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imagem da net (Roberta Foster) - tube e design de Vincent Benedicto

Excitação incontrolável
Vincent Benedicto


Um cibernético internauta – programador de sistemas, introvertido – conseguiu finalmente realizar o sonho da sua vida: um cruzeiro. Estava curtindo a viagem quando um furacão virou o navio como se fosse uma caixa de fósforos. Por sorte... conseguiu agarrar-se a um salva-vidas e chegar a uma ilha aparentemente deserta e muito escondida. Deparou com uma cena belíssima: cascatas, bananeiras, coqueiros... e quase nada alem disso. Sentiu-se desesperado e completamente abandonado.
Vários meses se passaram e um belo dia apareceu, numa canoa, uma moça deslumbrante, mistura de Roberta Foster com Flávia Alessandra. A moça atracou seu pequeno barco e num gesto de solidariedade foi ao encontro do internauta:
– Eu sou do outro lado da ilha. Não me digas que também estavas no cruzeiro?
– Estava! Mas onde diabo conseguiu esse bote?
– Simples! Com uns ramos de árvores, e alguma borracha, reforcei os ramos, fiz a *quilha e os remos com madeira de eucalipto.
– Bom! Fantástico! Mas... com que ferramentas?
– Bem, achei uma camada de material rochoso, evidentemente formada por aluviões siliciosos. Sabia que aquecendo este material a certa temperatura, ele assumiria uma forma muito maleável, e ao arrefecer adquiriria uma considerável dureza e resistência. Mas chega disso! Onde tens vivido este tempo todo? Não vejo por aqui nada que se pareça com um teto...
– Para te ser franco, tenho dormido na praia (reconheceu envergonhado).
– Queres vir a minha casa?
O internauta aceitou... meio atrapalhado. Ela remou com extrema destreza, e quando chegou ao seu lado da ilha, amarrou a canoa com uma corda, que mais parecia uma obra prima de artesanato. Desembarcaram por uma passarela de pedras – construída por ela – e se depararam, atrás de um coqueiro, com um lindo chalé pintado de azul e branco.
– Não há muito, disse ela, mas eu chamo isto de lar, doce lar!
Já dentro, ela o convidou:
– Senta-te, por favor! Aceitas uma bebida?
– Não, obrigado! Já não agüento mais água de coco!
– Mas não é água de coco! Eu tenho um alambique meio rudimentar lá fora, de forma que podemos tomar algumas pinas-coladas autênticas!
Tentando disfarçar o embaraço, o internauta aceitou. Sentaram-se num sofá de pedra, improvisado, para conversar e depois de trocarem as suas histórias, a beldade perguntou:
– Sempre usaste barba?
– Não, respondeu ele! Na verdade sempre andei muito bem barbeado.
– Bom... se quiseres te barbear, tem uma navalha lá em cima, no armário da casa de banho.
Ele achou que era gozação, mas ainda assim foi lá para cima, e realmente fez a barba com um complicado aparelho feito de osso e conchas, tão afiado como uma verdadeira navalha. A seguir, tomou um bom banho, sem nem se quer arriscar a perguntar, como era possível existir água quente!
Desceu, maravilhado com o acabamento impecável do corrimão.
– Pareces 10 anos mais novo! Disse ela. Vou lá em cima também vestir algo mais confortável.
O nosso herói continuou a degustar a pina colada, quando de repente, ela parecendo uma rainha voltou se exibindo, com um delicioso perfume de gardênias, vestindo um estonteante e revelador vestido, muito bem trabalhado em folhas de palmeira.
– Bom, disse ela, ambos temos passado um longo tempo sem qualquer companhia... tu não te sentes solitário? Há alguma coisa de que sintas muita saudade? Algo que todos os homens e mulheres precisam?
– Mas é claro! Disse ele esquecendo um pouco a timidez. Ao fim de todos esses meses as necessidades acumularam-se. Mas... aqui nesta ilha... Sozinho, sabes como é... era simplesmente impossível!
– Bom, disse ela, acho que te entendo perfeitamente... também já não agüentava mais!
O rapaz, tomado de uma excitação incontrolável, disse, quase alucinado:
– Não acredito! Não é possível... Não me digas que também arranjaste um meio de ler os teus E-mails aqui, na ilha?



Comentários:

* Quilha - parte inferior do barco que constitui sua coluna vertebral, na qual se apóiam outras peças.

Remexendo os meus alfarrábios encontrei essa pérola que escrevi há oito anos atrás, para um site de humor. Dei-lhe uma pincelada e aí está! 
Espero que gostem! 
Abraços!
Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 09/11/2006
Reeditado em 09/11/2006
Código do texto: T286401
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Vincent Benedicto