minutos, os algozes sentiram cheiro de fumaça e perceberam que um pouco distante deles, estava havendo uma queimada que iria incendiar o matagal inteiro, e que logo chegaria neles.
- Velho maldito! – Berra um deles, percebendo que com certeza, esta era a vingança do pobre homem, torturado e morto de uma forma tão monstruosa.
Dito e feito, em poucos minutos o fogo chegou e os cinco algozes que há algumas horas estavam dando longas gargalhadas de sua própria vitima, estavam agora experimentando em sua própria pele, de sua tortura medieval.
Foram os cinco queimados vivos, e deles, assim como de sua vitima, sobraram apenas os ossos.
No final, meus devaneios se vão, até o lugar de onde o cadáver havia desaparecido, e paira alguns minutos sobre ele, de repente, me assusto e acordo, parecia que alguém berrava em meus ouvidos:
- Paz!
Com este grito eu acordo deste pesadelo e percebo que já estava quase para amanhecer. Mas que diabos. Já era para ter chegado a minha cidade a muito tempo. Viro-me e pretendo chamar a atenção do homem que me havia me dado carona.
- Senhor. Não devíamos já ter chegado?
Ele nada responde e começo a ficar nervosa, quando de repente depois de muito chamar a sua atenção, percebo que estávamos muito longe de minha cidade, e que havíamos passado por ela há muito tempo atrás.
Eu finalmente perco a paciência e resolvo sacudi-lo pelos ombros, mas quando o faço minhas mãos afundam no mesmo, e percebo que, assustadoramente não havia ninguém dentro daquele, sobretudo, apalpo toda a superfície e percebo que só haviam as roupas mesmo, não existia ninguém dentro daquele carro além de mim.

- O que? Mas como...
Fico perplexa, que fenômeno estava acontecendo ali naquela hora. Tentei colocar as mãos no volante, mas percebo que o carro estava sendo guiado por uma força misteriosa. Desesperada e sem saber o que fazer, tento abrir a porta e saltar, mas percebo que ambas elas, estavam trancadas, convencendo-me de que estava sem saída daquela situação nefasta.
O carro continuava sua trilha sinistra e eu, pobre vitima, daquela loucura, estava lá, indefesa, sem poder fazer nada. O carro andou por mais meia-hora e em um determinado momento entrou no matagal, que para minha surpresa era o mesmo matagal de meu sonho.
Adentrei aquele lugar e num determinado lugar ele parou. A porta do carro de repente se abriu e eu pude descer, assustada, com o coração batendo a mil por hora, olhei por todos os lados, e reconheci que aquele fora o lugar em que o pobre homem havia sido executado, andei mais um pouco e parei. De repente sinto como se uma força sobrenatural começa a guiar o meu corpo até de baixo da arvore onde o cadáver havia sido pendurado, e de repente estou eu lá parada. Logo algo estranho começa a acontecer, a terra começa se abrir para mim, e desesperada começo a gritar, a terra estava me tragando.
Em poucos segundos desabo eu abaixo, e me encontro numa espécie de cripta que estava escondida de baixo da terra.
Começo a andar, ainda sob influencia daquele estranha força, e depois de alguns minutos chego a um lugar, com algo parecido com um altar, e algumas velas espalhadas.
De repente contemplo abismada, o cadáver do homem estava lá, pendurado por uma corda, e abaixo dele no altar um pedaço de papel e uma pena.
A pena então começa a flutuar, e a escrever sozinha no papel. A força misteriosa me conduz até o altar, e posso ler então o que, aquilo, seja lá o que for, que conduziu a pena, escreveu. Estava escrito:
- Vago, vago, vago, nesta busca infinita por dignidade, e finalmente paz.
Fico parada em frente ao altar por alguns instantes e de repente, o esqueleto desaba sobre minhas mãos, eu o seguro mesmo contra minha vontade, estava aterrorizada, mas mesmo assim, parece que havia entendido a mensagem.
Eu o seguro e levo para fora da cripta, e volto onde estava o carro, a porta se abre novamente a mim e começa uma nova trilha.
Por alguns minutos o carro anda pela pista, estava chovendo forte, depois de quase meia-hora ele para em frente a um lugar mais estranho do que o primeiro, era nada mais, nada menos do que um cemitério.
Saiu do carro novamente, com meu mais novo amigo, nos braços e o conduzo por aquele lugar, e aquela força me conduzindo como se eu fosse uma marionete em suas mãos.
Ando por aquele lugar, por mais alguns minutos, e de repente encontra uma cova, que estava aberta, e que não havia ninguém ocupando-a.
Levo-o até ela e o enterro nela, fechando-a logo em seguida, faço o sinal da cruz e digo:
- Descanse em paz, e obrigada pela carona.
Viro-me então e me apresso a sair daquele lugar, estava quase amanhecendo e as pessoas estranhariam o que eu estaria fazendo ali de madrugada, há esta hora somente os coveiros permanecem naquele lugar.
Entro no carro novamente e depois de algumas horas, a força misteriosa que guiava o carro me conduz finalmente, para meu espanto, bem na porta de minha casa.
Saiu do carro, mas antes agradeço, e me despeço dele, acho que estava ficando pirada, falando naturalmente com espíritos.
Entro na minha casa, quando vou até a cozinha, acendo a luz, mas de súbito, ela se apaga novamente, e em meio aquela escuridão, uma luz aparece e desta luz abobada, sentada no chão, percebo que surge uma imagem, a imagem de uma pessoa, a imagem daquele homem que havia morrido.
Ele olha para mim e acena, sorrindo para mim e escuto, de uma voz tremula:
-Obrigado...
Ele desaparece e logo, a luz da cozinha volta, depois disso os acontecimentos misteriosos cessaram.
Era atéia até estes dias atrás, mas hoje, sou mais espírita do que o próprio Allan Kardec, estes acontecimentos me causaram um grande choque, me fazendo acreditar em coisas que jamais passavam pela minha cabeça. E vocês?
Alexander King
Enviado por Alexander King em 12/03/2006
Código do texto: T122297
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Sobre o autor
Alexander King
Rio Claro - São Paulo - Brasil, 34 anos
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