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Zona Morta Santo André - Cap.4 - Epidemia

23/09/07- Domingo
[...]

9:27 da manhã de domingo.
Vou pra cozinha tomar café, mas meu pai me chama:
-Vem aqui dá uma olhada nisso !
Eu vou. Meu pai tá na frente do PC. Eu pergunto o que é, e ele me mostra fotos, fotos de pessoas mutiladas, cheias de sangue escorrido pelo corpo.
Eu:- São as pessoas que tavam no Laboratório ?
Pai:- Não. São de gente comum do Rio e do Espírito Santo, que foram achadas nas ruas, todas mortas.
Eu:- Nossa ! Mas como, mortas desse jeito... bizarro ?
Pai:- Uma das notícias de hoje falava que aconteceu alguma coisa estranha no Laboratório, que tava acontecendo algo parecido com uma epidemia.
Eu: - Isso é uma doença ??
Pai: - Mais ou menos. Falaram também que essa "epidemia" chegou até o Espírito Santo e até a fronteira do Rio com São Paulo.
Eu :- Que estranho ! Será que chega aqui ?
Pai:- Talvez. Mas a polícia já deve tá tomando providências pra que isso não aconteça.
[...]

Já são dez horas, vou tomar meu café, que não é nada muito elaborado, só um copo de leite e umas bolachas. Assim que termino, volto pro meu quarto e resolvo ler um pouco. Era um livro que falava sobre o 11 de Setembro, sobre a vida das pessoas que trabalhavam no prédio e as tentativas de sobrevivência lá dentro após o choque dos aviões. Explicava o trabalho dos bombeiros lá e também sobre como as pessoas reagiram ao caos quando as torres vieram abaixo. Uma leitura muito recomendável.

Agora é 12:50 e acabei de almoçar macarronada. Domingo é um dia chato, não tem nada pra fazer. Acho que vou passar o resto da tarde no clube.
Na hora que vou passando pela sala pra sair de casa, aparece na TV o Globo Notícia.
Fátima Bernardes falando :
- A suposta epidemia que teria se originado no Rio de Janeiro devido à falha em Angra 2 chegou até as barreiras que a Polícia Militar montou nas entradas do estado de São Paulo. Essa epidemia já atingiu metade da população do Rio, e está se alastrando para o Espírito Santo e Minas Gerais.

Eu penso: então isso já virou estado de emergência. Metade da população em três dias?!

[...]
No clube, encontro Homero, e ficamos lá andando e conversando um pouco.
Já são três da tarde, resolvemos comer algo na lanchonete. Pedimos uma fatia de pizza e uma garrafinha de Coca pra cada um. Enquanto comemos, o celular dele toca. Não é uma ligação, é uma mensagem, daquele "plano virtual" em que ele recebe as últimas notícias.
Ele lê e fala pra mim ler também.
A notícia:
-- O bloqueio que a polícia havia feito na fronteira de SP foi quebrado há uma hora e quinze minutos. A epidemia agora já está se instalando no estado. Previsões dos órgãos públicos dizem que deve chegar à Capital e ao Grande ABC em dois dias. Nenhuma outra informação foi dada.

Eu olho pro Homero e ele olha pra mim. Estamos meio que surpresos, afinal, que diabos está acontecendo ? Essa doença, ou seja lá o que for, vai chegar até aqui em dois dias ? Falo pra ele :
- Cara, vo pra casa, pra ver se o pessoal lá tá sabendo disso.
Homero:
- De boa, eu também vo.
- Falouss!
- Até !

Chegando em casa, pergunto pra minha família se eles ficaram sabendo, dito e feito, já tinha passado na TV. E eles ainda me falaram:
- E vai ter um pronunciamento do Lula também, daqui a pouco.
Fico na sala esperando pra ver a entrevista, e eis que aparece o presidente na tela :
- Povo brasileiro. Presenciamos um terrível acidente dias atrás, na usina de Angra, mas parece que além do acidente, ocorreu uma outra coisa lá. Depois do vazamento da radiação, uma doença afligiu o povo carioca. E é uma doença contagiosa, tão contagiosa que chegou a Minas Gerais e ao Espírito Santo num espaço de três dias. Agora está chegando a São Paulo.
Peço a todos os civís que permaneçam em casa até a situação se normalizar. Todas as cidades possuem polícia treinada para tais situações e em último caso, teremos a presença do exército. Mantenham-se em casa, façam estoques de alimento para alguns dias, talvez para uma semana.
[...]

Assim que acabou o discurso do Lula, meu pai foi pegar as chaves do carro.
Minha irmã:- Pai, onde você vai ?
Pai:- Fazer compras.
Eu :- Vô também !
Irmã:- Eu também vo então !

Saímos da garagem, e os vizinhos também ! Parece que todo mundo teve a mesma idéia. Chegamos na avenida... engarrafada, é, todo mundo teve a mesma idéia.
Demoramos meia hora pra chegar no Carrefour, sendo que num dia normal, não demoramos nem dez minutos.
Tava lotado lá dentro ! Lotado mesmo! Nem no Natal eu vi supermercado mais cheio que hoje. Meu pai falou pra gente se dividir: ele ia buscar garrafas d'água; eu pegava os enlatados e os em conserva e a minha irmã pegava os não perecíveis e os cereais. Mas era incrível como o povo lutava por uma embalagem de comida. Na gôndola de enlatados, tinha uma mulher com dois carrinhos cheios bloqueando um espaço enorme da prateleira. E já que não dava pra chegar nem perto dos produtos, eu fui pegando dos carrinhos dela mesmo... E alguém derrubou uma lata de ervilhas no meu pé. Mas olha, tava uma confusão lá dentro! Alguns vidros de palmito quebrados e sacos de salgadinho estourados. Agora era só achar o meu pai e a minha irmã.
Assim que nos encontramos, fomos pra fila do caixa, que por sinal estava quilométrica. Perdemos duas horas nela, e na nossa vez de passar, caiu o sistema. Dá pra acreditar ? Mas tudo bem, assim que resolveram tudo, passamos as mercadorias, enfiamos tudo no pequeno Ford Ka e voltamos pra casa.

[...]
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Bem, aí está mais um capítulo. Espero que gostem e continuem acompanhando. Qualquer tipo de comentário é bem-vindo ! =D
The Kinslayer
Enviado por The Kinslayer em 15/11/2007
Código do texto: T738902
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Sobre o autor
The Kinslayer
Santo André - São Paulo - Brasil
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