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O caso Thomas.

        Thomas voltava de sua longa jornada noturna, trazendo consigo uma sacola de compras. Ele seguia pela calçada que corta o parque Hilston. Uma longa caminhada até sua residência, na rua Wing, um pequeno cubículo com espaço suficiente para uma geladeira, um fogão, uma tv e uma cama. Chegando na esquina dessa rua ele avista uma multidão se aproximando da residência dos Silva. Muito curioso ele resolveu se aproximar dessa multidão.
O barulho era intenso. Pessoas em estado de euforia, pânico se aglomeravam em frente a residência. Os carros se amontoavam ao longo de toda a extensão da rua Wing. Até equipes de tv apareceram no local. Os vizinhos estavam bastante comovidos com a cena que viam. A senhora Silva estava desolada, mal conseguia se manter de pé. Já o senhor Silva tentava manter a calma e consolar a esposa. O certo mesmo é que ninguém conseguia entender por que a filha mais nova dos Silva foi brutalmente assassinada e seu corpo deixando em frente a sua casa. Todos se perguntavam sobre os possíveis motivos que levaram o assassino a cometer crime tão violento, já que Catarine aparentava ser uma jovem tão dócil, gentil...
Thomas se aproximou do local do crime. Não aparentava estar tão abalado quanto as pessoas que o rodeavam. Observou bem o corpo ensagüentado de Caterine. Enxugou o suor do rosto e olhou para a multidão em volta. Rostos espantados, grunhidos de terror, tudo era captado pelo seu impressionante senso de atenção . Depois, abaixou a cabeça em sinal de respeito e continuou sua caminhada para casa. A última coisa que ouviu foi as sirenes do corpo de bombeiros.
Jogando as sacolas de comprar sobre uma pequena bancada Thomas jogou-se na cama demonstrando bastante cansaço. Ficou a refletir sobre a morte de Catarine e com isso veio-lhe lembranças dela. A moça não tinha toda essa fama de bondosa como todos diziam. Ao contrário, ela era insensível e muito vulgar. Mentia para os pais dizendo que ia estudar na casa de amigas, mas na verdade dançava em uma boate no centro da cidade até altas hora da noite.  Thomas por um instante pensou que a péssima fama de Caterine poderia trazer-lhe inimigos para matá-la.
O sono foi profundo. Thomas acordou às 7 horas da noite. A tv estava ligada. Os tele jornais exibiam reportagens sobre as misteriosas mortes de jovens que eram brutalmente assassinadas e seus corpos deixados em frete a suas próprias casas. O caso já estava sendo investigado há alguns meses pela policia local e nenhum suspeito foi preso. Não foram encontrados qualquer pistas que levassem ao autor dos crimes. Thomas fez um breve levantamento das vitimas e percebeu que as mesmas levavam uma vida noturna: umas trabalhavam em boates, outras em lojas de conveniência. Todas eram jovens atraentes. Isso lhe causou um certo terror pois ele teve contato com todas elas durante suas rondas noturnas.
Thomas não tinha emprego. Vivia do dinheiro que seu pai mandava para pagar sua faculdade que ele sequer chegou a se inscrever. Tinha hábitos noturnos. Visitava o bar Boston para ver as dançarinas semi nuas. Fazia compras numa loja de conveniência que ficava na parte norte da cidade. Praticava sua caminhada pelo parque Hilston e sempre voltava pela mesma calçada. Como uma especie de “Guardião da noite” Thomas se sentiu na responsabilidade de pegar o assassino. Ele não tinha medo pois sentia uma força sobre humana brotar em seu corpo quando saia a noite, como se a escuridão lhe recarregasse as energias.
Thomas então parou para pensar: onde o assassino teria a melhor oportunidade de abordar sua vítima sem ser percebido? Logo veio-lhe a mente o parque Hilston. Lá seria ideal pois a iluminação era péssima e as arvores formavam uma floresta quase impenetrável. Depois disso ele fez uma pequena lista de possíveis vitimas do assassino. Nessa lista só sobraram duas jovens que trabalhavam no bar Boston. Confiante em seu sucesso Thomas foi saiu para mais uma jornada noturna.
