“Carandiru, a revolta dos cadáveres”

Um jovem desordeiro, sem controle das suas ações, Alfredo completa dezoito anos, a sua adolescência foi completamente desordenada, filho de bons pais, mas desobediente, sempre se envolvendo em confusão. As oportunidades para o mundo do crime surgem na vida de Alfredo como que por encanto. Isso o torna cada vez mais perigoso e sem controle, seus pais já não conseguem mais educá-lo, o jovem, agora de maior idade, esbanja experiência no mundo do crime.

“Carandiru, a revolta dos cadáveres”

No dia 22 de janeiro de 1991 Alfredo se encontra com Lafaiete, seu amigo e mestre nas artes do crime, Lafaiete é um homem maduro, criado nas ruas da cidade grande, São Paulo foi sua escola no mundo do crime, Alfredo, inda menino, inconformado por viver uma vida pacata, simples junto de seus pais, se torna presa fácil ao perigoso e aliciador de crianças para um mundo sem volta.

O mundo das drogas, da criminalidade.

Alfredo esta decidido a aprender tudo.

De inicio ganha uma pistola de calibre – 765. Alfredo com apenas 12 anos de idade; a ilusão de aventura e liberdade inunda as idéias férteis do menino.

Ele se dedica de corpo e alma a tudo que lhe ensina o mestre.

O dia 22 de janeiro é uma data inesquecível, Alfredo agora com dezoito anos, recebe uma missão de Lafaiete, algo para um homem adulto, diz Lafaiete ao determinar a pior crueldade a ser executada por Alfredo.

Lafaiete – tem um cara filho ta puta me ameaçando, ele diz que vai denunciar a organização, eu quero que você foda com a vida dele.

Já é, tamo junto mano, diz Alfredo! Pa quando é a parada? Hoje, vai La porra, mete bala nos cornos desse safado, vai a noite, eu não quero que ninguém te vê lá não moleque, nem o presunto pode te vê, ta ligado? Beleza, eu já mandei uma pa de presunto pra vala, este ai vai ser mole.

Na verdade, Alfredo já tem um currículo extenso na arte de matar pessoas, mas desta vez, Lafaiete teria lhe dado uma missão pra lá de cabulosa.

Então vai nessa moleque, pega tua cabritinha e pedala, a parada é La na favela da tua quebrada, manda o safado pra casa do caralho e volta aqui rapidinho, vai lá, vai logo.

Alfredo desce a rua em direção a viela que fica atrás do barraco de seus pais.

Ao chegar ao local, ele finge cair da cabrita (bicicleta), isso vai chamar a atenção da sua vitima, que ao se aproximar, vai levar chumbo.

A noite é fria, havia chovido e a rua estava molhada, formando poças de lama, por volta das oito da noite, as coisas acontecem do jeito que ele planejou. Ao cair; propositalmente, grita e o senhor Barbieri sai em direção a ele.

Ao ver o homem Alfredo tem dificuldade de enxergar, devido à escuridão da noite sem luar. Com dificuldade, o homem se aproximando, Alfredo saca sua pistola, mira em direção ao vulto que se aproxima.

E ouve um grito de mulher, não... Não faz isso, nãoooooooo.

Alguns segundos de silencio calam a boca da noite, em seguida uma rajada de tiros sai do cano da pistola, nenhuma bala se perde, todas acertam a cabeça, pescoço e tronco da vitima que cai de rosto na poça de água imunda daquela viela.

Mais um grito da mesma mulher, agora a mente de Alfredo o revela, é seu pai, você o matou, reclama com os olhos inundados de lagrimas a senhora Dolores.

A ira, a cólera toma a alma do moleque, que agora já tem idade de ir pra cadeia, o plano de Lafaiete deu certo, matou dois coelhos numa só cajadada, matou o pai do menino pelo fato de constantes ameaças, e o moleque vai pra cadeia, assim ele não precisa pagar a merreca que ofereceu pelo serviço; finalmente um plano perfeito. Sem pensar, Alfredo se levanta, passa as costas da mão, a qual segura à arma com o cano inda fumegando fumaça com cheiro de pólvora sobre o nariz, os olhos secos, sem lagrima alguma, sua idéia é clara, voltar ao salão e executar Lafaiete, sem dó, nem piedade.

Mas já é tarde, a policia recebia uma denuncia anônima, uma voz denunciava um crime na viela e as rádios patrulhas se dirigiam para o local rapidamente, Alfredo foi pego em flagrante.

Foi preso, antes do julgamento, caiu no Carandiru.

Ficou La mais de um ano, 1992, uma ordem cruel é dada aos policiais, entram naquela porra, fode aqueles farrapos dos infernos, que só servem para atrasar o nosso lado.

Aquela noite seria o fim de mais de uma centena de vidas, Alfredo foi um deles, morreu com vários tiros, uma noite de terror, a mídia divulgou a chacina, aviam corpos boiando em sangue pelos corredores da prisão maldita.

Mais tarde, meses depois, as almas assassinas daqueles que perderam a vida de forma aterrorizante, começam a vagar por entre as grades enferrujadas do presídio em ruínas.

Ao cair da noite, os poucos dos funcionários que ali ficaram, ouvem vozes vindo do fundo do presídio, correntes arrastando, gritos de homens clamando por misericórdia.

O ódio de Alfredo estava tão evidente, que sua alma fugiu do inferno, o prédio em ruína passa agora será sua moradia, ali dentro o espírito de Alfredo atormenta aqueles que lhe hostilizou, feriu... Agora, a vingança é sua meta.

A noite é seu berço, suas vitimas começam a ser assombradas.

Mas seu alvo; continua sendo Lafaiete.

Numa noite, o bandido sai com seu carro importado e ao parar num farol, um moleque de rua se aproxima, o moleque tem o rosto coberto com um capuz. Ao baixar o vidro imprudentemente, Lafaiete percebe que o moleque não tem reflexo no retrovisor, imediatamente tenta fechar o vidro da janela, mas inútil. Alfredo coloca o rosto desfigurado bem na frente de Lafaiete, seu coração dispara em seguida o carro de trás bate na traseira do carro importado, mas o cara não desce para conversar com o causador da batida.

E arranca em alta velocidade, no próximo cruzamento ele percebe que não esta só, no banco de traz esta Alfredo com seu rosto desconfigurado, sujo de sangue.

Lafaiete deixa o carro e corre por entre os carros que trafegam pela rua.

À noite o sono não vem. Lafaiete esta com insônia. Vai ao parapeito do quarto do seu apartamento no quinto andar do prédio, Alfredo o espera, o espírito do garoto assassino vem na direção do bandido e o empurra, Lafaiete cai do quinto andar, ao cair na calçada, uma foto cai a seu lado, a foto do pai de Alfredo, uma foto que Lafaiete planejava mostrar aos comparsas dele, caso o moleque falhasse em sua missão.

O presídio do Carandiru foi demolido, acabou tudo ali, a vingança de Alfredo se concretizou, agora, seu espírito descansa, no aguardo do julgamento final.

Fim

“Esta historia é fruto da imaginação do autor, qualquer semelhança com historia real, é pura coincidência.”

Joel Costadelli
Enviado por Joel Costadelli em 24/10/2013
Código do texto: T4540063
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