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....e la' vai ele, o lobo guara' solitario..cuidado amigo, olha o big caminhao que vem em sua direcao..vai pra mata, lobo guara querido, vai..vai se esconder vai...do homem!!!..nao vai la' para a aldeia nao!!! te matam por la'..
.............lobo tem...homem nao...homem nao tem coracao nao!!!


                  
                      UIVOS...dos LOBOS GUARA'S


             Damacena, nao parava de olhar ora pela janela, ora pela porta, os lobos estavam de novo se reunindo desde a noite passada, era fevereiro, comeco do ano de 2010 e quem sera' desta vez?..pensava ela, quem sera'? e seu pensamento voltou la' na infancia.....

             Ela se lembrava bem..hoje ja' tem setenta e seis anos,  tinha deis anos quando ouviu pela primeira vez contarem o caso '' dos lobos guara's''...uns tropeiros que voltavam la' do oeste, do meio das matas, contando o ''causo'' e ela nao dormindo 'a noite, de medo, e  ia pra cama dos irmaos , dormiam todos abracados com medo e se era noite de lua cheia e um dos lobos comecava a uivar...adeus  dormir!!!

             Ela cresceu, gostou de Demetrio,  filho de um dos  tropeiros que passavam pela vila e com ele seguiu adiante, casou, teve filhos e foi morar na vila dos '' lobos guara's'', a vila ficava proxima onde tudo aconteceu...

             Nos tempos idos, de antanho mesmo, Licurgo, um portugues casado com uma india, tinham varios '' indinhos'' lindos, ele tinha um rocado grande por aquelas bandas do oeste e os lobos guaras andavam solto por la'..ele foi fazendo amizade com o '' chefe' ' da alcateia, conquistando o '' bruto''' e ele, o chefe, que Licurgo chamava de "" Surdo'', tanto falava com o surdo, ele como bom lobo fingia que ano ouvia...no comeco ficava de longe, Licurgo colocava carne, comida, e ele, o surdo, foi se aproximando e foi trazendo as '' suas senhoras'' e apresentando 'a Licurgo e ele, Licurgo, tambem apresentou sua india, Diacui e os diacuizinhos...e uma manha Licurgo acordou, e acordou a familia toda para ver....

              Surdo estava trazendo sua '' famiagem'' toda para apresentar a Licurgo....ficava de longe, as lobas mais expansivas e os lobinhos curiosos fazendo aquela farra no terreiro em frente  a casa...Diacui e os filhos foram se aproximando...o cheiro era forte, venceram o nojo, e sentaram no chao...as lobas, os lobinhos receosos, temerosos, mas foram chegando, cheirando...imagino que  o cheiro do '' humano'' tambem era repugnante para eles...mas a primeira loba lambeu a mao...dai para a frente foi so' amor que rolou...e Surdo e Licurgo so' no olhar..um de frente para o outro...viu? somos iguais...e eram...e ficaram amigos...

               Uma manha, anos depois, dois ou treis, nao sabem contar direito aquele povo, uma loba chegou no atropelo e uivando...uivando, acordou a familia de Licurgo, sairam para fora..ela, a loba,  correndo, parando, correndo...levou Licurgo ate' onde estava Surdo...preso em uma armadilha, de ferro, uma das patas decepada, a outra quase...Licurgo chorava...a loba uivava...as outras tambem...e Diacui levou as criancas e os lobinhos para dentro de casa...as lobas e os mais jovens ficaram em  silencio e Licurgo tirou o amigo da armadilha, juntou a pata decepada e carregou para sua casa...as lobas e os jovens lobos seguindo...em silencio!!

              Colocou no chao do rancho dos animais, tinha por la' algum remedio, nada servia...como costurar pata decepada por aco? por ferro? ......o sangue escorria, manchava o chao...os olhos de Surdo,brancos, esgazeados, o coracao batendo fraco, fraquinho, parou....Licurgo enterrou na frente da casa, no lugar que aquele dia ele veio, altivo, soberano trazer a familia...ficou por la'...as lobas e todos os lobos deitados em silencio..nao uivavam nao, e durante treis dias assim foi...e depois , no quarto dia, foram um por um para o seio da mata....e de longe se ouviam os uivos, os lamentos, duraram sete dias...e pararam.

              Treis dias antes de Licurgo morrer, anos depois, os lobos, as lobas , os lobinhos foram se achegando, se reunindo, nao uivavam nao...mas na manha que Licurgo morreu...foi um uivo so'''...um lamento sem fim..um uaauuuuauuuuu longo, sentido...parecia que saia do fundo do coracao da alcateia....uuuuuuuuuuuuuu!!!!! e seguiram ate' o cemiterio da vila, ficaram por la' treis dias...em silencio e voltaram para a mata, um por um...e se ouviam os uivos e lamentos...por sete dias uivaram,depois pararam...e

             Quando Diacui morreu mesma coisa...e cada filho que ia envelhecendo e morrendo igual...treis dias antes e os lobos uivando e tudo se repetindo...e assim foi de geracao a geracao dos descendentes de Licurgo..e Damascena agora pensando quem seria desta vez?.....

              Seu marido, Demetrio era descendente de Licurgo, um dos ultimos, tinha seu pai , um tio e um primo...e moravam todos por perto...para quem seria agora, perguntava ela, para quem?...

              Foi o velho Antenor, o pai de Demetrio, estava velho, doente e foi descansar...e os lobos levaram ate' o cemiterio da vila, acompanhando o caixao, ao lado, e para quem visse de longe,,,que arrepio!!!...que cena macabra...mas para Damascena, Demetrio e familia nao..sabiam, era uma homenagem de amor, de amizade por humanos que tratavam bem os lobos....depois que Surdo morreu ,Licurgo lutou e muito e consegui uma lei na vila, que virou cidade...nao mais armadilhas, cacadores, e o pior  deles, os vendedores de lobos guaras para zoologicos, nunca mais apareceram por la' nao!!!............tambem!! pudera...Licurgo era o prefeito da cidade quando morreu, tinha sido antes...e vereador foi tambem...e cacadores por la'? sumiram....se escafederam....ate' os lobos pareciam que sabiam ler..ou sentir?...sentiam o ''cheiro '' de cacadores de longe....e atacavam...so' cacadores....so' cacadores!!!

             As geracoes futuras agradeceram...e muito

             Sao lindos os lobos guara's, nao sao?

             Voce ja' viu um?...sem ser em zoos?.. viu na mata? fazendo amor com as lobas?...criando lobinhos?..uiivando para a lua?.....eu nunca....que pena!!!!....que pena!!!!



jovens indias.....               lobo..na trilha..cuidado lobo...e nao e' majestoso?


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WILLIAM ROBERTO CUNHA
Enviado por WILLIAM ROBERTO CUNHA em 14/02/2010
Reeditado em 15/02/2010
Código do texto: T2087088
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Sobre o autor
WILLIAM ROBERTO CUNHA
Estados Unidos, 70 anos
824 textos (58989 leituras)
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WILLIAM ROBERTO CUNHA



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