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PINÓIA

   
    Ele pegou o tubo com raiva. Sua inspíração havia sumido, assim, repentinamente. Talvez fossem seus devaneios sexuais e amorosos que andavam um pouco fora de controle nos últimos tempos.
   Num impulso repentino e inusitado, até mesmo para ele, enfiou em sua própria boca e espremeu, enchendo-a com um vermelho magenta.
   A tela em branco ali, esperando pela sua genialidade  inconfundível. Se com as mãos a coisa não ia, quem sabe daquela maneira.
   Cuspiu. Um cuspe rápido, seco, certeiro. A tinta se espalhou formando uma imagem surreal, única.
    Depois dissso aprendeu que não precisava mais se preocupar com a inspiração, caso ela não aparecesse.
    Os intelectuais e os formadores de opiniões iriam adorar essa sua nova fase. Qualquer coisa que fizesse sempre era entendido, estudado e elogiado.
    Discorreriam em grossos volumes toda uma análise sobre esse seu novo trabalho, sua profundidade, complexidade, densidade. Os expert's entancariam na frente do quadro, formulariam conceitos, explicariam aos leigos o significado daquela abstração e definiriam o que havia se passado pela cabeça do artista, no processo de criação daquela extraordínária obra de arte.
Afinal, ela era Pablo Picasso
Márcio José
Enviado por Márcio José em 27/11/2006
Reeditado em 13/06/2015
Código do texto: T302788
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Márcio José
Curitiba - Paraná - Brasil, 48 anos
61 textos (26978 leituras)
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Márcio José