Passando pela calçada Thomas avista um homem sentado próximo a um poste de iluminação. Quando se aproximou viu que o tal homem tinha uma garrafa de conhaque nas mãos. Esse homem tinha uma aparência repugnante, apesar da péssima iluminação impedir um exame mais apurado de sua face. Depois de tossir o homem dirige a palavra a Thomas:
-Vejo que está muito confiante... O que procura meu rapaz?
       Thomas se sentiu incomodado com a pergunta do homem. Sem responde-lo seguiu em frente. Mais adiante encontrou as moças as quais procurava. Ofereceu-se para levá-las em casa, em segurança.
       No dia seguinte mais uma multidão se formava na rua Duping. Duas jovens foram encontradas mortas em frente de casa. Thomas foi tomado por um pânico que jamais sentiu. Ele mesmo se ofereceu para levar as moças em casa.
       Ainda tomado pelo pânico Thomas recebe uma ligação de uma grande amiga sua. Ela se chamava Clara e dizia que tinha conseguido um emprego na loja de conveniência do centro, iria trabalhar à noite. Thomas mau podia falar, mas quando o conseguiu disse com dificuldade:
Você não pode aceitar esse emprego, você corre perigo!
       Já passava das nove horas da noite. Thomas não queria sair de casa. O medo o impedia de fazer qualquer movimento. Se sentia acuado, como um rato, e isso lhe deixava ainda pior. De repente veio lhe a mente a imagem do velho sentado ao lado da calçada, no parque Hilston. Thomas então sentiu um súbito alivio, como se tivesse solucionado um caso impossível. Agora tomado de animo seguiu para o parque para encontrar esse homem.
       E lá estava ele, no mesmo lugar. A figura de um ser desprezível e alcoólatra. Thomas pensou em abordá-lo, mas de repente o velho se levantou e erguei a garrafa de conhaque. Apontando-a para Thomas ele então disse:
-Pensa que encontrou, mas está enganado. Está procurando do modo errado.
       Depois de proferir essas palavras o homem largou a garrafa e começou a rir de forma copiosa. Thomas percebeu que estava errado e seguiu em frente mais uma vez. Foi até a loja de conveniência e esperou sua amiga até o horário de saída dela.
       Os dois passaram pelo bar Boston, seguiram pela avenida principal até chegar ao parque Hilston. Quando estavam passando em frente ao velho bêbado Thomas sentiu um calafrio, tão intenso que o fez parar. Clara seguiu em frente, sem olhar para traz. O velho então disse a Thomas:
-Talvez o que procuras estejas tão próximo que sequer possas ver. Mantenha sua mente aberta meu jovem, só assim encontrarás.
        Dito isso o velho se levantou e desapareceu em meio as árvores do parque. Thomas ficou apreensivo com as palavras desse velho. Parado no meio do caminho sua mente foi atacada por pensamentos medonhos. Começou a pensar em Catarine, no modo como ela dançava na boate.  Podia sentir sua pele lisa e fria. Pode escutar claramente o choro dela e o suplicio para que não a matasse. De repente tudo ia se misturando em sua mente, ilusão e realidade. Uma energia inexplicável o acometia. Suas mãos congelaram, o suor desceu-lhe o rosto. O choro das moças mortas virava um coral de agonia e dor. Thomas então andou mais depressa, em direção a Clara. Pegou em seu braço e a segurou. Os pensamentos em sua mente estavam em alta velocidade. Thomas então descobriu o verdadeiro assassino, mas agora é tarde demais. Em seu bolso tirou um pequeno punhal. Um grito cortou o silencio no parque Hilston. Clara estava morta, com uma apunhalada no peito. As mão de Thomas estavam sujas de sangue. Se sentiu leve de novo, mas sua consciência pesava agora, a morte de várias jovens.
Mazin Queiroz
Enviado por Mazin Queiroz em 17/08/2006
Reeditado em 17/08/2006
Código do texto: T218915
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Sobre o autor
Mazin Queiroz
Gama - Distrito Federal - Brasil, 32 anos
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