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A rua de fogo

Prólogo

Esta historia que passarei a relatar-vos, com certeza, nenhum dos leitores, irá ler em algum jornal, ou revista. É uma história que ficou conhecida, entre alguns moradores de uma pequena cidade do interior de São Paulo, que evito dizer o nome, para não causar alvoroços ou escândalos, nem trazer a atenção da imprensa, para causar vergonha e desconforto aos pobres moradores daquela cidade, naquela amaldiçoada rua.
Estávamos chegando ao final do ano de 1999, e como todos devem se lembrar, naquele ano, muitos loucos e malucos saíram pelas ruas se dizendo profetas, gritando em voz alta pelas ruas, que o nosso planeta, e a raça humana, estavam para desaparecer deste Universo.
Pois bem, a historia que passo a relatar, e que aconteceu com as pobres pessoas daquela região, é algo, que nos deu a certeza, de que estes homens, que se diziam profetas, não eram tão loucos como se imaginava, e só então descobriríamos sua loucura, após o término deste ano, e o começo de um novo milênio, provando assim, serem falsas todas aquelas profecias.
O autor deste texto é repórter e trabalha em um pequeno jornal, desta cidade, e prometeu, às pessoas, que entrevistou, no período, que estava tentando investigar os fatos em seus mínimos detalhes, que jamais contaria esta historia a alguém.
Mas infelizmente, o fardo desta verdade, que carrego há anos, em meus ombros, é pesado demais, e a cada dia parece que multiplica seu peso, decidi então que não poderia mais agüentar, por isto este texto, como forma de desabafo, destas coisas que não pude contemplar com os olhos, mas que pude estar no local, após os incidentes, mesmo que oculto.
Esta na hora das pessoas saberem a verdade, do que aconteceu naquela cidade, naquela maldita rua, que alguns dos seus ex-moradores chamam de...
A rua de fogo.


I

Foi numa bela tarde ensolarada, quase no final do ano que tudo começou, uma das casas mais belas da rua, com certeza era a de Rosana, uma bem sucedida publicitária, que trabalhava com marketing em uma empresa que ficava um pouco longe de lá.
Rosana morava sozinha, era uma mulher independente daquelas que não precisa de homens para nada, dona do próprio nariz, que não aceitava ordens de ninguém.
Fazia muito calor naquela tarde, e Rosana então aproveitou para tomar uma ducha gelada, despiu-se exibindo sua nudez provocante, e começou seu banho, que segundo ela, era seu ritual de relaxamente, pois amava água.
Estava ela, se deliciando com as gotas geladas que caiam do chuveiro, tranqüila, relaxada, em paz.
Mas, em um dado momento, Rosana começa a sentir um estranho calor nas solas dos pés, seguido um formigamento, como se algo houvera sobre eles.
Ela abre os olhos e abaixa a cabeça para ver finalmente o que era, e desesperada, percebe que em seus pés havia uma estranha luz dourada, que lentamente ia subindo dos seus pés, para suas canelas, para as pernas, glúteos, e quando finalmente acordou do que parecia um transe, já era tarde demais, aquela luz dourada, que esquentava seu corpo, já estava chegando ao seu pescoço cobrindo seu lindo par de seios.
Aquela luz que começara esquentando seus pés, agora aumentara e não mais apenas aquecia, mas começara a queimar.
Rosana então, aterrorizada, grita, e tenta sair em disparada para fora do banheiro, e ir até a rua, buscar por socorro.
Mas foi tudo em vão, ela cai, batendo o queixo no chão do banheiro, pois aquela estranha luz adormecera suas pernas.
- Socorro! – Grita a pobre moça, em vão, pois ninguém vem ao seu auxilio.
A luz agora cobre seu corpo inteiro e a imagem dela não mais aparece, a luz a engolira literalmente.
E aquela coisa, seja lá o que era, que de principio, era apenas uma luz, agora se transforma, em labaredas de fogo, fritando o corpo da pobre mulher que dava seus últimos berros antes de morrer, aniquilada por aquele ser desconhecido.

