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A carta amaldiçoada

                                                                                                                                                                         

     Era noite.
     O casal dormia tranqüilamente. A filha de 6 anos dormia no quarto ao lado. Foi quando alguém tocou na porta.
     - Droga! Quem deve estar batendo na porta dos outros a essa hora? Já é meia noite. (fala Gustavo para sua esposa Fernanda).
     - Eu não sei. Vai lá ver. (responde ela com medo).

     Ele desce as escadas, coloca a mão na maçaneta, dá uma respirada e abre a porta. Quando abriu não viu ninguém, somente uma carta jogada no chão. Agachou-se e pegou a carta. Na frente do envelope estava escrito “corrente da fé” e não havia mais nada escrito. Gustavo pensou:

     “Deve ser mais um desses religiosos fanáticos, que vende tudo para encher a barriga desses pastores safados.”
Com a demora do Gustavo para voltar ao quarto, Fernanda resolve ir até lá para ver o que tinha acontecido.

     - O que foi? ( pergunta Fernanda, curiosa).
     - Nada. Apenas um doido que deixou essa carta debaixo da nossa porta.
     - Que carta?
     - Uma carta. Deve ser desses fanáticos religiosos ou macumbeiros, sei lá. Vou abrir para ler.
     - Não faça isso! Por favor.
     - Para de tolice, amor. É apenas uma carta.
Sem escutar a mulher, Gustavo abriu a carta. Havia uma mensagem, escrita bem assim:

     “Às vezes para ficar rico custa caro. Quem tem fé  continua com a corrente. Para ganhar muito dinheiro, você tem que ter fé e passar essa mensagem para 10  pessoas em 30 dias. Agora se você não tiver fé e rasgar esta carta ou jogar fora,  pode perder algo que  mais ama no mundo.”

     Gustavo cai na gargalhada. Fernanda, assustada, fala que tinha avisado para não ler a carta. Ele, com um tom de ironia, diz:

     - Estou com medo. Rsrsrs...

     Fernanda, chateada, pede para  ele subir com ela no quarto, pois sua filha estava dormindo sozinha. Gustavo amassa a carta e a joga no lixo.

     ***

     13 dias depois.

     9 horas da manhã.
     Eles acordam e percebem que a noite passou rápida. Nem ouviram a filha correndo no corredor, brincando. Fernanda se levantou da cama, e vai até o quarto da filha,  para ver se ela já estava de pé. Quando chega no quarto, nota que a menina não está respirando.

     Ela se assusta e coloca a filha entre seus braços. Gustavo também se assusta, veste rapidamente a camisa e pede para Fernanda se acalmar. Fernanda manda ele pegar a chave do carro e correm para o hospital.

     Chegando no hospital a filha já estava sem vida. Tristeza, angústia e dor pungiam o peito da família que chorava sem parar. No velório, realizado na capela, tristes lembranças.

     Gustavo não se conformava e logo lembrou da carta. Da maldita carta.

     ***

     Era noite.

     Horas depois do enterro.
     Gustavo e Fernanda sentados na cama, olhando as fotos da filha, em lágrimas, não se conformavam. Uma menina tão cheia de saúde, morrer dessa forma. Uma morte que nenhum médico descobriu  a causa. Era muito estranho. E novamente, na cabeça do Gustavo, vem a carta.

     Então, ele pegou papel e caneta, já pirado com a perda da filha. Fernanda, sem entender nada, pergunta:

     - O que você pretende fazer, Gustavo?
     - Temos ainda 17 dias, para continuar a corrente e trazer nossa filha de volta.
     - Você está louco? Ela morreu. E qual corrente é essa que você está falando?
     - A corrente da carta. Foi a carta que matou nossa filha.
     - Entenda. Nossa filha morreu. Ela não pode mais voltar. Ela não volta mais!! Nunca maisss!!!

     Mesmo assim Gustavo ignorou a mulher e passou a madrugada escrevendo 20 cartas, para ter certeza que pelo menos 10 iriam ser lidas. As cartas eram semelhantes àquela que ele jogou fora.

     Na madrugada seguinte, foi deixando as cartas debaixo das portas da vizinhança. A missão tinha sido cumprida.  20 cartas entregues, a corrente da fé estava feita, pensava Gustavo, fora de si.

     ***

     17 dias depois.
 
     Era madrugada.
     casal dormia tranqüilamente. Foi quando alguém bateu na porta. Gustavo, meio sonâmbulo, pensava: “Quem bateria na porta dos outros uma hora da madrugada?”
Ele desce a escada, coloca mão na maçaneta, respira fundo e abre.

     E quem ele vê?

     Sua filha!!!  Toda suja de barro, com a roupa toda rasgada, sem nenhum arranhão e nenhum machucado. Como pode estar debaixo de sete palmos, sem ter se machucado? Como pode estar com o corpo intacto, estando 17 dias soterrada debaixo da  terra? Tudo era loucura. Estava difícil acreditar, mas era o que estava acontecendo. Era tudo realidade. Ela estava ali viva ... Viva como nunca.

     Porem Gustavo não estava nem ligando para isso. Deu um abraço bem forte na filha, muito emocionado.

     Fernanda desce a escada e vê Gustavo abraçando a filha morta. Ela não agüenta e desmaia, caindo da escada abaixo.
Gustavo tinha cumprido a corrente e conseguido a filha de volta.

     Mas foi morto em seguida pela própria filha a dentadas, que,  tendo voltado do mundo dos mortos, estava completamente diferente e sanguinária, parecendo um zumbi.

     Em seguida, aquela entidade demoníaca que antes era a filha do casal, também matou a mãe a dentadas.

     E, na vizinhança, muitas crianças morreram, por causa dos pais que não acreditaram na corrente da fé, feita pelo o Gustavo... ou melhor... pela carta amaldiçoada.
        FIM          
mensageirojc
Enviado por mensageirojc em 03/05/2006
Reeditado em 09/05/2006
Código do texto: T149475
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Sobre o autor
mensageirojc
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 32 anos
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