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É!

Escuta, eu tava sonhando com uma mulher peladona, nua e louca; a ponto do orgasmo, acordei.

O problema não foi ter acordado, foi ter acordado no meio da sala da aula com a mão ejetando meu pau. Se vestido já seria um caso, imagine pelado, pois sim, eu estava pelado. Sabe-se lá como, mas eu estava no meio da sala de aula sentado com a bunda fria no assento branco e me masturbando enquanto todo mundo olhava pra mim, risos entre mãos e cadernos.

Também dei risada, lógico, fiquei ali apenas aguardando acordar daquele sonho absurdo. Problema era que a masturbação pública já era cenário de um sonho anterior, portanto...

Mas eu acordei; ainda bem. Tava no elevador, encostado na minha namorada. Devia estar cansado: normal. O elevador descia vagarosamente; entrou um cara. Careca, ligeiramente maior que eu. Estávamos todos quietos, mas algo me formigalhava o corpo. Não pensei três vezes: o cara de costas, saquei um soco fortíssimo na nuca dele - de baixo pra cima.

- Nossa, desculpa... Te juro que não sei o que...

Ele me olhava com essa cara incrédula-cômica, não fazia sentido. Morri de vergonha e ele nem revidou. Acho que não entendeu, nem eu entendi. Olhei pra menina tentando entender, mas ela não tava mais lá.

Acordei no ônibus. A cabeça encostada no vidro; limpei a baba e olhei em volta. Ri de todos os sonhos estranhos. Do meu lado, meu pai. Olhando e olhando em redor, tranquilo.

Abri minha mochila pra pegar alguma coisa, mas desisti. Em vez disso, segurei forte a cabeça do véio e meti a língua na boca dele, um beijo acalorado. Terminando a cena de amor, parei. Olhava pra ele com tensão.

- Eu... não...

Gaguejei, e o ônibus riu. Ele me xingou, pobre coitado. E eu beijei ele de novo.

Acordei dentro de um carro. O meu carro. A cabeça doía, quanto será que eu devo ter bebido pra ter esse tipo de alucinações? Sai da caranga, e descobri estar no estacionamento do prédio. Subi, o mesmo elevador, o mesmo cara.

Bati de novo, mas podia jurar não estar sonhando, tinha a certeza de tudo. O problema foi que o careca não pensou duas vezes e revidou, vai ver deve ter lembrado da outra vez, sei lá. Ao chegar no meu andar, sai do elevador com dores e cabrero, entrei em casa. Tudo normal, fora um barulho nada natural vindo do quarto.

- Droga, minha mãe e meu pai tão trepando, porra.

Minha mãe sim, mas meu pai não. Na cama: minha namorada e minha mãe.

Sai de casa, desci o elevador, mas nenhum sinal do cara. Sai pela portaria e entrei em uma ruela de casas. Logo na primeira, um cachorro preto olhava pra mim com escárnio. Olhei bem pra ele.

- Fala cachorro estúpido.

Mas ele riu, chamava Bandini. Riu, latiu e mijou nas minhas calças.
Bruno Portella
Enviado por Bruno Portella em 12/10/2006
Reeditado em 02/01/2009
Código do texto: T262698

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Sobre o autor
Bruno Portella
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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Bruno Portella