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O Sacerdote da Dor - Cap. II " O batismo"

  Som de passos pesados.Cheiro de ferro.Barulho de correntes.Terra.
Sendo arrastado.
  - Porra minha cabeça - André recobrara a consciencia - Que merda de lugar é esse? - pensou.
  Céu avermelhado. Terra avermelhada. Correntes? Sim, correntes.Se lembrou, correntes saindo do espelho. As feridas voltaram a latejar.
Estava sendo arrastado no chão. Pilares. Enfileirados. Virou o pescoço,
e se deparou com seu sequestrador. Uma figura imensa, devia ter mais de 2 m de altura, trajando uma roupa de couro, repleta de partes metalicas, correntes, espetos e afins, nos pés coturnos com partes metalicas.
  - Que porra você ta fazendo comigo?? Que mer...
  André não conseguiu terminar a frase, a figura se virou e o jovem contemplou a face de seu algoz, uma face palida, com a metade direita descarnada repleta de vermes, a outra totalmente tatuada.
  - Ah, finalmente acordou... o que estou fazendo? Estou realizando a sua escolha, você escolheu a piramide, então estou te levando até o supremo sacerdote Rhodes - disse a figura em tom mecanico
  - Rhodes? - André puxou pela memória - isso apareceu quando eu resolvi o jogo!
  - Jogo? Acha que é um jogo!?É um chamado, uma vocação, seu destino...
  - Para de fala merda - André não tinha forças - Que merda de lugar é esse? Inferno?!
  - Sua tola noção não serve aqui. Não é o inferno, não é o paraiso.
É mais antigo que isso....
  - Que ótimo. Resumindo, to fudido! To sendo arrastado por um cadaver ambulante, sei la pra onde pra ver um tal Rhodes, tipo eu to morto? E afinal quem diabos é você?!?
  - Sou seu antecessor. Pode me chamar de Andras. Não você não esta morto. Só deixou de existir na sua realidade...Chegamos.

  O corredor de pilares levou-os até uma enorme piramide negra, na frente esperando em frente a uma mesa outra figura macabra, toda vestida de negro, devia ser Rhodes.Era.
  - Sacerdote da dor Andras, finalmente encontrou seu substituto! - Rhodes era palido, cacos de vidro brotavam de sua pele, do corpo todo, exala um cheiro parecido com enxofre.
  - Sim supremo Rhodes. Minha missão acabou. - dito isso se evaporou no ar.
  - Isso esta cada vez pior. Alguém da pra explica que porra ta acontecendo.
  - Essa é minha tarefa - Rhodes levantou André do chão com apenas uma mão, o pôs em pé a sua frente - Você recebeu o chamado, se tornará o novo sacerdote da dor, cumprirá sua missão por 500 anos.
  - Ah tipo, e se eu não quiser??
  - Não tem escolha humano, ja abdicou de sua alma, seu corpo carnal não existe mais, você me pertence - segurou André pelo pescoço e o arrastou pra dentro da piramide - Agora devemos dar inicio a seu batismo.
   A piramide parecia maior  ainda por dentro, repleta de figuras morbidas, salas e mais salas, um palacio. Um labirinto. Depois de um certo tempo chegaram a uma vasta câmara. André foi atirado em um buraco em forma de quadrado no chão, totalmente nu. André não conseguia pensar, mas estranhamente se sentia bem.Algo caiu em seu rosto. Um pingo. Água? Chuva? Não. Sangue. Mais pingos, muito mais pingos. André olhou pra cima. Queria não ter olhado. Mas não conseguiu tira os olhos do que viu. Uma garota. Linda. Encravada numa espécie de cama de pregos, sorrindo, parecia ter enorme prazer em ter seu corpo perfurado. É de lá que caia o sangue. Um espetaculo belo e cruel. Ficou fascinado. Sentiu alegria. Talvez algo que nunca sentiu em sua vida. Rhodes observava tudo na beirada do buraco, começou a pronunciar algo em um linguajar complexo, estava batizando André, que de agora em diante atenderia pela alcunha de Morloch.
  - O humano André abdicou de sua existencia em sua realidade para se torna o novo sacerdote da dor, Morloch. Com o sangue repleto de dor dessa criança eu o batizo!
  - Ela escolheu o cubo não é? - disse o recém ordenado sacerdote - Ela escolheu o cubo hahahahaha !
  - Sim, escolheu a forma do cubo, escolheu prestar devoção a nós sacerdotes através de seu prazer em forma de dor. Agora saia dai Morloch, devemos concluir seu batismo.
   E assim se perderam entre as sombras da piramide. Nova sala. Varios pergaminhos escritos em um alfabeto estranho.
  - Onde estamos? - perguntou Morloch
  - A sala onde você receberá seu manto, sua caracteristica.
  Do nada criaturas com cabeças de coiote sairam das sombras agarram Morloch e o puseram numa mesa. Morloch não reagia, apenas ria doentemente.
  Rhodes se aproximou e com um bisturi fez uma inscrição no peito, escreveu o nome de Morloch, que no idioma antigo significava " Aquele que mostra a dor". A inscrição queimava, Morloch teve toda sua lembrança da vida humana apagada, sentiu algo brotando dentro do seu corpo, ria compulsivamente. Pequenos ganchos sairam de sua face e repuxaram sua pele, seu couro cabeludo caiu, no lugar escarificações em forma de escritos antigos se fizeram, a dor era alucinante, prazerosa, pedaços de seus ossos brotaram de seus ombros e peitos como espinhos. Silencio. O batismo havia terminado. E um novo sacerdote da dor nascido.

                           *** Fim do Cap. II ***
Arashi
Enviado por Arashi em 14/10/2007
Código do texto: T693824

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Sobre o autor
Arashi
Sumaré - São Paulo - Brasil, 32 anos
12 textos (1866 leituras)
1 e-livros (44 leituras)
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Arashi