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DEPOIS DE TUDO, NO FIM, AINDA HAVIA ALGO MAIS.

O gato, trancado na gaveta, insistia em gritar feito um animal enjaulado, enquanto os telefones que voavam ao redor da sala, numa cantoria ensurdecedora e monofônica, não deixavam ninguém, que estivesse de pé àquela hora, dormir. É óbvio que tudo parecia estar transcorrendo normalmente para quem estivesse passando por ali e resolvesse entrar para conferir. Mas num mundo psicografado pelas mentes mais diabólicas que um “ser maior” pode conceber, seria inverossímil acreditar num cenário daqueles. A não ser que você fosse também um “ser psicográfico”.
E agora devo explicar que esse estranho acontecimento, fazia parte e completava este mundo.
Mas se você me disser que tudo isso não passa de uma aventura sobrenatural, criada pela mente pérfida de um “ser psicocrônico”, provavelmente você seria capitulado no Art.1º - parágrafo único - da Lei de Repúdio ao Insólito. E daí, eu não poderia fazer mais nada por você. A não ser que você admitisse em público que tais acontecimentos faziam parte de uma “coisa maior”, que estaria fora do alcance das mentes menos favorecidas psicograficamente, como a sua.
Logo, se tudo isso é motivo para que eu continue a narrativa, assim o farei.
E no arranhar de dentes e unhas nas paredes internas da gaveta, o insistente gato tentava escapar de seu umbral.
O que ele não sabia – nem poderia – por se tratar de um animal psicomonocéfalo, é que a fechadura e as chaves estavam dentro da gaveta com ele.
Isso ratifica como uma mente tão diabólica pode ser tão brilhante.
Mas nem tudo estava perdido. Enquanto as asas das xícaras estivessem em seus lugares, presas e impossibilitadas de atacarem os telefones voadores, a paz estava garantida.
Mas no chão, as nuvens acinzentavam-se preconizando um grande temporal, rugiam ao redor dos presentes, indignados por não poderem deitar e dormir.
De repente um estrondo e um gato voando através da janela deu sentido a tudo aquilo. As nuvens se dissiparam, os telefones abatidos pelos tiros de canhão que vinham da cozinha, se despedaçaram no chão e todos puderam dormir em paz.
E então, depois do fim, a sombra do gato, começa a arranhar os ouvidos dos que se deitaram com ouvidos de ouvir.
Com a ajuda de alguns garfos e facas, puderam então jantar e esperar em paz pelo novo dia que já se prenunciava lá fora. FIM!
E você que se perguntava se o “fim” seria mesmo fim de tudo, eu diria que depois de tudo, no fim, ainda havia algo mais.
Alexandre Costa
Enviado por Alexandre Costa em 16/10/2006
Código do texto: T265836
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Sobre o autor
Alexandre Costa
Santos - São Paulo - Brasil
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Alexandre Costa