Plano Diabólico
 
 
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Heitor Savallas era casado com Sophia Lambrou, uma mulher atraente, e de uma antiga e aristocrática família Grega. Era alta e magnífica, com uma dignidade inata. O casamento dos dois foi uma surpresa geral para a sociedade Grega, por eles terem passado por todas as formalidades em menos de dois meses.
 Heitor Savallas era dono de uma frota de navios que fazia fretes por todo o  continente, enquanto Sophia era filha única de um ilustre banqueiro.
 No começo parecia um casamento perfeito. Heitor era divertido e atencioso. Era um amante excitante e ardente, constantemente surpreendia a esposa com presentes suntuosos e viagens a lugares exóticos. Típico de um autentico cavalheiro.
 E já na primeira noite da lua de mel, ele manifestou sua maior vontade:
Teremos muitos filhos.
 Os dias correram e viraram meses, eis que chegou aos ouvidos de Heitor a grande noticia.
 No dia que soube da gravidez da esposa, Heitor ficou  extasiado e confiante. Abraçou sua amada e profetizou:
Ele vai assumir meu império!
 Mas infelizmente Sophia abortou no terceiro mês... O homem ficou fora de si quando descobriu que sua amada não poderia mais lhe dar filhos, devido a uma grave deformidade em seu útero.
 Daquele momento em diante a vida de Sophia tornou-se um inferno. Heitor comportava-se como se a esposa tivesse deliberadamente matado seu filho. Ignorava-a e começou a sair com outras mulheres.
 Sophia poderia até suportar isso, mas o que tornava a humilhação tão angustiante era o prazer que o marido sentia em ostentar publicamente suas ligações amorosas. Levava suas amantes para sua ilha particular em seu iate. A imprensa registrava alegremente as aventuras românticas de Heitor Savallas.
 O casamento de Heitor e Sophia vinha se desintegrando há anos, mais a gota d’água aconteceu quando ela descobriu que Heitor estava saindo com sua melhor amiga.
Você consegue transformar qualquer mulher em uma prostituta! – Gritou ela – Tudo que toca, se transforma em lixo! Você é meu marido e eu ainda o amo, mais vou lhe jurar uma coisa: Eu vou acabar com você, você vai pagar por todas as humilhações que me fez passar no decorrer desses anos!
 Heitor fitou-a nos olhos e percebeu que dizia a verdade, mesmo assim não se preocupou.
 
 No começo Sophia não fazia a menor ideia de como faria. Sua vida não tinha mais importância, precisava acabar com a dele...
 A ideia surgiu em uma noite depois de vê-lo chegar de mais uma de suas noitadas...
 Heitor ainda trabalhava em seu escritório quando Sophia entrou. Ela carregava um embrulho com um barbante grosso. Tinha nas mãos um facão de cortar carne.
Heitor, poderia cortar esse barbante pra mim? Não consigo.
 Ele levantou os olhos para ela e disse impaciente.
Onde já se viu segurar uma faça pela lamina?
 Ele pegou a faça e começou a cortar o barbante.
Não poderia pedir a um dos criados para fazer isso?
 Sophia não respondeu.
Pronto!
 Ele largou a faca e Sophia pegou-a pela lamina com todo o cuidado. Voltou para o quarto e depositou a faça dentro de uma embalagem plástica e a guardou no fundo de uma gaveta do criado mudo. Pronto. Agora era só esperar chegar a noite e colocaria seu plano em ação.
 
 Sua majestosa casa localizava-se aos redores de Pireu, tendo ao fundo um imenso lago, rodeado de arvores frondosas e altas. Era ali onde Sophia planejava finalizar seu plano de destruir o marido.
 Heitor costumava chegar em casa altas horas da madrugada e ia direto ao seu quarto, a muito tempo deixou de visitar o leito matrimonial, onde a esposa dormia.
 Já se aproximava das 22hs, quando Sophia resolveu que tinha chegado a hora. Todos os criados já tinham se recolhido e a casa se encontrava no mais absoluto silencio. Pé ante pé, ela foi até o quarto do marido e escolheu uma camisa que se encontrava na sexta de roupa suja e arrancou um botão, voltou para o quarto e aleatoriamente jogou  no tapete do quarto, pegou o relógio de ouro que ganhara do marido e quebrou, jogando sobre o criado mudo, enquanto revirava todo o quarto. Quebrou o abajur,e conseguiu desprender uma das cortinas das presilhas. Pegou cuidadosamente a faça no fundo da gaveta,  enrolou na camisa que mais cedo tinha retirado o botão e desceu até o lago.
Chegou a hora... – Pensou ela quando se aproximou do lago
 Pegou a faça pela lamina, enrolou o cabo na camisa e fechando os olhos, respirou fundo e se preparou para o grande ato. Cravou a lamina na parede abdominal na altura do umbigo.
 A dor foi intensa... O sangue começou a escorrer manchando a areia. Começou a sentir-se tonta, cambaleou até um pequeno morro, pressionado o sangramento com a camisa.
 E dentro do tronco de uma velha arvore caída, ela depositou a faça enrolada a camisa ensanguentada..
     Caminhar de volta até o lago foi uma tortura. Caiu de joelhos e pensou:
Não posso desistir agora! Tenho que conseguir!
 Continuou a andar, lutando contra a vertigem que a dominava, por fim, sentiu a água fria do lago em seus pés e sorrio. Agora era só continuar andando.
 Quando a água fria bateu no ferimento ela não resistiu e gritou de dor, mas o ódio pelo marido falou mais alto e ela continuou até sentir que finalmente suas forças acabaram...
 
 No dia seguinte Heitor saiu para o escritório como fazia todas as manhãs. Lá pelas 11 horas sua secretaria anunciava que um investigador de policia  tinha urgência em vê-lo.
Mande entrar, essas pessoas estão sempre querendo contribuições que nunca sabemos onde vão parar.
 Quando o investigador entrou já foi logo anunciando:
Sr. Savallas, o senhor esta preso pelo assassinato de sua esposa.
 Tudo parecia acontecer em câmera lenta. As provas eram incontestáveis. Tudo no quarto levava a crer que tinha acontecido uma briga, objetos virados, o botão de uma camisa que horas depois foi encontrada enrolada em uma faça com suas digitais, manchas de sangue na areia que levava ao lago e finalmente o corpo boiando nas águas geladas, com o ferimento mortal em seu flanco...
 Finalmente Sophia tinha conseguido destruir o intocável Heitor Savallas...

 
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Zeni Silveira
Enviado por Zeni Silveira em 04/10/2013
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