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Zona Morta Santo André - Cap. 7 - Confusão generalizada

Estávamos lá batendo papo, esperando os pais dos meus amigos chegarem, quando ouvimos um grito de uma menina. Olhamos para saber porque. Ela estava sendo agarrada por dois homens, um de terno e um idoso. E continuava gritando, até que uns alunos foram tentar ajudá-la, mas antes deles chegarem até ela, os homens a derrubaram no chão e começaram a desferir mordidas pelo corpo da garota. Então ouvimos barulho de freios e uma batida, e logo após, mais gritos e aparecem três pessoas correndo. Logo atrás deles, vinham mais pessoas, só que não corriam, cambaleavam e gemiam, parecendo bêbadas. Os que corriam gritavam :
- CORRAM ! SAIAM DAQUI !
- FUJAM ! OS DOENTES !

Após um momento para assimilarem as coisas, todos os alunos começaram a correr para dentro do colégio. Foi a reação imediata da maioria, mas o portão não era grande o suficiente para permitir a entrada rápida de quase quinhentos alunos, e ainda havia os que não tinham saído e estavam bloqueando as catracas. Percebendo que seria impossível entrar antes dos doentes alcançarem o portão, eu passei reto pelo mesmo e fui descendo a rua. Meus amigos me viram e gritaram :
- Lucas ! Pra onde você tá indo ?!
- Pra minha casa ! Não vai dá pra entrá aí ! Tem muita gente ! Vem comigo !

 Eles vieram, sabiam que não conseguiriam entrar no colégio. Descemos a rua e viramos a esquina, que no caso, seria o caminho mais rápido até a minha casa. Assim que dobramos a esquina, começamos a correr, mas havia muita coisa atrapalhando o caminho, carros parados, batidos, abandonados, algumas outras pessoas correndo, objetos jogados, mochilas, fichários, tudo esparramado pelo chão, e o que é pior, muitas dessas coisas estavam ensangüentadas. Continuamos correndo, Flávio Laís e Marcos pela rua, eu e Jéssica pela calçada, até que tropeço e caio de cara no chão. Meio atordoado, olho pra ver o que diabos havia me derrubado e fico chocado. Uma menininha loira, de uns seis anos, estirada no chão. Faltava-lhe metade do pescoço e tinha um buraco enorme na barriga, fora o sangue escorrido pelo corpo e pela calçada. Meu estômago deu um pulo. Levantei-me e saí correndo. Meus amigos tinham parado pra me esperar.
Jéssica :- Que aconteceu ?
Eu :- Tropecei. Vamo gente, ainda faltam três quarteirões.

Continuamos a nossa pequena fuga, só que agora andando pra não ficarmos muito cansados. Enquanto caminhávamos, observamos as cenas. Pessoas correndo, pessoas chorando, pessoas fugindo. Sangue nos para-brisas dos carros, nos muros e nas calçadas. Muito barulho vindo de todo lugar, alarmes, sirenes, buzinas. Nas avenidas, o trânsito estava horrível. Estávamos passando na frente de uma padaria quando várias pessoas saíram correndo, e atrás deles vinham seis doentes, uniformizados, creio eu que eram os funcionários. Eles vieram pra cima de nós. Corremos pro meio da rua e quase fomos atropelados por um motoqueiro maluco. Fomos pra outra calçada e continuamos correndo. De relance, vimos corpos entre os carros. Quem estava a pé corria, mesmo que não soubesse exatamente pra onde, mas corria, numa esperança de se salvar. Até porque não havia uma direção certa para fugir, eles estavam por todo lugar ! Bastava achar um local seguro e ficar por lá.

Faltava só um quarteirão. Os cães da vizinhança latiam muito, muito mesmo. E pra alegria geral, a rua estava tranqüila, sem carros nem pessoas, só um ou outro gato pingado que também fugiam. Chegamos ! Abro o portão e em seguida a porta.
Eu: - Chegamos! Que alívio !

Estávamos entrando quando ouvimos uma explosão, não parecia distante, mas nem ligamos.

Laís e Flávio sentaram no sofá, com caras de quem não acreditava no que aconteceu. A Jéssica começou a chorar.
Eu: - Calma Jé ! Tá tudo bem agora !
Jéssica: - Não ! Não tá tudo bem !...snif... Tudo isso que tá acontecendo....Eu to com medo ! Eu quero meus pais ! ...snif...
Eu: - Fica calma ! Liga pra eles ! Quer um copo d'água ?
Jéssica: - Tá. Quero, eu quero.....snif...
Eu: - Tá, eu vô buscar. Gente, liguem pros seus pais, avisem eles que vocês tão aqui, ok ? Ei ! Cadê o Marcos ?
Laís: - Nossa ! É mesmo, cadê ele ?
Flávio: - Vai ver ele se perdeu da gente...
Eu: - Na frente da padaria ! Droga ! É bom que ele tenha sido esperto e corrido prum lugar seguro !

Vou buscar o copo de água pra Jéssica, enquanto eles ligam para seus pais. Não entrava na minha cabeça que isso estava acontecendo, realmente acontecendo. Eu estava agora em casa, só com os meus amigos, sem idéia de onde estariam meus pais e minha irmã. As coisas que vimos, a cena da garotinha no chão, a confusão generalizada na cidade, tudo parecia roteiro de filme, mas não, era tudo real. Volto para a sala com o copo d'água. Todos já haviam avisado os pais. Ligo a TV, estavam falando que a epidemia já atingiu São Paulo e que ninguém conseguia controlar os doentes. Ouço uma voz me chamando:

- Lucas? É você que tá aí?
Eu: - Sou eu. Bruna ?
Bruna: - Que bom que você chegou !
Eu: - A quanto tempo você tá aqui ?
Bruna: - Meia hora, mais ou menos. O pai da Ana me trouxe.
Eu: - Ainda bem ! Achei que você ainda tava no colégio !
Bruna: - Eu cheguei e fui pro meu quarto. Papai ligou e disse que o chefe dispensou todo mundo, só que o trânsito tá horrível e não sabe que horas chega. A mãe tá com ele.
Eu: - Aonde ele tava quando ligou ?
Bruna: - Não sei, ele não falou.
Eu: - Bom, pelo menos a gente já tá em casa.

Minha irmã estava em casa, ainda bem ! Uma preocupação a menos. Agora é só esperar meus pais chegarem e tá tudo certo. Agora são 11:55, e a mãe da Laís chega pra pegar ela. Entre 12:00 e 12:30 a Jéssica e o Flávio também vão embora. Ficamos só eu e a Bruna em casa e resolvemos almoçar. Como nenhum de nós dois tem muitos dotes culinários, fazemos um simples miojo. Enquanto comemos, ouvimos o barulho do portão se abrindo e o carro entrando. Vamos olhar. Nossos pais chegaram !

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Mais uma vez, desculpem pela demora. Mas está aí, espero que apreciem. xD
The Kinslayer
Enviado por The Kinslayer em 30/11/2007
Código do texto: T759319
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Sobre o autor
The Kinslayer
Santo André - São Paulo - Brasil
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