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REUNIÃO



No aconchego do sono profundo me entrego ao doce sabor onírico de estar livre.  Derrepente ouço vozes distantes que aos poucos se aproximam, não consigo saber o que se fala mas são vozes conhecidas.
Abro os olhos curioso, ansioso para participar da conversa, vejo que estou numa reunião com familiares, estão aqui meus irmãos, primos, tios e alguns conhecidos mais chegados. Estão todos bem vestidos, falam baixo, parecem tristes.
Que reunião será esta que requer a presença de pessoas que moram tão longe e que só vejo esporadicamente em datas especiais?
Estranho, todos me ignoram, ninguém me dirige a palavra, até parece que não estou presente.  A casa é grande, herança de família, percorro os aposentos e nada, ninguém sequer olha para mim, começo a sentir medo, não sei de que.
Noto que a maior concentração está lá no salão onde recebo minhas visitas e amigos, ouço as pessoas conversando todas ao mesmo tempo mas sem que haja barulho alto como é de se esperar de uma festa.   Não, definitivamente não é uma festa.
No corredor comprido que leva ao salão as pessoas se cumprimentam, umas que saem e outras que entram.  Sigo adiante e paro próximo da porta, parece que alguma coisa quer me impedir de entrar, me prende as pernas e seca minha garganta.  Tomo coragem e prossigo.
Ao passar para o recinto uma rajada de ar gelado congela-me os ossos e me imobiliza como que parando as areias do tempo de escoarem.    No centro do salão sobre suportes metálicos e rodeado de velas jáz um esquife ricamente ornamentado com detalhes dourados, não consigo ver seu ocupante, me aproximo lentamente.
Estranho, todos se aproximam de mim mas não dirigem palavra alguma, olham-me com olhos perdidos, sinto-me angustiado.
Ao chegar ao lado do esquife a visão que tenho é terrível.
Imóvel para sempre em sono eterno está ali diante dos meus olhos incrédulos alguém muito conhecido, carisma conquistado ao longo de árduos anos de dedicação incansável à sociedade local....   Agora somente a carcaça daquilo que fui!
Tex
Enviado por Tex em 08/08/2005
Código do texto: T41213
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Sobre o autor
Tex
Curitiba - Paraná - Brasil
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