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Monólogo sobre a vida

        _ O que eu sou? – é o que pergunta a minha imagem refletida no espelho.
_ Sou um ser vivo da espécie Homo sapiens que nem sempre fala o que pensa e outras vezes não pensa quando fala. Respiro oxigênio misturado com outras porções de gases, tóxicos em sua maioria. Alimento-me de folhas, carnes, frutos e bebo água e outras bebidas que os animais nunca entenderiam por que bebemos, afinal eles bebem apenas água, já nós homens que não sapiens porcaria nenhuma tomamos bebidas gaseificadas, fermentadas, destiladas, logo beberemos bebidas irradiadas. Eu, enquanto pertencente à raça humana, comporto-me tal qual os meus semelhantes, que nem sempre são tão semelhantes assim. Aproveitando que eu mencionei raça, gostaria de entender o motivo de haver certo desprezo por pessoas de outras “raças” como dizem a maioria, sendo que na verdade o certo é etnia que ocorre devido à localização que os continentes ocupam, alguns mais setentrionais, outros meridionais, oriental, ocidental. São todos da mesma espécie, tendo algumas variações no tegumento e formato de rosto e outras pequenas características, mas por que não tratar todos de maneira igual? Além de respirar, comer, beber, dormir, reproduzir – até ai todos os animais são parecidos ou iguais – também deve se estudar, trabalhar, receber dinheiro, pagar os outros – sendo isso exclusivo da nossa espécie. Para receber e pagar em dinheiro é preciso trabalhar, ou seja, desempenhar uma atividade na sociedade. Alguns são médicos, outros advogados, outros são políticos, alguns são palhaços, e uma parte da sociedade compõe-se de ladrões, outras são meretrizes, há os filósofos, poetas, músicos e há aqueles que ganham a vida praticando esporte. Na tal sociedade ocorrem coisas engraçadas, estranhas, desprezíveis. Tenho curiosidade por que as pessoas fofocam, por que causam intrigas, alguns mentem (na verdade a maioria, só que poucos admitem, aliás, por que nem todos admitem coisas que todos fazem), outros são falsos com os outros, prejudicam, vão até certos locais e pedem pras entidades prejudicar o próximo por motivos tão fúteis. Poucos param pra pensar no que o ser humano se transformou e no que pode ainda pode se transformar: um ser repleto de atitudes que não dá pra explicar, um dia você pode ser bom, outro dia algo te faz ser uma pessoa ruim. E para tornar mais complexo há os espíritos que nunca vi e que dizem uma parte da sociedade que afetam esse plano em que nós vivemos, tanto os bons espíritos quanto os ruins. O homem ainda criou a idéia de que os astros influem na nossa vida. E pra não bastar o homem criou a escrita, sim, algo tão simples, mas que se não fosse criada, muita coisa não aconteceria, não evoluiríamos. Acho que respondi o que eu sou.
_ E por que você está aqui? Por que criou tantos rodeios pra responder sendo que apenas dizendo o próprio nome já responderia? Por que às vezes a gente se apaixona pelas pessoas que a gente menos espera? – pergunta a imagem refletida.
_ Não me faça pergunta difícil. E nunca pergunte por que a paixão fez isso e aquilo, ela simplesmente faz. E chega!
Saí da frente do espelho e quando voltei não encontrei reflexo nenhum. Havia um bilhete grudado no espelho que dizia: Fui buscar as respostas que você não soube dar, quer vir comigo? Te encontro no Caminho. No fim da mensagem ainda havia um P.S: o Caminho é aquele que você constrói cada dia, mas parece que às vezes você não progride, colocando um chão não muito firme, ou as vezes fica sem chão, venha comigo e vamos fazer um caminho melhor.

27/03/06
Miguel Rodrigues
Enviado por Miguel Rodrigues em 27/03/2006
Código do texto: T129436
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Miguel Rodrigues
Barueri - São Paulo - Brasil, 33 anos
1432 textos (42637 leituras)
6 e-livros (1681 leituras)
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Miguel Rodrigues