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A Chuva

“E depois do começo, o que vier vai começar a ser o fim”
                                             Renato Russo
   

     Chove, parece mesmo que o céu está para desabar, tem sido assim há vários dias, no começo ninguém estranhou aqui sempre chove muito, as pessoas costumam marcar seus encontros para antes ou depois da chuva, mas agora, depois de chover dias e dias sem parar as pessoas começam a se questionar sobre o que realmente está acontecendo.

     Os acidentes no transito se repetem, as pessoas estão irritadas, desatentas algo estranho paira no ar, será apenas o medo da chuva incessante que ninguém consegue explicar?

     Os hospitais estão cheios os médicos não sabem o que fazer, surgiu uma nova doença pelo menos é assim que estão definindo estranhos casos, de pessoas cujos sinais vitais pararam, mas que mesmo assim continuam “vivas” ou pelo menos parecem vivas, pois podem se mover de maneira similar às pessoas normais, não infectadas, esses seres são capazes de raciocinar mesmo que de forma não linear, e sobre tudo tem fome. E essa fome que parece ser o começo e o fim de tudo para eles.

     O governo tenta tranqüilizar a população com mensagens difundidas pela mídia “Prezados Cidadãos não há com que se preocupar, estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para controlar a epidemia”. É o que eles dizem, por que será então que o presidente e as demais autoridades de alto escalão e suas famílias foram transferidos de suas confortáveis residências para locais indeterminados? O sol se põe, mais uma vez a noite chega e com ela o terror, as pessoas não podem mais sair de casa em segurança, o toque de recolher começa às 17h00min, todos estão com medo. Alguns noticiários da TV foram substituídos por programas de grande audiência, as reprises de novelas e filmes de sucesso estão no ar 24 horas.

     Comida e água estão racionados, a policia permanece nas ruas com tanques e metralhadoras tentando conter os saques e a onda de violência que se espalha por todo o continente. Estamos isolados o medo e o terror invadem a mente das pessoas causando surtos psicóticos, o número de mortos aumenta a cada dia, já não há cemitério suficientes para todos, com medo de que doenças de espalhem os cadáveres são queimados as centenas.

     Existem grupos de pessoas que tentam conter o avanço dessas criaturas, é difícil saber em que pé as coisas realmente estão, as noticias são conturbadas, sinais de rádio amador convocam pessoas para que se juntem aos grupos de ataque, as pessoas são conclamadas a lutarem por suas vidas.

     As cidades estão imersas no caos, há lixo por toda parte, animais outrora domésticos vagam pelas ruas, esquecidos ou abandonados por seus donos, à chuva não cessa e os casos de suicídio aumentam de maneira alarmante. As estradas estão isoladas existem barreiras por toda parte tentando conter assim o avanço da epidemia, os grupos de extermínio caçam as criaturas semi-humanas que vagam pelas ruas, essas pessoas corajosas são agora a maior esperança do que sobrou da população.

     A chuva parou há dois dias, as pessoas parecem estar menos aterrorizadas depois desse fato, os grupos de extermínio trabalham a todo vapor, mais pessoas saem à rua durante o dia tentando destruir os estranhos seres que lhes tomaram as cidades, a paz a própria vida.

     Os semi-mortos estão mais fracos agora parece que com o fim da chuva seu processo de decomposição de acelerou, seus movimentos se tornam cada dia mais lentos.
A TV retoma aos poucos as transmissões interrompidas há dias, nos boletins periódicos informam sobre as praticas e o avanço na luta contra aqueles seres macabros, as pessoas tentam voltar a viver mesmo que lentamente, alguns serviços básicos como luz e telefone estão voltando. Aos poucos os poucos que restam estão tentando reconstruir suas vidas.

     As pessoas são convocadas pelo governo a se alistarem segundo sua disponibilidade, nos vários mutirões criados visando transformar o que restou das cidades em lugares habitáveis novamente, devagar tudo parece entrar nos eixos.

     Diminui a cada dia o numero de criaturas mortas pelos grupos de elite treinados pelo governo, que parecem ter assumido o controle da situação, informados pelos boletins de radio e TV, os hospitais solicitam às pessoas que, tiveram contato prolongado com a chuva, que se apresentem para receber cuidados médicos e no intuito de realizarem exames e testes.

     Com a ajuda da população as cidades ganham vida novamente, uma vida diferente por certo, a cada momento podemos notar alguém olhando temeroso para o céu e ao primeiro sinal de uma nuvem escura, as pessoas se dão conta de que não estão tão seguras quanto imaginavam.
Selva
Enviado por Selva em 19/07/2006
Reeditado em 13/04/2009
Código do texto: T197523

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Sobre a autora
Selva
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
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