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O Noivo Finlandês

Ela tinha encontrado o seu Finlandês na Internet.
Logo quando o conheceu, largou o Holandês, com quem tinha se comunicado por alguns meses e deixou-o falar sozinho.
O negócio com o Holandês até tinha começado a ficar sério, ao ponto dela ter proposto a um senhor Holandês, já de idade, para este lhe dar aulas naquela língua.
Logo quando viu o retrato do Finlandês enviado em anexo num email, sabia que este era o homem da sua vida. Alto, louro, forte, solteiro, 33 anos e engenheiro agrónomo, funcionário do Ministério da Agricultura no seu país. Usava uns óculos de armação grossa e tinha um bigode. Uma beleza de homem. Um pão!
O nome dele é que era meio complicado: Einojuhani Alakalhunmaa.
Infelizmente o seu professor de Holandês sabia pata vida de Finlandês e ela não fazia a mínima como se pronunciava o nome daquele que ela já chamava para se de “ o meu amor”.
Comunicavam se em Inglês, uma língua com a qual ela se dava cada vez melhor, embora se tivesse que falar, falar mesmo não lhe saía nada: tinha um tipo bloqueio. Não passava de : tank you, auáyu e goodmorningue. É que ela não tinha ninguém com que praticar mas sabia se for o caso ela aprenderia logo quando tivesse uma oportunidade de estar exposta à língua falada.
A Solange, como se chamava, além de ser uma mulata monumental e tanto, não era burra não.
Conversa ia, conversa vinha pelo correio electrónico, chegou a hora de se conhecerem pessoalmente.
Escreveu ele: - Como um rio tem que correr para o mar, você há de vir correndo para os meus braços.
Respondeu ela: - Você é o meu destino. O dia vira em que eu me entregarei todinha pra você. Será quando você cobrir o meu corpo com os seus beijos. Serei como uma flor que tem de se abrir quando for beijada pelo sol.”
Gostou ela muito desta sua frase com a flor: com certeza agradava a um engenheiro agrónomo.
Agradou, agradou. Em menos nada foi informado que podia ir para à KLM na Avenida Rio Branco e apanhar um bilhete Rio-Amsterdam –Helsinki, ida e volta.
Dava ela pulos de alegria. Ia conhecer o país dos 300.000 lagos ou eram 30.000? Eram muitos, isto sabia ela, também ia conhecer o bangalô que o homem tinha à beira dum destes lagos, bangalô este que tinha uma sauna e donde era costume saltarem-se pelados na neve. “ Em Roma se faz como os Romanos”, pensou ela e foi tratar do seu passaporte.

Nunca tinha voado antes e gostou. No aeroporto de Amesterdão teve que mudar de avião e logo na sala de espera para o voo à Helsínquia., viu mais umas 5 conterrâneas, todas mulatas, empetecadas, de corpos esculturais, e como mande o figurino, todas muito assanhadas no jeito de falar e de andar. Viajaram com ela no avião que vinha do Rio e viu agora que elas também iam à Finlândia. Claramente bastante exaltadas, faziam uma algazarra, já que o fim da viagem estava em vista. No voo para Helsínquia uma delas se sentou ao seu lado e aí ficou sabendo que esta, tal como ela, também ia de encontro a um homem que nunca viu mais gordo antes. Ainda ficou sabendo que ela usava o mesmo líquido para alisar o seu cabelo, que, nem o dela, era “ruim como o diabo”.
Falaram se ainda da sua preocupação de chegar lá e não perceber nada do que os “seus homens” diziam. Estavam de acordo que a língua Finlandesa devia ser fogo. Disse a Solange: “ Nem sei como pronunciar o nome do meu. Tem um nome comprido e complicadíssimo. Vou chama-lo de “ my luvey “ por enquanto.
“ Ah, o do meu é fácil “ É Karl”, dissera a sua companheira de viagem.
No desembarque em Finlândia a mala da Solange foi uma das últimas a aparecer e ela teve receio de a ter perdido. Quando finalmente chegou na alfândega, no controle de passaportes para “Cidadãos – Não – CEE”, viu alarmada que aparentemente a sua companheira estava sendo barrada de entrar, pelo menos estava sendo interrogado por dois homens de uniforme com cara de poucos amigos. Deu uma tremedeira nela.
“ Ai, se não me deixem entrar. São Judas Tadeu me acuda. “
A Solange entregou junto com o seu passaporte uma carta em papel timbrado do Ministério Finlandês de Agricultura na qual ela sabia que o seu Einojuhani declarava que ela, Solange, vinha a visita e que ele se responsabilizava por ela no que desse ou viesse. Após do funcionário passar os seus olhos no documento, carimbou, sem mais perguntas, um visto válido por 3 meses.
Empurrando a sua mala para o hall dos desembarques, viu ele logo com aqueles óculos grossos, aquele bigode e um grande sorriso para ela e já de braços abertos.
“ Olhe o safado”, teve tempo de pensar, ” Mandou um retrato do quando ele era bem mas moço”. Assim como ela se tinha imaginado já inúmeras vezes, jogou-se ela nos braços dele dizendo-lhe: Oh, my luvey, oh my luvey”. O homem começou a dizer “Oh, my darling, oh, my darling” e depois disse mais uma data de coisas que ela não percebia mas respondia com um imenso sorriso, mostrando bem os belos dentes que ela tinha.
Ele carregou a mala dela até o carro dele. Foi pela primeira vez na vida que ela viu neve e sentiu um frio danado. Já não tinha certeza agora que esse de pular na neve pelada depois duma sauna era ideia que lhe atraía.
“Só doido mesmo,” pensou. Tinha saído do Rio com 45º C  “no asfalto” na avenida Brasil. Observou que o homem tinha boas maneiras, já que foi abrir e fechar a porta do carro para ela.
“ Tank you”, ela disse, sempre sorrindo.
Chegando no apartamento dele, teve pouco tempo de o apreciar. Notou que estava uma temperatura bem agradável e que tinha televisão tela plasma.
É que o homem foi logo agarrando ela para o quarto de dormir, falando coisas de amor em Finlandês, presumia ela, já que vinha misturado com muitos “ my darling” no meio e, enquanto descobria freneticamente o belo corpo dela, arrancando-lhe a roupa toda, cobria o descoberto de beijos.
Em menos de uma hora após a sua chegada em Helsínquia, cumpriu a sua promessa de fazer amor com ele pela primeira vez. Em menos de uma hora e trinta e cinco minutos cumpriu pela segunda vez e em duas horas e dez pela terceira.
“ Coitado,” pensou ela “O cara estava precisando mesmo. Mas pelo menos é homem”.
Após dessa agitação toda e ele bem mais calmo, ela ainda deitada por debaixo dele, olhando para o teto e passando os seus dedos pelos cabelos louros dele, tentou experimentar dizer o seu nome e murmurou:  “Oh, my Einojuhani”.
O homem, meio exausto, arranjou forças para levantar a sua cabeça e olhando seriamente nos olhos dela, disse:
“ Karl, my name is Karl.”
John
Enviado por John em 20/08/2006
Código do texto: T220841
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John
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