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Condenada ao inferno

Najla entra correndo no quarto e se agacha em um canto escuro tentando se esconder no meio das sombras. Algo havia dado errado no ritual que acabara de fazer com suas amigas, agora estavam todas mortas e ela sabia que logo "eles" estariam ali para buscá-la também.
- Não! Isso não pode acontecer. - Najla balbuciava enquanto balançava seu corpo em um movimento repetitivo tentando entender o que saira errado. - Estávamos tão perto... tão perto...
Logo tem os pensamentos interrompidos pelo barulho da porta principal sendo brutalmente arrombada. Crescia a tensão a medida que o som dos passos iam aumentando na direção do quarto, a respiração cada vez mais ofegante e a sensação da morte se tornava evidente. O brilho da lua cheia do lado de fora formava sombras apavorantes que adentravam pela janela, enquanto os galhos das árvores se rebatiam contra as paredes fazendo tudo ser mais assustador. Não era assim que Najla imaginava sua morte, escondida, humilhada e derrotada.
Num acesso de fúria e insanidade ela se levanta e solta toda aquela angústia e desespero que tanto a sufocava.
- Venham malditos!!! Arranquem a minha pele, quebrem os meus ossos! Não é isso que vocês querem? Venham!!!  - Najla gritava enquanto girava no centro do quarto como se procurasse por alguém e seu coração batia num ritmo alucinante.
Passado aquele momento ela se dá conta de que qualquer tentativa seria em vão e que nada mais poderia salvá-la da perdição eterna, suas amigas já haviam pagado o preço e logo a fúria dos demônios também cairiam sobre ela.  Najla se sentia impotente, nada mais podia  fazer para evitar o fim, as lágrimas começam a rolar dos seus olhos e ela chora feito uma criança que acabara de aprontar uma travessura e temia as consequências. Maldita hora em que foram fazer aquele ritual, mas quem poderia imaginar que tudo acabaria daquele jeito? Elas não tinham culpa, não podiam ser castigadas assim... não podiam...
Novamente seus pensamentos são interrompidos, dessa vez era a porta do quarto que fôra violentamente arrancada. Najla pensa em clamar a Deus, é impressionante como as pessoas sempre recorrem a ele quando estão em alguma situação difícil, mas ela sabia que o todo poderoso não iria atende-la, afinal ela sempre se intitulara como "a satanista" sem nunca se importar com as coisas divinas e sabia que nesse momento tão triste, estava abandonada a mercê do terrível destino que a esperava. Agora ela estava ali sozinha, naquele quarto escuro, além do alcance da fé em Deus, apenas aguardando que eles entrassem e a arrastassem para junto de suas amigas no fogo do inferno. Mas algo estava extranho, por que a demora? Por um instante Najla chega a acreditar que eles teriam partido e que tudo acabaria bem, como nos finais felizes das histórias que sua mãe lia pra ela na infância. Najla decide se levantar para verificar se eles haviam partido, com muito receio se aproxima do umbral onde outrora fôra a porta do seu quarto quando é lançada violentamente de volta ao chão por uma lufada de vento. Tentando se recompor da queda ela se arrasta com muita dificuldade até um canto do quarto enquanto eles vão surgindo como se viessem direto do fogo do inferno, com seus olhos em chamas e suas asas queimadas, eram eles, os "caídos".
Najla se ajoelha com os olhos cheios de lágrimas enquanto se apoia nas paredes tentando elevar seu corpo para colocar-se de pé, deixando todo o medo que sentia de lado e enfrentando a tristeza que abatia seu coração ela se entrega aos demônios que vieram buscá-la,  já se conformara com seu fim, sabia o que a esperava lá em baixo, ou pelo menos imaginava... Porém já não tinha medo, uma última lágrima de arrependimento rola pela sua face e lentamente fecha os olhos enquanto sente a pele sendo dilacerada pelas criaturas do inferno que se deliciam a cada corte feito em seu corpo, quando Najla finalmente abre os olhos ela se depara com um horror que jamais imaginara, vê pessoas gritando enquanto são torturadas num sofrimento eterno e o medo toma conta de sua alma mas já era tarde e logo seus gritos também se mesclariam com os outros ali presentes... Najla estava condenada ao inferno...
Daniel Hideki Sugui
Enviado por Daniel Hideki Sugui em 15/07/2006
Código do texto: T194500
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Sobre o autor
Daniel Hideki Sugui
Japão, 33 anos
1 textos (114 leituras)
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Daniel Hideki Sugui