As labaredas de fogo então, deixam o corpo da pobre Rosana, e se afastam alguns centímetros, mas, que extraordinário, com certeza não era algo deste mundo, nem desta dimensão, sei lá de onde viera aquilo. Contemplando de longe podia se ver, aquilo era nada mais, nada menos, do que uma serpente de fogo com seus olhos vermelhos, e corpo feito de chamas ardentes.
A serpente, pouco a pouco, vai perdendo seu brilho e depois de alguns instantes, contempla o corpo de sua vitima. Desaparece no ar, sem deixar rastros.
O corpo da pobre vitima ficou ali jogado, esperando que alguém chega-se para o levar, para pelos um enterro digno.

Algumas horas se passaram, e alguém abre a porta:
-Mamãe! – Era Suzana, filha de Rosana – Cheguei, e espero que tenha feito algo de bom para o jantar, pois estou faminta.
A linda Suzana, de apenas 17 anos, percorre a casa, em busca de sua mãe, mas não a encontra. Decidi então ir até o banheiro, e como era já de se imaginar, berra ao avistar o corpo de sua mãe jogado no chão, todo queimado por aquele monstro terrível.
-Mãe! Mas o que é isso! – Suzana sai correndo e berra por toda a rua, os vizinhos saem e a acodem, ela diz o que aconteceu, e depois de quase meia hora a policia aparece, para ver o que estava acontecendo, eles disseram que poderia ser um maníaco, com um lança-chamas, todos acreditaram e voltaram para suas casas, estava tudo bem, acidentes como este acontecem mesmo, neste mundo violento que vive-mos hoje. Estava tudo bem para todo mundo, menos para a pobre Suzana, que a partir daquele momento, havia perdido sua mãe para sempre, e se tornado órfã, tendo que encarar daqui para frente todos os problemas da vida sozinha.
Suzana entra em casa, desolada, seguida de sua amiga, Tabata, que a acompanha e diz que passara a noite com ela, para não ter que ficar sozinha. Ela aceita a companhia da amiga, e ambas ficam jogadas na cama de Suzana, trocando lembranças agradáveis da querida pessoa que era a pobre Rosana.
Horas se passam e as duas adormecem, e depois de mais algumas horas, quando já era de madrugada, Suzana acorda, pois havia tido um pesadelo com sua mãe.
Ela se levanta da cama e dá algumas voltas pela casa, até chegar à sacada, onde gostava de ficar para pensar.
Fica por alguns instantes ali, e quando decidi partir, de volta para cama, percebe que sua falecida mãe, havia esquecido um de seus livros, que gostava de ler, em cima da mesa, era um livro velho, as paginas amareladas, e a capa dura, toda empoeirada. Curiosa, ela pega o livro e abre, parecia um diário, mas não era de sua mãe, resolve então, só por curiosidade ler um pedacinho dele, e as palavras que ela acabara de ler, as deixaram apavorada, ao mesmo tempo em que surpresa:

“Estava trabalhando no meu mais ambicioso projeto como alquimista, projeto este que se baseava em envolver o corpo de uma grande serpente, com alguns elementos químicos, para assim, faze-la tornar-se completamente diferente do que ela é.O livro que estou lendo, não me diz exatamente o que a serpente ira se transformar, mas diz que será em um ser muito poderoso, capaz de destruir civilizações inteiras, se não for destruído, e para se destruir existe apenas uma forma...”

Suzana ficou intrigada com aquilo, que maluco era aquele, que pensava que poderia destruir o mundo com ajuda daquela serpente, e daquela magia maldita, leu mais um trecho e depois decidiu interromper a leitura, fora este trecho que ela leu:

“Maldição! Deu tudo errado, sai para almoçar, mas quando voltei percebi que algo havia acontecido, uma das poções explodiu em cima da mesa, não causou muito dano, mas fez com que alguns dos elementos cai-se em cima daquela cobra que estava morta embaixo da mesa. Pensei em recomeçar tudo, mas tive que sair correndo do laboratório, pois percebi que outros elementos estavam em fúria, e iam explodir, sai daquele lugar maldito, e em poucos segundos, quando já abandonara minha casa, ela explodiu, por inteira, sobrando apenas escombros. Recuperei o meu diário, as formulas eu perdi, e a serpente, esta deve ter virado fumaça dentre os escombros. Reconstruí a casa depois de alguns meses, mas resolvi abandonar o projeto, era perigoso demais.”

