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NEGÓCIOS

  Joseph Angstrom bateu de leve a ponta de seu charuto aceso na borda do cinzeiro dourado sobre sua escrivaninha. Acomodado em sua cadeira giratória, olhava com curiosidade os dois homens sentados à sua frente. Um deles era um negro, com incomuns olhos azuis muito claros. Tinha a cabeça raspada, e um pouco de barba em volta da boca, que formava um cavanhaque. Seu rosto de pele lisa era muito bonito, e ele tinha uma expressão suave que causava boa impressão. Seu acompanhante era um pouco mais alto do que ele, e era no mínimo sinistro. Tinha olhos estranhos, amarelos, sublinhados por olheiras muito fundas. Possuía traços agressivos. Seu rosto lembrava um pouco o de um árabe, e tinha uma tatuagem na face esquerda cujo significado Joseph desconhecia. Midell Hill e Argus Hycker. Nomes estranhos para pessoas estranhas.
   Angstrom estava feliz pela presença deles. Eram dois excêntricos, mas ambos tinham ares aristocráticos, o que indicava que tinham muito dinheiro no bolso. E era ótimo fechar negócio com gente da classe alta.
__ Uísque, cavalheiros? __ Joseph apanhou uma garrafa cheia de líquido cor de âmbar e três cálices, oferecendo a bebida a seus futuros clientes.
   Os dois recusaram educadamente, e Angstrom pediu licença para se servir. Virou a garrafa no cálice, enquanto olhava distraidamente para a janela panorâmica do escritório.  A vida corria lá fora, em pleno século 21, e os barulhos da rua pareciam muito distantes, ouvidos daquele andar do edifício. Angstrom decidiu-se a usar sua bela estratégia de negociante, e começou a conversar com casualidade, tentando não abordar diretamente o assunto do dinheiro.
    Está um belo pôr-do-sol nesta tarde, não acham?    ele suspirou, sorrindo cinicamente, tentando agradar.
    Só pra você, seu porco-capitalista.
   Angstrom se virou, atônito pela resposta de Argus. Mas nada o deixou mais surpreso do que o revólver calibre 38 que Midell empunhava, com um sorriso, apontado diretamente para ele. Seu queixo caiu, enquanto sua mente tentava raciocinar. Não teve nem tempo de entender a situação ou sentir medo, antes que Midell apertasse o gatilho, sem tirar o sorriso da cara, e disparasse uma bala mirada na cabeça de Joseph. O projétil abriu um buraco em sua testa e saiu por sua nuca, espirrando sangue e fragmentos cerebrais na parede às suas costas. Sua boca permaneceu aberta, e seus olhos sem vida continuaram olhando para a arma, antes dele cair sobre a mesa, derrubando o trago de uísque. Morto.
__ Belo tiro, Mind.__ Argus se levantou da cadeira, olhando para o cadáver plácido ainda sentado atrás da escrivaninha.
__ Obrigado.
   Ele também ficou de pé. Os dois se entreolharam, e fitaram o corpo gordo do empresário. Uma crescente poça de sangue se espalhava sobre o tampo da mesa, ameaçando escorrer e manchar o tapete. Argus se adiantou, apanhou um cálice do lado da garrafa e posicionou-o na borda da mesa. O fluxo de sangue veio até ali, e pingou dentro do copo, enchendo-o com rapidez. Quando estava cheio até a borda, Argus retirou-o, e esperou que Midell imitasse seus gestos. Então, os dois ergueram os cálices, brindando a si mesmos, e beberam o sangue, devagar, saboreando o gosto.
    Não sentiremos remorso por essa, não?    Argus terminou seu drinque, e voltou a pousar o cálice na mesa, do lado da orelha esquerda de Angstrom.
__ De forma alguma. __ Midell fez o mesmo que ele, e colocou as mãos nos bolsos do casaco negro. Parecia muito bem-humorado __ Humano tem que viver, vampiro tem que beber.Cadeia alimentar, matéria de quinta série... Vamos embora, antes que subam para ver o que houve.
   Era uma boa idéia. Já se ouviam passos e vozes agitadas no andar inferior. Midell se espreguiçou, guardou o revólver cromado num bolso interno da roupa, e se dirigiu para a porta, saindo para o corredor vazio. Argus ficou alguns segundos contemplando o humano morto estirado do seu lado. Então se aproximou, e lhe deu um tapinha na cabeça perfurada, dizendo, antes de sair atrás de Midell:
__ Foi bom fazer negócio com você.










obs.: este texto não está lá estas coisas...era pra um concurso literário do colégio. com o limite de quarenta e poucas linhas e um público alvo de quinta a oitava série, não pude fazer grande coisa...
Jślia Palazzo
Enviado por Jślia Palazzo em 18/07/2006
Código do texto: T196327
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Sobre a autora
Jślia Palazzo
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 23 anos
4 textos (199 leituras)
(estatķsticas atualizadas diariamente - śltima atualizaēćo em 04/12/16 22:43)