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A NOIVA

                                      A NOIVA

        A noiva era uma criatura lindíssima, quase diáfana ,e envolta em véus.Saiu do automóvel e subiu as escadas da igreja, parando um pouco na entrada para que todos a vissem, com um lindo sorriso afável aos convidados, como que agradecendo os elogios que lhe mostravam através do olhar.
Confiante andou para o altar e segura ainda, casou.
Os padrinhos se reuniam  em torno da noiva, do charme do  vestido, cumprimentavam o noivo, admiravam, e a noiva sorria, sorria,sorria...
       Só o que nenhum deles sabia eram os sentimentos desta noiva que como ela se encontravam enrolados e escondidos em véus.
      Tirado o véu aparecia a tensão de uma menina,virgem ainda, com medo do desconhecido, e que não tinha ,no justo momento do sim, outra opção pois ou casava ou era rejeitada socialmente e por sua  familia.Casou e tiramos o outro véu: a noiva se sentia acuada. Entretanto,menina ainda, risonha,ingênuamente, entendeu seu sentimento como um medo natural que o marido havia de resolver.
       Passou no dia  do casamento a partir das seis da manhã às dezessete horas , sendo primeiro arrumada por um desfile de maquiadoras, cabelereiros ,costureiras, e após encima dos saltos altos a posar para fotos e cumprimentar os convidados.
         Tirado este outro véu ,encontramos uma noiva  já cansada e que espera o conforto, o descanso, e a compreensão do marido em sua primeira noite. A noiva queria um banho quente e depois dormir abraçadinha,nada mais.A tensão do dia a entorpecia, sequer pensava em ter vida íntima  à noite, muito menos que ele quisesse pois,sensível,como habitualmente se mostrava nos tempos de namoro, havia de a compreender e aconchegar em um abraço afetuoso.
O passo seguinte,a sua iniciação sexual ele deixaria para o amanhecer, homem experiente que se mostrava.
Francisco nota, percebe o vulto e as curvas de sua noiva deitada.Lembra que lhe havia pedido para descansar neste dia, a fim de que com um vigor renovado, dessem início a sua vida íntima.
Ocorre que para ele,Francisco, as mulheres tem suas tarefas, obrigações a cumprir e uma delas é se dar sempre, em qualquer ocasião ou circunstância ao marido ,e assim pensando,resolveu começar a ensinar a primeira lição a sua noiva, e  se botou e avançou  e a fez calar os tímidos movimentos de recusa,os protestos e,depois, os soluços.Para Mariana ele tinha sido brutal e sem compreensão,para ele a mulher(agora)não tinha cumprido seu dever,sua obrigação.
        A madrugada assoviou e apareceu brincando no quarto da noiva ,se encarregando de despir o último véu ,iluminando o rosto e encontrando,mostrando,a face de uma mulher infelicíssima.
    Os resultados da ação impulsiva e intempestiva de Francisco,não se fizeram esperar.Mariana ficou com medo,quase fóbica,ao ato sexual e o que devia ser prazer,para ela se transformou em horror.
Tempos depois teve que consultar um terapeuta e fazer uma psicoterapia  para poder se entregar ao marido.A medida tomada resolveu o problema, e Mariana pôde,então,usufruir,gozar,gostar das relações genitais com o marido,que acabou aceitando a situação,mas ,insensível para sentimentos sutís e finos nunca a compreendeu.
Mas o passado nunca se esquece e Mariana,vez em quando fica tristonha ao lembrar a primeira noite de casados que lhe diziam ser maravilhosa!
                                 
Suzana da Cunha Heemann
Enviado por Suzana da Cunha Heemann em 12/08/2006
Reeditado em 23/01/2011
Código do texto: T214927
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Suzana da Cunha Heemann
Fortaleza - Ceará - Brasil
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Suzana da Cunha Heemann

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