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A Personagem

Sabe, ultimamente tenho pensado em meus textos. Não porque eles sejam bons, ou ruins. Não é nada disso, é só uma questão de pensar nos personagens, como eles vivem, de onde vem, para onde.... Ah, deixa pra lá.
Mas alguém já parou para pensar de onde os personagens saem? Será que é um mundo de idéias, como dizia o Filósofo? Um mundo onde todos eles estão catalogados por seção, divididos em partes menores ou encaixes?
Então, quando alguém tem uma idéia vem um senhor de terno e crachá e puxa o personagem da estante (como no supermercado mas em escala mundial) e o coloca no texto? Ele põe o personagem na sua cabeça (escritor) e faz com que seu cérebro assine três vias de documentos coloridos responsabilizando-se por aquela não-vida? Deve ser isso. Mas, quando o personagem não atinge as expectativas? Onde eu devolvo? Será que basta ao meu cérebro telefonar para 01 1406 e dizer umas palavras mal-educadas à menina do telemarketing?
Uma vez me peguei pensando que os personagens nada mais são do que   devaneios de eus próprios conhecidos, gente que passou pela minha vida. É estranho pensar que o vendedor de cachorros-quentes da sexta série possa ter marcado minha memória como uma pessoa sorridente e tranqüila. E mais tarde, venha a se tornar o taverneiro, ou o barman de alguma história fantástica.
Outros personagens surgem quando menos se espera, como o Senhor Sardinha, que era de um conto que eu nem comecei, mas comparava a vida nos ônibus com a vida curta das latas de sardinhas. Era algo bizarro envolvendo um sindicato que não estava nem aí para seus associados; refiro-me ao sindicato dos ônibus,não das sardinhas, o das sardinhas se importa com seus associados.
Faz um tempo que comecei meu Romance Medieval, só que ele parou em um ponto estúpido onde tinha começado há três anos atrás. Que,por acaso, era o mesmo ponto onde eu tinha começado quando fiz o primeiro conto sobre esse mundo. Meu medo é “o que os personagens estão fazendo enquanto o conto está parado”, será que eles se tornaram amigos? Se isso acontecer eles podem estar planejando algo contra minha pessoa. Podem boicotar o maior romance já escrito por mãos humanas! E um dia eu abro o arquivo aqui nesse computador e eles saltam em mim e me amarram...
Espera. Se eu estou escrevendo isso no computador onde as histórias estão,logo.. melhor eu pagar isso antes que eles vejam.
Deixe-me apenas... espere.. quem são vocês? .. não eu não ia...

 
José Roberto Vieira
Enviado por José Roberto Vieira em 15/04/2006
Código do texto: T139432
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Sobre o autor
José Roberto Vieira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 34 anos
46 textos (4178 leituras)
17 e-livros (1659 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 14:59)
José Roberto Vieira