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Contos Amaldiçoados III

Contos Amaldiçoados

III

Caimbre

Lobo?

A fogueira alta iluminava a floresta, as chamas pareciam dançar em festa, a lua era cheia prateada em céu azul, estava propicio ao encontro com a mulher amada; Estava propicio ao instinto e ao amor. Caminhava calmamente entre as árvores aproveitando as beijares da brisa em meu rosto. - Oh! Como era belo o luar! Algo em mim parecia me chamar cada vez mais, eu queria seguir, os instintos me cobriam, vi em uma alcatéia calma e feliz diante o luar, me aproximei. Um que havia me avistado rosnou em minha direção, afastei-me, logo percebi que havera um atrás de minhas costas e no meio havia um homem segurando um longo cajado, acertou-me na cabeça. Tentei correr, fui cercado pelos lobos, rosnavam, não queriam que eu fosse embora, um avançou com as presas próximas a meu pescoço, esquivei-me, corri logo só vi uma besta, nem lobo, nem homem, correndo atrás de mim, seguido pela vasta alcatéia. Encurralaram-me. Não tinha escapatória, a besta impulsionou sua longa e musculosa pata dianteira em direção a minha fronte, fui acertado novamente na cabeça, desmaiei.
Acordei enfaixado em meu casebre, logo ouvi comentário de uma 'matilha' de lobos que passava pelas regiões, e sempre que passava, alguém morria.
 Mas eu não morri, e até hoje questiono por que não; Por Deus que seria melhor ter morrido naquela noite, por Deus que sim!
 
O homem chuta uma cadeira que bate em uma parede cheia de correntes e armas. Derramando vinho em sua face, bebendo as gotas que escorrem, parece estar em fúria e com o sangue fervente. Uma mulher o segura tentando acalmá-lo; Ele pára e continua a narrar.

- Sabe, depois daquela noite, todo o vilarejo olhava-me com certa estranheza, eu caminhava e as pessoas olhavam-me torto. Eu me via cada vez mais sem opção.
Uma noite caminhava eu com minha amada pelo longo campo, logo senti cheiro de fumaça, mas nada perto estava a queimar, meus sentidos me vieram como o de um animal, corri, ela tentou me parar.

- Pare!
- Não posso! Está a queimar!
- O que?
- Minha lavoura! Meu campo!
- Não vejo nada, não há fumaça!
- Sinta o cheiro! É fumaça! Não consegue sentir?
- Que fumaça? Ela segurou seu braço.
- A fumaça que vinde de nosso lar! Agora soltai-me que tenho de ir!
- Não, não vou te soltar! Ela o aperta no braço mais forte.
 Ele se solta bruscamente e corre o corpo move-se como se não se encostasse ao chão, em uma velocidade animalesca, rapidamente ele chega à lavoura e para. A casa queima em chamas, junto à plantação outras pessoas se riem de escárnio, ele corre em fúria, acertando a face de um, porém logo é encurralado pela pequena multidão que ali se formou. Ele grita, tenta acertar o primeiro que vê pela frente no fervor cegante da raiva, logo ele é acertado muitas vezes mais, logo espancado pouco a pouco com a visão turva, lacrimejando junto ao sangue eles os deixam. Pegam um filhote de lobo que viajava com a alcatéia por aquela região, esmagam-lhe o crânio, e o sangue escorre por cima do homem.

- Pare! Pare! Desgraçados! Vão pagar destruir a mim e a uma vida!

Uma fúria bestial estrangula-lhe a mente, o corpo treme, e com os ossos que dilatam e se mutam rasgando a pele e os pelos compridos, assume uma forma assustadora, nem lobo, nem homem, mesclada de sangue o ódio, exalando um perfume putrefe de adrenalina, ataca violentamente os que ali estavam, e caem um, dois, três... Logo todos estavam caídos e por último o homem que estava à frente dele é estrangulado com uma força brutal, rasgando-lhe as vísceras e a face, ele pára; A chuva cai. Parou e aspirou o ar molhado, de longe a presença de uma mulher, ela parou frente a ele, o reconhecendo, as lágrimas caíram do rosto impulsionado pelas lágrimas (gotas) da chuva.
Ela abraçou-o forte, e beijou-lhe o pelo que lhe adornava, ele rosnou, cheirou-lhe e rosnou cada vez mais ferino, logo a acertou com a grossa pata no corpo frágil de mulher que parecia partir em dois, logo mordeu-lhe e deixou sangrar, até que logo um brilhar de sol lhe beijou a face e acordou a mente, ele desmaia e volta ao físico aparentemente humano, normal, apenas com feridas e sangue o cobrindo.

-Por Deus homem! Como isto foi acontecer?
- Pelo sangue amaldiçoado do lobo...
- Mas não mentes quando fala?
- Juro pelo cadáver de minha amada que não! Agora me deixe continuar!

Ele acordou e viu o corpo dela diante sua fronte e em frente os restos queimados do que antes era sua riqueza, mais corpos de rostos despedaçados apareciam, eram eles aparentemente familiares, ele beijou sua amada e entrou nos restos da casa, achando um medalhão antigo, prateado e claro, tocou-lhe e queimou os dedos, apertou-o firme, colocando por cima de uma blusa que lhe cobria. Logo cobriu com palha o corpo de sua amada de cabelos vermelhos, e hoje... Está ele aqui a contar seu lamento.

- Aqui?! Onde?

O Homem abre a camisa e lá se vê um medalhão em forma de lua cheia, marcado por dentro umas turvas palavras.

- Vide? Aqui estou eu.

(Rafaela Duccini - 19/3/2007)
R Duccini
Enviado por R Duccini em 03/11/2007
Reeditado em 03/11/2007
Código do texto: T721853

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Sobre a autora
R Duccini
Paracambi - Rio de Janeiro - Brasil, 25 anos
352 textos (25735 leituras)
2 e-livros (115 leituras)
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R Duccini