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Zona Morta Santo André - Cap. 5 - A situação está crítica

Chegando em casa, guardamos tudo na despensa e fomos ver TV e por mais incrível que pareça, a Globo estava fora do ar ! Então ficamos vendo a Record. Quase só se falava da tal doença. Quando o repórter disse:
- A população do RJ foi quase que completamente dizimada. Existem alguns sobreviventes, mas são poucos e o exército não conseguiu chegar até eles.A situação está crítica. Recebemos vários vídeos amadores do que parece estar acontecendo, mas as imagens são extremamente fortes e não poderemos mostrá-las. Quem quiser ver, entre no nosso site.

Meu pai mudou de canal, colocou no Band News. Em tom meio nervoso, a repórter dava a notícia:
- O caos se instalou no Rio de Janeiro. As pessoas doentes estão matando as outras. Nem a PM nem o Exército conseguiram controlar a situação . Os que tentaram fugir acabaram acidentando-se. A destruição é total. Os doentes já passaram o bloqueio das estradas, agora estão invadindo cidades de São Paulo. Já tomaram conta do litoral norte e estão chegando perto de Santos e Cubatão. As forças militares estão tentando dominá-los.
Esperamos que consigam.

Meu pai desligou a TV e falou para todos:
- Já chega de ver desgraça, vamo todo mundo dormir, porque amanhã a vida continua.
Eu:- Mas pai ! Com toda essa bagunça, você acha que o colégio vai abrir amanhã ?
Pai:- Vai abrir sim. Essa epidemia ou o que quer que seja nem chegou em Santos ainda, e duvido que o exército deixe ela chegar mais perto daqui.
 
Fui pro meu quarto, mas ao invés de dormir, eu entrei na Internet.
Fui procurar aqueles vídeos no site da Record.
Achei, tinha um monte. Vi o primeiro. Não dava pra ver muita coisa, tava muito escuro e acho que foi feito com câmera de celular, mas dava pra ver uns vultos se mexendo e gente correndo e gritando.

Tentei o segundo, parecia ter uma qualidade melhor.
Era filmado de dentro de um carro, e tinha umas pessoas tentando entrar pela porta do motorista. Só que essas pessoas estavam cheias de sangue na roupa e no rosto e com muitos machucados. O cara saiu pela porta do passageiro e ficou filmando as pessoas , que foram pra cima dele e nesse momento, parou a gravação.

O terceiro mostrava crianças brincando num parquinho quando uma delas é atacada por uma pessoa que estava também suja de sangue! O cinegrafista ficou filmando de longe enquanto adultos foram tirar o homem de cima da menininha. Um cara acertou uma pedra na cabeça do doente, que ficou deitado imóvel no chão, provavelmente morto. Foi quando o cinegrafista chegou mais perto e filmou a menina, que parecia morta, cheia de sangue na roupa e mordidas pelo corpo; mas depois ela começou a mexer o braço, e tentou se levantar. Nessa hora pararam de gravar.
Eu pensei:
- Que diabos foi isso!? Os doentes tentam devorar as pessoas!? Vo parar de ver, senão nem durmo direito !

Resolvi deitar, mas as imagens dos vídeos ficavam passando na minha cabeça, até que depois de bastante tempo peguei no sono.

[...]

Acordo. Tem muita gente correndo. Que gritos são esses ? Tiros! Com certa dificuldade consigo me levantar. Olho ao meu redor. Tem um ônibus tombado,policiais atirando. Mas atirando no quê ? Olho pro outro lado. Várias pessoas estão vindo. Parecem bêbadas. Corro pro outro lado, para longe deles. Viro uma esquina e o que vejo ? Onde deveria ser asfalto, havia sangue. Há muitos carros batidos, e um deles está pegando fogo. Mais gente correndo ? Mais tiros ? Me derrubaram no chão! Quem é o louco que me derrubou ? Vejo o rosto dele: meu pai! Boca e roupas ensangüentadas! Ele investe pra cima de mim. Com as mãos, tento manter suas mandíbulas longe do meu corpo, mas acabo todo arranhado. Olho pro lado. Minha mãe e minha irmã estão vindo! Penso: elas vão me ajudar! Elas vão tirá-lo de cima de mim! Grito por sua ajuda. Elas estão mais perto e esticam os braços para mim. Graças a Deus ! Sinto uma dolorosa mordida na perna. Agora no braço. Dor insuportável. Minha própria família, me atacando desse jeito! Vejo o sangue escorrendo por suas bocas. O MEU sangue ! Me sinto fraco, sinto a minha vida acabando...

- Tá tudo bem ? - Disse a Bruna
- Eu... eu... você.... os nossos pais.... eram.... aquilo.... doentes.... - Digo, ofegante.
Bruna:- Foi só um pesadelo, calma.
Eu:- Que horas são?
Bruna:- Três e meia da madrugada. Vai tomar um copo d'água pra se acalmar.
Eu:- Tá, certo. Eu....vi os vídeos.... no site da Record.
Bruna:- Que vídeos ?
Eu:- Os vídeos do Rio de Janeiro.... do que tá acontecendo lá... dos doentes.
Bruna:- Ahhh, então é por isso que você teve pesadelo. Relaxa.
Eu:- Nunca tive pesadelos depois de ver filmes de terror.
Bruna:- Por que no filme você sabe que é só, bem, um filme! Os vídeos que você viu são de coisas reais.
Eu:- É.... é. Vo tomar água.

Três e meia da madrugada! Ser acordado de um pesadelo pela sua irmã mais nova às três e meia da madrugada é deprimente! Isso nunca me aconteceu antes. Bom, melhor eu voltar a dormir, já que eu vou ter que ir pra escola mesmo.

[...]
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Desculpem pela demora pra colocar o Cap. 5, e obrigado pelos comentários =D. E mais uma vez, espero que estejam gostando da história =D.
The Kinslayer
Enviado por The Kinslayer em 20/11/2007
Código do texto: T745063
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Sobre o autor
The Kinslayer
Santo André - São Paulo - Brasil
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The Kinslayer