*** VELHO OESTE ASSOMBRADO - 1ª TEMPORADA - CAP.3: DEPOIS DA MATANÇA ***

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

Ainda que eu ande pelo Vale da Sombra da Morte, não temerei mal algum; porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

SALMO 23.2-4

Os primeiros raios de sol surgem meio tímidos no horizonte, anunciando uma nova manhã para os cidadãos de Mariah Field - manhã de incertezas. Ninguém conseguiu realmente dormir durante, todos ainda se faziam às mesmas perguntas: o que de fato aconteceu de verdade? os mortos estavam mesmo andando entre nós? foi tudo real ou apenas um pesadelo? Tantas perguntas e nenhuma resposta plausível. Certo mesmo era que eles continuavam lá, vagando pelo deserto meio desorientados: os mortos-vivos. Ninguém ainda sabia direito como chama-los.

Daric assim como a o resto da população da cidade também passou a noite em claro. O jovem estava absorvido pelos seus próprios pensamentos - meio entorpecido e aéreo. Passara a noite velando o corpo da esposa, num funeral intimo, particular. Quando olha para a cova à sua frente, o coração do jovem auxiliar de xerife se fecha num misto de dor, angústia, sofrimento e saudade.

Barney surge ao lado do amigo - ele coloca uma mão sobre o ombro do rapaz, lhe confortando.

- Você precisa ser forte meu rapaz - o xerife McCoy surge como um fantasma atrás dos dois, como seu chapéu sobre o peito - Diana não gostaria de lhe vê nessa situação tenha certeza disso.

Daric nada diz, apenas mantém o silêncio.

O caixão com o corpo de Diana Myers é depositado na sua cova memorial, preparada nos fundos da casa do casal. Daric vai despejando terra sobre o caixão, sentido uma dor latente no peito.

Ao longe, os gemidos sufocados dos mortos-vivos se faz ouvir do outro lado das duas barricadas. A horda de zumbis vai crescendo em número à cada hora que se passa - é impossível contar quantos deles são. Uma hora ou outra, a barricada vai ceder e levar para dentro de Mariah Field os mortos-vivos - esse é o pensamento que passa na cabeça de todos os cidadãos. E isso é uma certeza fatal.

Os dias se passam tão rápido que parece que se passaram anos desde o inicio da praga zumbi. Muitas cidades do velho oeste já sucumbiram quase que totalmente diante do apocalipse dos mortos. A vida em Mariah Field assim como em outros lugares, tenta voltar ao normal - se é que isso é possível chamar toda essa situação de normal. Mas logo todos vão começando a sentir falta de coisas essenciais para sua sobrevivência, como água e comida. Breve eles terão que abandonar à aparente segurança de Mariah Field para buscarem alimento em outros lugares - e essa pode ser há hora mais perigosa para todos.

Um, dois, três, quatro tiros e quatro zumbis caídos no chão do deserto escaldante do meio-dia. Phill William se encontra montado em seu cavalo fugindo de uma horda de mortos-vivos por uma terra devastada, dominada por criaturas devoradoras de gente, que até outro dia estavam enterradas em túmulos ou viviam vidas pacatas como pais e mães de família.

O forasteiro já perdeu a noção de há quanto tempo está empreendendo fuga pelo deserto. Ele se acha exausto e fraco demais para continuar fugindo, e por momentos pensa em desistir de tudo. Lágrimas quentes escorrem pelo seu rosto, quando ele se encontra olhando uma antiga fotografia de família - com esposa e dois filhos, um casal.

Phill está tão envolvido em suas lembranças particulares que não se dá conta do perigo à sua volta. O forasteiro encontra no centro de uma horda de mortos-vivos, ele não sabe ao certo quantos são. Na sua conta deve ter entre trinta e cinco zumbis, ou mais. Seu desespero aumenta quando ele constata que tem apenas uma bala em sua arma. Nesse momento o tempo para e Phill se vê outra vez ao lado da esposa e dos filhos, vivendo uma vida feliz em Santa Helena - Arizona. Tudo parece tão real que ele acredita mesmo que nada aconteceu - que os mortos não voltaram à vida e que sua amada família continua sã e salva esperando por ele.

Mas o sonho feliz de Phill William é bruscamente interrompido quando seu cavalo é atacado por zumbis e o jovem é jogado ao chão violentamente. Seu desespero aumenta ao se vê envolvido por corpos apodrecidos e em frangalhos por todos os lados, e ele não pensa duas vezes, aponta a arma para à própria cabeça.

E de repente, um tiro.

Phill abre os olhos e percebe que continua vivo. E mais tiros se sucedem um atrás dos outro, como uma chuva de balas que cortam o ar em direção ao forasteiro, que se coloca de bruços. Corpos em decomposição começam cair em todas às direções, deixando Phill atordoado, se perguntando de onde estaria vindo aquele socorro inesperado.

O xerife McCoy e alguns homens surgem de surpresa e salvam a vida de Phill no último segundo. William McCoy desce do seu cavalo para ajudar o viajante solitário.

- Você está bem meu rapaz? - o xerife é solicito e estende umas das mãos na direção de Phill, e levantando do chão.

Tudo acontece tão rápido que ninguém sabe ao certo de onde ele veio e como toda a ação de sucedeu - num momento William McCoy estava ajudando Phill a se levantar do chão, no outro ele estava caído com uma mordida no pescoço feita por um zumbi errante.

Daric apenas conseguiu dá um grito de desespero antes de gravar uma bala certeira na cabeça da criatura, estourando seu miolos e espalhando uma gosma enegrecida pelo rosto de Phill.

- Xerife, fala comigo, o senhor vai ficar bem - a voz de Daric é abafada e angustiada, suas mãos tremem assim como todo seu corpo.

Phill apenas encara toda a situação atônito, sem entender como tudo aquilo foi acontecer.

Daric, segure isso - o xerife coloca em umas das mãos de Daric a estrela da lei - o jovem é pego de surpresa e não demonstra reação alguma - Você é o novo xerife da cidade meu rapaz, e sei bem que você vai desempenhar um bom papel como o novo homem da lei de Mariah Field.

Às palavras de William McCoy são vez ou outra interrompidas por litros de sangue que teimam em sair de sua boca involuntariamente

- Agora meu rapaz faça o que tem que ser feito - o xerife retira a arma de Daric de sua bainha e lhe entrega.

- Eu não posso fazer isso, o senhor me ensinou tudo o que eu sei. Depois que meu pai morreu, foi o senhor que me acolheu, que ficou no lugar dele. Não me peça para mata-lo - às palavras de Daric são carregadas de emoção, lágrimas escorrem pelo seu rosto, enquanto ele aperta com força as mãos do homem que foi como um pai para ele.

- Mas é preciso Daric, eu não quero me transformar em uma daquelas coisas, faça agora ou será bem mais difícil depois.

- Mas eu não consigo!

- Apenas seja rápido.

Daric pega sua arma a aponta para a cabeça do xerife.

De repente, um tiro.

FIM DO CAPÍTULO 3

Johnathan King
Enviado por Johnathan King em 26/04/2015
Reeditado em 26/04/2015
Código do texto: T5220942
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