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Rosa Negra



Esse sou eu agora.

Você pode não acreditar, mas eu era assim, assim mesmo como você é.
Tenho olhos verdes, cabelos compridos e um sorriso malicioso.
A cabeça cheia de loucuras e sonhos da adolescência.

Queria ser um mago como Aleyster Crowley, Paracelso, Aggripa e outros.
Logo percorri todas as religiões, mas descobri que a maioria do que ensinam são descaradas mentiras.
Juntando tudo o que descobri comei a ficar intrigado com certa flor negra, que aparecia de diversas formas em muitas escrituras diferentes.

Rosa negra, Dark flower, Orquídea sombria, flor do mal etc.

Esta flor, ao que parece, daria imensos poderes a qualquer ser que a devorasse e se enforcasse em seu caule espinhento, renascendo no mal.
Embrenhei-me de magia até os ossos, passei dos rituais mais simples até chegar aos perigosos e mortais.

Saí pelo mundo atrás da flor. Após décadas de preces, invocações, poções e encantamentos eu a encontrei.
Batizei uma semente com o sangue de uma virgem, reguei com o sangue fresco de bebês assassinados com minhas próprias mãos, até nascerem às primeiras mudas ressequidas de minha raquítica planta.

O pé era todo retorcido sendo que as folhas tinham um tom cinzento e morto.
Formiga ou inseto algum se aproximou da minha pequena flor.

Logo o primeiro botão surgiu e com o tempo se abriu uma rosa.

Uma rosa negra.

Chamei o demônio ao qual jurei absoluta fidelidade.

Comi a flor.
Seu gosto extremamente amargo deu-me náuseas.

Tentei me enforcar com o caule, mas o máximo que consegui foi perder os sentidos e me banhar com meu próprio sangue.

Então devorei o caule também.
Os espinhos rasgaram minha garganta me causando tremenda dor.

Tentei gritar, porém nada saiu.
Os espinhos me sufocavam e percebi que estava morrendo.
Caí de costas numa vala e minha vista começou a se turvar.

Logo tudo era escuridão.

Ao perceber que minha consciência voltara reparei a diferença.
Tudo estava vermelho e escurecido.

Olhei meu relógio e percebi que eram sete horas da noite
Pulei as grades do cemitério e andei pela cidade.

Meus olhos estavam injetados de sangue e meu estado deplorável como pude constatar através de uma vidraça.
Os poucos transeuntes me evitavam como a um mendigo.

Meu corpo parecia mais leve.

Lavei-me com a água da chuva e vesti uma roupa de um rapaz que acabara de matar.
Minha voz tornou-se gutural e virei um pavoroso demônio, não como você me vê agora, porém igualmente cruel.

Viveria eternamente sob a condição de viver noturnamente.
Seria como um homem comum durante o dia e comeria do podre e morto.

À noite existiria para minhas maldades.

Um único ato bom e secaria como uma passa, até deixar de existir no planeta, indo para os planos infernais.
Sou invulnerável à quase tudo, pois não posso entrar em uma casa cercada com sal ou que tenha um gato branco.
Não que o felino possa me matar, mas seu arranhão me causaria feridas dolorosas que demoram sete noites para fechar.

Minha primeira maldade foi sinistramente deliciosa:
Matei o cachorro de um garotinho!

Lembro-me perfeitamente daquele dia...

O garotinho ria e pulava de alegria, me aproximei e perguntei o nome do bichinho.
- É Toddy!! Respondeu o menininho.
Puxei do bolso um facão e a pequena criança ficou paralisada de medo.

Agarrei o cachorrinho pela pata e decepei sua cabeça com um único golpe.
A cabeça do menino estava vazia de qualquer pensamento, tão grande era sua dor.
Ele agachou-se no chão balançando para frente e para trás.

Catatônico.

Vi uma mancha de urina crescer em sua calça, molhando o chão.
Gargalhei de puro prazer.
Puxei sua mãozinha e cortei seu dedinho.

Ele nem prestou atenção, de tão lesada sua cabecinha ficou.
Lambi a lâmina do facão e senti o gosto do sangue fresco.
Captei os pensamentos preocupados de sua mãe e com um simples gestos me teleportei para outro bairro.

Hoje oito anos depois o garoto está em uma cliníca de recuperação para doentes mentais, só fala “Toddy” e arranca cabeças de bonecas.

Um passatempo saudável eu diria, para um louco!
Eu o adoro é meu xodó!

Logo que percebo que está melhorando o visito em seus sonhos e não o deixo esquecer nosso primeiro encontro.

Viajei pelo mundo espalhando dor e sofrimento,
Encontrei outros como eu, criaturas monstruosas e os famosos vampiros, os mais elegantes filhos do mal.

Encontrei alguns demônios aprisionados e outros livres e toda sorte de criaturas malévolas, mas confesso:

Os fantasmas são os mais mal-educados!!
Nem notam nossa existência!

Mas conto isso em outra ocasião, pois fiquei sabendo que meu menino dos olhos de ouro vai ter alta e...

Preciso visitá-lo!

Até outra noite quando virei te encontrar.
Fim
Saturno o Vampiro
Enviado por Saturno o Vampiro em 24/11/2007
Código do texto: T751401

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Sobre o autor
Saturno o Vampiro
São Paulo - São Paulo - Brasil, 466 anos
76 textos (11954 leituras)
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