Suzana para de ler e deixa o diário, em cima da cadeira, volta para cama, mas antes que adormece-se fica refletindo sobre o que acabou de ler. Teria aquilo alguma coisa haver com a morte de sua mãe?
Não acha a resposta para sua pergunta, adormece.


II

Suzana acorda no outro dia, sua amiga, Tabata, não estava mais ao seu lado, provavelmente já havia voltado para sua casa, e ido até seu laboratório, era cientista, havia concluído alguns anos atrás, o Curso de Química, na universidade da cidade.
Ela toma um café apressado, senta no sofá, e percebe que não havia nada a fazer, seria um daqueles dias monótonos. Decidi então partir para a casa de Tabata, para ficar observando as maluquices de sua amiga, em frente aos seus experimentos químicos.

Ela sai de casa e bate a porta da casa da amiga, mas ninguém responde, entra, e chama por ela, mas ninguém responde, mas de repente algo se ouve:
-Ah! – Eram gritos, e aquela voz, só poderia ser de Tabata.
Suzana sai correndo para o laboratório, e quando entra observa uma cena aterrorizante, Tabata estava de joelhos no chão, e a sua frente uma serpente de fogo enorme, estava de pé, apoiada em sua cauda, abria bem a boca, para abocanhar sua amiga, que segundo a visão dela, já estava com os braços queimados.
Suzana então solta um berro e a serpente se vira olhando para ela, não se sabe por que, mas alguma coisa nela, espantou a serpente, que desapareceu no ar.
Suzana corre até sua amiga, que estava ferida, jogada ao chão, lhe perguntou o que aconteceu, e Tabata lhe contou que a serpente de fogo aparecera bem dentre os seus experimentos químicos.
Suzana conta o que lera naquele diário, sobre os experimentos do alquimista, Tabata acha loucura de principio, mas nada de mais louco, do que quase ser morta por uma serpente de fogo gigantesca.

Elas vão para a casa de Suzana, e lá ficam conversando sobre o que acabara de acontecer, e que também era com certeza a causa da morte da Rosana.
Falam sobre a incrível serpente de fogo, e sobre as leituras do diário. O dia passa e a noite chega, Tabata resolve ir dormir, para se recobrar do susto, Suzana prefere ficar acordada, e ler mais um pouco aquele suspeito diário.
Ela o lê, a madrugada inteira, descobre muitas coisas sobre seres mitológicos, lendas antigas, animais bizarros, inclusive algo sobre aquela serpente de fogo, mas não achara de forma alguma, a fórmula que o alquimista citara, que poderia ser capaz de destruir aquele monstro.
Suzana acaba dormindo na cadeira mesmo, com a cabeça apoiada em cima do livro.
Ela adormece e tem um pesadelo, crendo ter uma revelação, a casa dela, a qual há muitos anos ela e sua mãe moravam, era a casa do alquimista.
Não se convenceu completamente de que isso era verdade, pois afinal, sonho é sonho.


III

A noite correra bem, mas logo de manhã, as duas amigas são acordadas pelo som não do despertador, e sim dos berros da vizinhança, era a serpente de fogo, que havia visitado a casa que ficava bem na frente da de Suzana, mas desta vez não fizera apenas uma vitima e fora embora como com Rosana, mas matara toda a família que lá morava, e incendiara a casa inteira, da qual só sobraram escombros.
- Já esta mais do que na hora de nós sumir-mos daqui, Suzana.
-E será que é possível fugir deste monstro amiga, será que ele realmente ficara apenas nesta rua?
- Eu não sei, mas é a única forma de salvar-mos nossas vidas, pelo menos por agora.
As duas decidem então partir da cidade, e ir para uma pequena casa que Tabata possuía na capital.
Elas arrumam suas coisas e partem no carro de Suzana.
À tarde chegam a capital, e lá, ficam em paz, pelos menos Tabata aparentara estar, mas Suzana cria que algo de terrível, pude-se acontecer se, este monstro não fosse detido a tempo.

