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Sinto Sede

            Dedico esse conto a todos os meus amigos, pois, sem eles eu verdadeiramente nada seria e também a todos aqueles que sentem o peso da injustiça sobre suas cabeças, e que esperam pacientemente pela salvação.


      Estou caminhando pela cidade nada consegue prender minha atenção, sinto apenas sede. Minha sede, porém é diferente da sede que você às vezes sente leitor, minha sede é uma mistura de solidão, incompreensão, fome, luta interior e dor. Sou o que sou por vários motivos, alguns dizem que eu assim escolhi, outros dizem que fui enganado, seduzido pela promessa da vida eterna e do conhecimento infinito, outros dizem que sou o que sou por conta da minha ambição sem limites, seus desejos desenfreados de prazer, minha promiscuidade, enfim todo o vicio da sociedade com certeza colaborou para que eu me tornasse o que me tornei.

      Alguns dizem que não sou humano, pois já não tenho alma, mas mesmo assim, sinto: alegria, dor, tristeza, arrependimento e sobre tudo amor, sim sou capaz de amar, da mesma maneira que você também é leitor, sim todas as formas de amar também pertencem a mim, são minhas por direito como são suas também por direito. Assim um paradoxo, sigo caminhando pela cidade, andando pela vida, passando, como centenas e milhares passam pela vida, a única diferença é que pra mim caro leitor a eternidade é o limite, não espero que você me entenda se compadeça de mim ou mesmo se interesse pela minha história que vou contando, e assim passando o tempo que para mim não passa, assim vou seguindo caminhando, me distraindo, isso ajuda a suportar a sede, por que faço isso não sei.

      Sou imensamente superior em força física, inteligência e astúcia a qualquer ser humano, por que então não saciar minha sede? Você provavelmente está se perguntando....... Será remorso? Compaixão pelas almas dos infelizes que me rodeiam e que não tem a menor chance contra mim? Não sei meu caro amigo leitor, sinceramente não sei, talvez seja medo, medo de esquecer o que eu fui um dia, uma pessoa comum assim como você meu caro leitor, alguém que um dia se alimentou, comeu, dormiu, se viu no espelho e gostou do que viu. Assim eu fui caro leitor, assim eu fui e talvez seja uma tênue esperança que me faz imaginar que talvez, no fim dos tempos eu possa voltar a ser, sentimento esse que me alimenta, que anestesia a dor, que me leva a diante e que me faz contar minha historia para você amigo leitor, enquanto me distraio não sacio minha sede e ainda tenho um resto de esperança de que algum ser superior a mim e a você meu cara leitor olhe para mim e me faça ser novamente quem um dia eu fui.
Selva
Enviado por Selva em 19/11/2007
Reeditado em 13/04/2009
Código do texto: T743871

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Sobre a autora
Selva
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 37 anos
24 textos (2777 leituras)
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Selva