A FAMÍLIA CASADA EMBOLADA

A FAMÍLIA CASADA EMBOLADA

O lugar era um povoado dos tantos das Minas Gerais. As pessoas se conheciam pelo nome, sobrenome e até pelo apelido. Ali não tinha padre nem pastor naquele rincão. Quando havia um casamento era festa a semana inteira. As famílias todas eram parentes ou aparentadas. Aí começou a embolada quando Manoel resolveu casar-se no jubileu do padroeiro do lugar.

Manoel era viúvo da sobrinha de Ana e casou-se com a prima dele. A prima morreu de parto e ele resolveu casar-se com a sogra que era viúva do seu cunhado, que tinha uma irmã casada com o irmão de Manoel.

Sebastião era sobrinho da sogra de Manoel. Ele casou-se com a irmã da sogra daquele, a qual deixou Antônio viúvo que era casado com a irmã da prima de Sebastião, que morreu e a sua viúva casou-se com o tio de Manoel que era viúvo da tia da sogra de Sebastião. A neta de Manoel casou-se com o neto de Sebastião que era filho da enteada de Manoel. Manoel morreu e sua filha casou-se com o neto da viúva de Antônio.

Aí... Aí para complicar mais ainda chegou um pastor no vilarejo e fundou uma igreja no povoado. O bisneto de Manoel herdara sua fortuna e queria casar-se com a sogra para juntar as heranças. Ele procurou o pastor para uma conversa reservada. E o evangélico não só esconjurou o rapaz como o mandou aumentar o dízimo.

No domingo seguinte o moço casadoiro encontrou-se novamente com o pastor antes do culto. Eles adentraram ao reservado do templo. O rapaz voltou ao assunto anterior do casamento com a sogra. O pastou fazia-se de mal entendido. Então o rapaz deixou cair uma sacola cheia de dinheiro próximo ao pastor. Este arregalou os olhos ao ver tanto dinheiro junto. O rapaz já de saída do templo foi chamado:

- Meu rapaz, com quem você quer se casar mesmo?

- Com minha sogra...

- Ah! Então pode... Pensei que era com sua mãe!

F I M.