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Duas moedas

Entre uma cerveja e outra Ezequiel e Joshua conversam sobre o universo a vida e outras besteiras.

- ... e esses são os motivos, enumerado por ordem de importância, do porque odeio os cientistas ... Ezequiel, meu bom Ezequiel. Você parece distante. Nem reagiu ao meu discurso irracional sobre a ciência.
- Desculpe-me Joshua. Ultimamente não tenho dormindo muito bem.
- Posso ver que tem algo de errado. Você mal tocou nas suas duas grades de cerveja. O que está acontecendo?
- Um mistério, meu caro, um mistério! Desde que tudo começou tenho o sono perturbado. Você conhece a rua Street?
- Mas é claro. Nunca vi um nome tão idiota para uma rua.
- Pois bem, quando saio do trabalho e vou pra casa só tem um caminho, a rua Street. Já tem dez anos que eu ando por aquela rua. E nunca tive qualquer tipo de problema com ela. Nenhum mesmo. Mas nos últimos dias algo me deixa aterrorizado naquela rua tarde da noite.
- Ora Ezequiel, não me diga que com esta idade ainda tem medo do escuro!
- Não seja ridículo. É claro que não.
- Então o que lhe aborrece meu caro?
- É que de uns dias pra cá uma coisa muito estranha começou a acontecer. Sempre que eu chego pelas bandas do teatro Entfuhren, uma luz forte surge, assim do nada, sobre minha cabeça.
- Bem, talvez sua hora tenha chegado e o próprio Senhor veio lhe abrir as portas do paraíso.
- Eu fico parado ali, apenas observando aquela luz. Quando eu dou por mim se passaram horas e horas, mas me parecem poucos segundos.
- Talvez seja um daqueles tais discos voadores.
- Pode ser. Mas o que visitantes extraterrestres procuram sobre minha cabeça?
- Vai ver eles estão fazendo experiências em você.
- Isso é impossível! Eu lembraria de algo assim.
- Mesmo? Você se lembra de quando operou as amídalas?
- Não...
- E quando você tomou aquelas três garrafas de rabo de galo. Vai me dizer que se lembra de alguma coisa daquela noite?
- AIMEUDEUS... Eles podem ter colocado um chip na minha cabeça! Eles estão nos escutando! AIMEUDEUS...
- É bem provável.
- Então por favor, senhores extraterrestres, façam o favor de me deixar em paz. Se vocês querem realmente aprender algo, meu amigo Joshua aqui, tem muito a oferecer.
- Me deixe fora de suas confusões Ezequiel.
- Caso vocês se interessem, ele mora na avenida...

Joshua pegou o copo de cerveja que estava pela metade e virou no rosto de Ezequiel, que surpreso caiu da cadeira.

- Desgraçado, pra que isso?
- Eu me lembrei de um programa onde disseram que qualquer aparelho eletrônico quando molhado entra em curto.
- Bem pensado! Faz de novo por segurança.
- Não! Uma vez já basta. Além do mais, não tenho tempo para ficar com esses joguinhos, minha esposa me espera em casa.
- Então me dá uma carona. Eu não quero passar por aquela rua Street sozinho. Talvez eu considere a hipótese de me mudar.
- Claro, claro. Para isso servem os amigos. Mas você paga a conta.
- Eu? Mas por que?
- Já dizia meu bom avô, uma mão lava a outra!
- Mas eu só...
- UMA MÃO LAVA A OUTRA!
- Tudo bem. Da próxima vez vou lavar sua mão com ácido nítrico!
- Como disse?
- Nada, nada. Quanto será que devo deixar de gorjeta?
- Ezequiel, Ezequiel. Deixe o quanto quiser. Estou te esperando no carro.
- É... Acho que duas moedas já bastam!
Thom Ficman
Enviado por Thom Ficman em 27/05/2006
Código do texto: T164166
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Sobre o autor
Thom Ficman
Belém - Pará - Brasil
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Thom Ficman