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Abraços... (III Parte e final)

E de repente, quando eu menos esperei, ele pega minha mão e a cobre com as suas. A gente já tinha brigado tanto, se magoado tanto... E por tanto tempo ficamos longe, sem se tocar, sem unir nossas mãos de novo... "Por que demorar tanto para me socorrer?" ... Logo agora que eu nem sabia qual era o meu problema...
-Eu realmente sinto muito. - e ele diz isso olhando nos meus olhos. - por tudo que eu te causei, e por tudo o que eu não fiz... Mas não foi minha intenção. Eu não pensei em como tu podia ficar tão mal... Eu não pensei em ti.
-Isso era tudo o que eu queria ouvir antes... Mas não seria sincero, não é?
-É...
-Então por que começamos tudo? - mas por um momento eu me arrependi de ter feito essa pergunta. Eu SABIA de tudo desde o início, e embora eu estivesse apaixonada por ele na época, eu sabia exatamente aonde iríamos chegar... "Se eu sabia de tudo, por que continuei?... Mas meu sentimento era sincero...".
-Por que tinha que ser...- ele diz, mas eu não sinto nenhuma firmeza nas palavras dele. - talvez porque eu não queria abrir mão de alguém... Tu me fazia bem, e eu fui egoísta.
-E tu também me fazia bem... - Ele realmente me deixava feliz. Era como um remédio para um doente. - O que mais me incomoda é saber que não havia nada para fazer. Que tudo tinha fugido do meu controle, das minhas ordens, e que nada que eu fizesse poderia mudar a nossa situação... A solução estava nas tuas mãos, contigo. Mas ela não seria sincera...
-Não, não seria.
-E é agora?
-De que adianta saber se é ou não?
-Não sei, talvez um consolo vago...
-Ela é, mas já não adianta em nada.
-Claro que não. Mas a tua presença ainda me faz bem... E eu sinto ter que passar os dias sem ela.
-Por quê?
-Não sei... Talvez porque a gente sempre tem assunto. Porque a gente se diverte, porque talvez eu lembre de como eu costumava ser... Mas também como uma prova de que tudo acabou.
-Eu quis ter voltado... Pode ser que não acredite, mas eu quis...
-E por que não voltou quando ainda tinha tempo?
-Porque tu estava comprometida. - E essa resposta veio como uma facada, pois lembro que eu só perdia meu tempo naquela época. - E eu não queria revirar tua vida. - ele completa.
-Talvez tivesse sido tudo diferente... E tu sabe que poderia mesmo, da minha parte.
Mas ele não me responde... E eu não deixo ele responder:
-As verdades deveriam ter sido ditas antes.
-Mas não foram.
-Não, elas não foram... E eu sinto por isso.
-E eu também...
-Eu sinto que eu não vou me curar... Eu penso também que não vou sentir o que senti por mais ninguém, além de ti... Mas as vezes... Eu penso em nós... E eu me sinto como antes. Tão bem, viva, apaixonada... Sei lá. Mas agora eu estou te vendo, e eu não sinto nada! Nem se quer raiva, ódio ou rancor... E eu fico irritada comigo mesma ainda por cima. Sei que não tens culpa... Mas eu lembro de como eu era sonhadora... E eu só quebrei a cara por isso. Não que seja ruim, mas eu já não sinto mais nada... E então você vem, pra mexer com as minhas lembranças, me deixar mal, me fazer lembrar de como eu era melhor antes, e o que eu me tornei...- respiro fundo enquanto me levanto. - Eu sinto muito por isso... E obrigada por tudo.

Eu me levanto e saio, com lágrimas nos olhos. Elas eram frias e indiferentes. Elas eram lembranças condensadas. E a música ainda tocava em minha mente.
Mas ele não me deixa ir, e segura firme meu braço. Ele se levanta e eu me viro, meio indignada, meio sem jeito. "O que vem agora?"...
Um abraço. O abraço veio... Finalmente. Aquele que eu tanto pedi, que tanto demorou. Eu escondo meu rosto no ombro dele para tentar enxugar minhas lágrimas e cobrir meus olhos, e eu sinto o calor da sua respiração, e como se fosse consolada por algum anjo bom e sincero... Fecho os olhos, mas eu não queria fechar, pois eu apenas costumava imaginar essa cena, de olhos fechados... Eu precisava ver que era real. E eu finalmente me senti aliviada. Ele me abraçou forte, escondeu o rosto em meu ombro, como eu, e ficamos assim por algum tempo, juntos, como se fossemos um, ou como se juntos pudéssemos de uma forma ou outra apagar todas as mágoas... E eu que tanto sonhei com isso, e em sonhos eu me tornava tão feliz... Eu tanto precisei disso em outros tempos, e agora a necessidade só aumentara... Eu que sonhei tanto.... E neles eu voava, de tão feliz, por que finalmente meu presente havia chegado, e eu já não precisava mais chorar... E agora estava acontecendo, como em meus sonhos, mas melhor, muito melhor, porque era real... Eu não precisava mais sonhar, e nem acordar pior do que quando fora dormir, por tudo ser um mísero sonho... As lágrimas já não precisavam mais sair contadas, não havia nada mais para chorar. Não, isso não era ilusão, ele estava ao meu lado mesmo, e nós estávamos abraçados, livres de todas as mágoas, das frases pré-ensaiadas, de todo os fantasmas do passado, mas ao mesmo tempo abraçados por causa deles... Eu levaria eternamente a lembrança desse abraço comigo, o sentimento que ele me passou, e o sonho que tornou-se realidade...
E viveríamos para sempre com isso.

(Baseado na vida real e em sonhos... E sim, eu praticamente voava neles... #D)
Alecrim Crim
Enviado por Alecrim Crim em 26/08/2006
Código do texto: T225740

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Sobre a autora
Alecrim Crim
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 27 anos
374 textos (14585 leituras)
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Alecrim Crim