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Promessa

     OOOOOOOOOOOOOOOO Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee A luz da varanda ta queimando.
     Até parece que eu não sei disso menino, pensou Éster enquanto preparava o peixe e pensava: quanto tempo mais eu agüento viver aqui nesse fim de mundo sem carne de porco meu Deus?
    Sua irmã que sempre tivera atitudes muito estranhas resolveu, de uma hora pra outra, que a família deveria se mudar de mala e cuia para aquela ilha perdida no mapa, segundo explicações de Vitória a mudança seria para a segurança de todos. Não querendo e nem podendo discutir com a irmã que sempre sabia quando criança onde estavam os objetos perdidos na casa,  e até mesmo pelos vizinhos e uma vez disse direitinho, onde estava a chave do carro que seu chefe do papai tinha perdido a duas semanas, num sitio imenso durante aquela festa da firma.
    Mais uma vez então ela e a família não tiveram outra opção além de aceitar a sugestão-imposição da irmã e mudar.
    Éster na verdade estava cansada, muito cansada de se preocupar com o trabalho, com os filhos, com a mãe doente, e definitivamente não ia ficar brigando com a irmã por causa das suas “excentricidade”.Precisava da ajuda dela para cuidar da família.
    Pretendia ficar naquela ilha por mais um tempo, e se não acontecesse nada que justificasse sua permanência ali juntaria suas coisas e iria embora.
    Olhando pela janela notou a luz da varanda piscar mais uma vez, notou também sua irmã Vitória sentada na cadeira de balanço olhando o céu vermelho daquele entardecer.
    Naquela noite Vitória teve um de seus pesadelos horríveis e acordou toda a casa mandando aos gritos que todos se escondessem no antigo abrigo anti-furacões que a casa possuía, quando Éster pensou em colocar um fim naquela maluquice toda mandando sua irmã se acalmar, um som de passos no terreiro fez com que ela voltasse o rosto para a direita e visse pela janela o rosto pálido do seu Onofre olhando para o interior da casa, com um ar de tristeza e fúria.
    Éster em estado de choque não consegue se mover e puxada escada abaixo pela irmã Vitória sem acreditar no que acabava de ver, Seu Onofre tinha morrido há 10 anos, como poderia estar me pé em frente a sua janela da sala?
    Vitória então se aproxima das crianças no sótão e tenta consolá-las dizendo que todo vai ficar bem, a mãe de Vitória e Éster estava sentada num canto muito pálida e abatida, sem nada dizer olha para suas filhas e netos e se dirigi a porta, Éster tenta impedi-la dizendo que ela não deve sair, mas recebe apenas a simples resposta: Ele está me esperando....
    As crianças começam a chorar sem nada entender e pedem a avó que não saia. Mas Dona Eulália simplesmente abana a mão num triste adeus e sai.
    Todos no porão estão perplexos e sem ação, Éster chora compulsivamente sem nada entender, então Vitória reuniu todos os parentes a sua volta e começa a contar a estória da vida de Dona Eulália que quando moça era muito cabeça de vento e queria ter uma vida confortável e cheia de luxo e dinheiro, Seu Onofre na época um rapaz bonito e trabalhador pediu a mão de Dona Eulália que prontamente aceitou pois o moço era muito formoso e rico, e todos sabiam que receberia uma herança em poucas semanas para isso que teria de fazer uma viagem rumo a outro pais. Na despedida em frente ao trem Onofre pede a Eulália que espere por ele, a esse pedido Eulália prontamente responde que sim, que esperará pela vida inteira caso seja necessário.
    Com o passar dos meses Eulália se impacienta com a falta de noticias de Onofre e recebendo outra proposta de casamento de um rico industrial estrangeiro, resolve esquecer sua promessa e casasse com o novo pretendente viajando em lua de mel para a Índia.
    Anos depois Eulália recebe noticias por amigos em comum que Onofre estava muito doente devido às condições de viagem e a uma moléstia contraída durante sua volta para casa. Os parentes e amigos mais chegados insistem para que Eulália vá vê-lo, porem ela se recusa e diz que não existe mais nenhuma ligação entre eles que o tempo deve apagar as lembranças e as promessas.
    Porém naquela noite que Vitória já havia pressentido em seus sonhos, e que tentara a todo custo evitar, a noite em  que aconteceria o casamento de Eulália com Onofre há 30 anos atrás, naquele porão todos tiveram a prova de que nem sempre o tempo apaga todas as lembranças e as promessas.
Selva
Enviado por Selva em 15/09/2006
Reeditado em 13/04/2009
Código do texto: T241121

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Sobre a autora
Selva
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
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Selva