Uma semana se passou, e as duas amigas ainda estavam na capital, não haviam recebido nenhuma noticia sobre aquele monstro, nem sobre a pacata cidade do interior em que moravam.
Foi quando o Destino, muitas vezes irônico, resolveu dar o seu ar de graça, e brincar com as duas amigas.
Tabata havia procurado a tarde inteira, os papeis da tese, que havia compilado, para defender, na universidade, concorrendo ao mestrado, no final da tarde, concluiu que havia deixado seus papeis em nenhum outro lugar se não em sua casa no interior.
- Voltar para aquela maldita cidade? – Diz Suzana surpresa pela insinuação de sua amiga.
- Lamento, mas eu preciso ir, sem aqueles papeis eu não sou nada. Não precisa ir junto se não quiser, só vou pega-los e voltar.
Suzana reluta por alguns instantes, mas, resolve não abandonar a amiga, afinal, amigos são para todas as horas.
Elas saem da casa e entram no carro, se aventurando novamente naquela cidade maldita que tanto medo e terror já havia causado as duas.


IV

Elas pegaram a estrada e logo após algumas horas, estavam novamente em sua cidade. Que espanto, meu Deus, foi o que aquelas duas tiveram, ao chegarem a sua rua, e perceberem que mais cinco casas estavam na minha situação daquela primeira casa que fiu incendiada pela serpente e que uma destas casas, era nenhuma outra se não a de Suzana.
Elas encostam o carro em frente à casa de Tabata, e descem correndo entrando as pressas, pois todo cuidado era pouco. Entram na casa, olham ao redor e percebem que a serpente não havia deixado rastros por lá, se é que havia aparecido ali.
Elas caminham até a escada, para ir ao laboratório, onde os papeis de Tabata deveriam estar, mas quando olham para trás, vem, ninguém menos do que, a serpente de fogo.
- Não! – Gritam as duas correndo em disparada para o laboratório.
A serpente rapidamente as alcança batendo nas costas de Suzana, com a cauda, a jogando escada abaixo.
Suzana grita o nome de sua amiga, mas percebe que esta, estava desmaiada no chão da sala. A serpente decidi ir atrás de Suzana, mas Tabata pega um estranho elemento químico que estava em sua mesa e joga na serpente, que urra de dor e fúria.
Ela entra no laboratório, mexe em algumas coisas, mas em poucos minutos, a serpente estava em seu encalço novamente, e a cerca, parecia que era o fim para aquela corajosa jovem.
Tabata percebe que não adiantaria mais fugir, não havia alias, como fugir, decidi então se entregar a morte, e ter o mesmo fim que Rosana.
A serpente estava quase para abocanhar Tabata, quando de repente, solta um urro de dor, causado por Suzana, que havia chegado por trás dela, e derramado um liquido verde claro sobre o monstro luminoso.
A serpente rodopia por mais alguns segundos, mas cai morta ao chão, tendo seu fogo, extinguido, se transformando em uma cobra comum.

Suzana estende a mão à amiga, que devagar se levanta com sua ajuda, elas se abraçam forte e ficam assim por alguns instantes, uma olha para a outro, e dizem:
-Acabou...
Estavam felizes, por ter dado fim naquele mal que ameaçara não apenas suas vidas, mas talvez, da Humanidade inteira. Suzana contou a Tabata, que havia encontrado a fórmula mágica, para destruir o monstro, estava em uma folha perdida de baixo do sofá.

Tudo aparentava ter acabado, mas...
De repente atrás delas, a luz, o fogo daquele monstro, se acende novamente, se recompõe, e a serpente estava de volta. Ela fica de pé, apoiada em sua calda, e abre bem a boca, para abocanhar suas duas vitimas, que mal perceberam que ela havia voltado à vida.


Desfecho

Pretendo encerrar por aqui minha narração, o que acontecera após estes fatos, é horrendo demais para manchar estes papeis. Ao leitor fiel, só deixo-lhes a informação, que a cidade inteira foi destruída, não pela serpente de fogo, que anos se passaram, e nunca mais deu o ar de sua graça, mas por uma explosão, causada por elementos químicos de alta periculosidade, que atingira a cidade, vindo de uma fabrica que trabalhava com estes elementos. Bem, é isto que os jornais dizem por ai. Será mesmo?

Fim
Alexander King
Enviado por Alexander King em 15/03/2006
Código do texto: T123726
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Sobre o autor
Alexander King
Rio Claro - São Paulo - Brasil, 34 anos
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