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A Dona da Verdade

 Meus dias estão contados, pois a desprezível e doida Dona da Verdade é pertinaz e falsamente delatora.
 Ela esta me saturando de uma profusão de algo que aturde minha cabeça. Eu estou ficando louco? Posso jurar que não, porque aquilo que fiz não foi um ato de loucura.
 Bem, foi um ato natural como nossos instintos esquecidos e primordiais que o homem persiste em julgar torpe, devasso, e vil. Oras! Que idiotia.
 Fui, sou e vou ser um homem normal. Eu não sou louco. Apenas senti o perfume da carne humana e vi que não havia mal nenhum em comer. Se comemos até animais impuros como o porco, porque eu não comeria um homem?
 Em verdade foi uma mulher que não disfarçava seu suave odor natural. Seu perfume carnal era alucinante. Não pensem que me alucinou ou entorpeceu. Pois quem faz isso e a Dona da Verdade, mas não posso dizer o que é, pois não há motivo.
 Dona Maldita, desgraçada.
 Sacrifiquei a animal como que um homem mata uma vaca. E a preparei do mesmo modo.
 Um sabor exótico e delicioso, de uma peculiaridade diferente de qualquer carne regada em sangue.
 Vocês não sabem o quanto é doce a carne do homem, que me proporcionou uma propagação abundante de dopamina em meu cérebro.
 Foi aí que a tal Dona veio me atormentar. Dizendo nos labirintos do meu cérebro:
“Você é louco, você é louco, você é louco, você é louco”.
 Também quis matá-la e engoli-la, mas ela é impenetrável, intransponível e Maldita.
  Eu?Eu não sou louco, não. Comer homens é normal. Faz parte do ciclo natural.
 Mas a Dona Consciência, a pior de todas as invenções da mente (bem como a loucura), me fustiga com essas palavras: ” Você e louco”.
 Quero matar essa Consciência, pois não estou louco, não sou louco. A Consciência é    louca, e deve morrer.
 Mas como eu disse, ela é pertinaz e imortal enquanto viva.
 Uma conjectura extraordinária veio em minha cabeça, devo morrer para matá-la.Assim, substanciar a acusação de loucura.
 Viram só o quão discernido sou?
 Só desse jeito posso me ver livre daquela voz infame que injustamente me denunciava. Apenas assim me liberto, enfatizando a idéia de que não fui, não sou e não serei louco.



lord edu
Enviado por lord edu em 05/11/2006
Código do texto: T282944
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Sobre o autor
lord edu
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 28 anos
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